A coluna Papo Azteca desta semana conta a história do maior técnico brasileiro da história do futebol mexicano. Ricardo Ferretti de Oliveira, nasceu no Rio de Janeiro em 22 de janeiro de 1954. Ganhou a alcunha de “Tuca”, ainda bebê. Segundo sua mãe Aryad de Oliveira, essa foi à primeira palavra dita por ele. Tuca teve uma formação militar e a base da honestidade, disciplina e perfeccionismo o acompanham até hoje. O jovem carioca tinha como hobby bater uma bola na praia com os amigos. Aos 10 anos de idade, ele começaria a criar seu vinculo com o Botafogo.

Em 1970 o Brasil é tricampeão mundial de futebol no México. Nessa época, o garoto ainda era aspirante do Botafogo, time que tinha craques que foram campeões com a seleção brasileira, dentre eles Paulo César Caju, Roberto Miranda e Jairzinho o furacão da copa. Sem contar o seu maior ídolo Gerson, que não era mais jogador do alvinegro carioca, mas era ídolo no Glorioso.

BOTAFOGO

Em 1971 aos 17 anos de idade, Tuca Ferretti começa sua carreira como jogador profissional de futebol no Botafogo, onde seu irmão Fernando Ferretti fez história sendo Bicampeão carioca em 1967 e 1968, mesmo ano em que foi campeão da Taça Brasil de 1968. Os dois atuaram juntos na goleada histórica do Fogão sobre o Flamengo por 6×0, em jogo valido pela 20ª rodada do campeonato brasileiro realizado em 15 de novembro de 1972. Contudo, a parceria entre os irmãos Ferreti na Estrela Solitária durou até 1974.

 

OUTROS CLUBES BRASILEIROS E IDA AO MÉXICO

Em 1975, os dois voltariam a estar juntos. Tuca Ferretti passou pelos dois gigantes de Alagoas, CRB e CSA, no mesmo ano. No entanto, foi no Azulão que ele reencontrou seu irmão Fernando, mais uma vez. Porém a parceria chegou a durar menos de um ano. Em 1976, foi para o Vasco da Gama e Bonsucesso Futebol Clube, encerrando assim sua passagem por clubes tupiniquins, sem ter conquistado títulos.

Após boas exibições no BONSUCESSO, recebe uma proposta do FLAMENGO, o que era desejo de seu pai Victorino Ferretti. Foi ele quem pediu para que seu filho fosse ao rubro-negro carioca. Porém, Tuca recebeu uma proposta muito mais interessante e desafiadora do ATLAS do México.

Foi em 1977 que o meio-campista brasileiro, viveu a fase mais conturbada de sua carreira. O clube mexicano passava por problemas administrativos, que culminaram no rebaixamento da equipe ao fim da temporada. Sem dinheiro os Zorros rescindiram contrato com todos os estrangeiros. Portanto, Tuca estava sem clube e sem dinheiro.

AUGE NO PUMAS

Porém, seu estilo de jogo constituído por bons passes, inteligência, bola parada e o chute forte, chamaram atenção do treinador do Pumas, Miguel Mejía Barón que decidiu apostar no jogador brasileiro. Tuca Ferretti, estava de volta à primeira divisão do mexicano, mas passava por uma situação financeira difícil. No entanto, dentro de campo, ele mostrou o seu valor e comprovou que Miguel havia acertado na aposta.

Sem dúvidas foi no Pumas, onde, Tuca viveu seu melhor momento na carreira de atleta. No ano em que estreou vestindo a camisa do UNAM ele conquistou seu primeiro titulo como jogador de futebol profissional. E foi inesquecível! Em 1980, o Pumas seria campeão da Liga dos Campeões da Concacaf, pela primeira vez na sua história.

No ano seguinte foi ainda melhor com duas conquistas; campeão mexicano da temporada 1980-81 e da Copa Interamericana de 1981. Em 1982, teve a consagração e o desfecho de um ciclo dourado, com o bicampeonato da Liga dos Campeões da Concacaf. O casamento entre jogador e clube, permaneceu até 1985.

FIM DA CARREIRA COMO JOGADOR

Na continuidade da sua carreira, o meia teve, então, teve passagens por: Deportivo Neza, Monterrey, Pumas novamente em 1987-88 (única passagem sem títulos) e Toluca de 1988 até 1990. Nos Diablos Rojos, ele foi campeão da Copa México em 1989. Em 1990, ele retornou ao Pumas como jogador, pela última vez. Em 1991 se aposentou em grande estilo, tornando-se campeão mexicano da temporada 1990-91. Além de autor do gol da vitória na final contra o América, conhecido como El Tucazo. Portanto, o brasileiro é o segundo maior artilheiro da história do Pumas, com 182 marcados.

 

INICIO DA CARREIRA COMO TREINADOR

Em 1991, chegaria ao fim à carreira de jogador profissional, mesmo ano em que assumia como técnico de futebol no Pumas. Contudo, não houveram títulos na sua primeira passagem à frente do comando técnico do UNAM, que foi de 1991 a 1996. Mesmo assim, deixou uma boa impressão, chamando atenção de outros clubes.

Sendo assim o momento de respirar novos ares, mas era um ar pesado. O carioca pegou um desafio gigantesco: assumir o gigante adormecido Chivas Guadalajara, que vinha de uma década sem títulos. A responsabilidade era enorme, entretanto, o brasileiro soube lidar com a pressão. Com efeito do bom trabalho, um ano após sua chegada, o Chivas comemorava o fim da seca. O Rebaño Sangrado conquistou o Torneio de Verano, em 1997, primeiro titulo de Tuca como treinador, onde permaneceu até 2000.

COMETA FERRETTI

Ainda em 2000, chega ao Tigres pela primeira vez. Realizando boas campanhas, mas sem conquistar títulos. Então após três temporadas, o brasileiro fecha com o Toluca em 2003. Sua passagem nos Diablos Rojos foi curta, mas suficiente para ser Campeón de Campeones 2003 e Liga dos Campeões da Concachampions também em 2003.

Tuca Ferreti

Ferretti teve mais duas passagens relâmpagos por Monarcas Morelia e Tigres praticamente no mesmo ano de 2005, mas ambas sem o mesmo sucesso de outrora como no Toluca. Então, no ano de 2006, ele retorna ao Pumas, onde seu vinculo com o clube se torna mágico. Levando o UNAM ao titulo do Clausura 2009. Retribuindo, assim, a confiança depositada em seu trabalho e relembrando a era vitoriosa como jogador profissional.

TUCA TIGRES FERRETTI

Logo após o sucesso, Ferretti aceita outro grande desafio: assumir o Tigres UNAL, com a missão de livrar o time do rebaixamento. Ele não só conseguiu salvar a equipe, como acabou se tornando uma lenda. Seu temperamento forte, aliado ao conhecimento sobre futebol foi bem aceito pelos jogadores. Começaria, então, ali sua era mais vitoriosa na carreira de treinador.

Passado o susto do rebaixamento, já no ano seguinte, ele faz história, sendo campeão mexicano do Apertura 2011. O Tigres não era campeão nacional há 30 anos e a campanha foi tão espetacular, que rendeu o prêmio de melhor treinador do campeonato mexicano da temporada 2010-11.

Três anos depois do feito, teríamos outro. O Tigres conquistaria a Copa MX Clausura 2014, quebrando outro jejum de 18 anos. Depois desses feitos ainda vieram: Apertura 2015, Apertura 2016, Campeón de Campeones 2016, Apertura 2017, Campeón de Campeones 2017 e Clausura 2019.

A passagem do carioca não foi enfatizada somente por títulos. Além de seu jeito intempestivo a forma como ele faz a equipe jogar, também é sua marca registrada. Como esquecer a campanha na Copa Libertadores da América 2015, que chegou à final da competição contra o River Plate? Ou quando ele foi expulso e tentou ficar escondido na arquibancada vendo a partida. Sem dúvida, ele é muito maior que um treinador vitorioso, ele é um símbolo.

Um símbolo que completou 10 anos a frente da equipe. O carioca chegou ao Tigres em 01 de julho de 2010. Sua história pode ser ainda maior, visto que, seu vinculo vai até 30 de junho de 2021. Além disso, vale lembrar que nesses 10 anos de clube, houveram algumas interrupções. Por exemplo, quando o mesmo, foi convocado à seleção nacional.

TUCA MEXICANO

Seu primeiro contato com a Seleção do Mexico foi na Copa do Mundo de 1994 nos Estados Unidos, onde ele foi como auxiliar técnico de Miguel Mejía Barón. Aquele mesmo que foi seu treinador e amigo no Pumas. Dessa maneira, o convívio com grandes estrelas logo no começo da carreira acabou sendo muito importante para o até aspirante a treinador.

Dentre as estrelas ele teve de lidar com Hugo Sánchez, que tinha 35 anos na época, tido como o melhor jogador mexicano de todos os tempos. Jorge Campos, o goleiro atacante e Zaguinho, filho do brasileiro Zague, esperança de gols dos mexicanos, que um ano antes na Copa Ouro da Concacaf de 1993, foi o artilheiro da competição com 12 gols.

Essa experiência fez com que o carioca, adotasse uma postura crítica na qual ele defende amistosos com seleções mais fortes. Em 2015, Miguel Herrera é demitido do comando técnico da seleção mexicana, depois de ter agredido um jornalista. Dessa forma, é feito o convite para Ferretti, ser o novo treinador interino da El Tri.

Assim ele aceitou dirigir a equipe gratuitamente por quatro jogos, como técnico interino descartando permanecer por mais tempo, pois estava em contrato com o Tigres. Nesse período, ele conquistou a Copa da Concacaf 2015, seu único titulo a frente da seleção.

https://twitter.com/miseleccionmx/status/1034102959850835968

Contudo, Tuca que havia entregue a seleção mexicana ao colombiano, Juan Carlos Osório ainda em 2015, assumiria mais uma vez o cargo, após a saída do colombiano. O brasileiro ficou a frente dos confrontos contra Uruguai, o clássico contra os Estados Unidos, Costa Rica, Chile e Argentina, por duas vezes. No entanto, o desempenho foi fraco. Em nove amistosos, foram duas vitórias, dois empates e cinco derrotas. Por fim, naturalizado mexicano desde 2006, Tuca deu uma entrevista a respeito do trabalho dos treinadores no Brasil:

“Não tenho o menor interesse em ser treinador no Brasil. Não posso estar onde não se respeita o trabalho dos técnicos”.

Marcio Reis
Marcio Reis
Meu nome é Marcio Henrique Coelho Reis de Paulo, tenho 28 anos, sou de São Caetano do Sul. Graduado em Publicidade e propaganda pela USCS (Universidade Municipal de São Caetano do Sul) e no momento estou cursando Rádio, TV e Internet na Fundação Cásper Líbero. Sempre fui um apaixonado por futebol, como a maioria dos garotos tive o sonho de ser jogador, mas fiquei no sonho. Porem o esporte me mostrou que era possível trabalhar com futebol. Ainda é um começo, mas batalho para ser comentarista efetivo na área.

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