A última chance de Paulo Henrique Ganso

De todos os jogadores que passaram pelo São Paulo nos últimos anos, Paulo Henrique Ganso é o que causa mais controvérsia. Desacreditado por uns e admirado por outros, o meia chegou ao São Paulo com o status de gênio, que fora adquirido por ele quando ainda jogava pelo Santos, time que o revelou.

No Peixe, Ganso deu as primeiras amostras de sua genialidade. Com um toque refinado, raciocínio rápido, habilidade e passes espetaculares, não demorou muito para o jogador despontar como um dos melhores do país, sendo apontado como uma das grandes promessas do futebol brasileiro.

Mas a carreira do craque começou a tomar um novo rumo quando ele resolveu mudar de ares em 2012, trocando a Vila Belmiro pelo Morumbi. A partir daí as coisas começaram a mudar para o meia.

Paulo Henrique chegou ao Tricolor ainda em recuperação, por conta de uma séria lesão no joelho, o que exigiu de seus novos treinadores paciência e cautela, já que qualquer jogador recém recuperado de contusão precisa de tempo para voltar a ser o que era. No entanto, aquele Ganso genial que todos conheciam, desde que subiu a serra, nunca mais deu as caras.

Para não cometer injustiças, de acordo com as estatísticas, Ganso é ainda um meio-campista acima da média. No Campeonato Brasileiro de 2015, por exemplo, o jogador tem um retrospecto muito bom em alguns quesitos: 11 assistências, 126 perdas de bola (média de 4.06 por jogo), e o número surpreendente de 58 desarmes certos. Para se ter um parâmetro, o meia Jádson, eleito o melhor na sua posição no Brasileirão do ano passado, quando ainda era do Corinthians, teve 12 assistências (somente 1 a mais que o são-paulino), perdeu a bola 175 vezes (5.15 por jogo) e só desarmou com êxito em 22 oportunidades.

Mas, inexplicavelmente, Ganso não demonstra ser o mesmo dos números. Pelo contrário, em campo, na maioria das vezes, ele passa uma imagem negativa à torcida, que o vê como um jogador lento, dorminhoco e sem raça – algo que toma uma proporção maior com as suas atuações ruins em clássicos e em jogos decisivos.

Por outro lado, para os técnicos com quem trabalhou, o meia sempre teve crédito: Ney Franco, Paulo Autuori, Muricy Ramalho, o colombiano Juan Carlos Osorio, Doriva e, recentemente, o argentino Edgardo Bauza.

É claro que Paulo Henrique não conquistou a confiança de seus comandantes por ser apenas um cara de nome, e sim por ser verdadeiramente um jogador diferenciado. E o novo treinador Bauza, logo em suas primeiras declarações, fez questão de reforçar isso. O argentino disse à imprensa que Ganso será, junto com Diego Lugano, o líder da equipe e que propôs a ele um desafio: voltar à seleção brasileira.

Oficialmente, não há nenhum resquício de pressão por parte da diretoria do São Paulo, e tampouco por parte do novo técnico, para que o jogador mostre serviço. Porém, apesar de não existir nada oficial, percebe-se nas entrelinhas da mensagem de Bauza, em bom e claro portunhol, que há, sim, uma cobrança para que o meia mostre mais de seu talento.

E agora, depois de todas as chances dadas ao Ganso durante esses pouco mais de três anos, o desafio proposto por Bauza soa, mesmo que de modo subliminar, como um ultimato ao craque, um sinal de alerta, uma última oportunidade para ele assumir definitivamente a posição de maestro do time, sem precisar de números para comprovar o seu bom desempenho dentro das quatro linhas, e mostrar a que veio de uma vez por todas – para a felicidade de todos os que apreciam o futebol de qualidade.

Fonte: www.footstats.net

Renan Amaral

Sobre Renan Amaral

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Apaixonado por esporte, Renan Amaral percebeu que tinha o futebol na veia quando foi a um estádio pela primeira vez. Anos depois, descobriu no jornalismo a oportunidade de estar envolvido de alguma forma com esportes, principalmente com o futebol, sua velha paixão, que nasceu quando ainda era um moleque que esticava o pescoço para ver melhor os jogos da arquibancada.

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