A trajetória dos heróis do gelo chega ao fim

Por mais tempo que dure, um conto de fadas sempre chega ao fim. Há diversas possibilidades para esse final: desde “felizes para sempre” até uma trágica separação. Pois bem. A França colocou um ponto final na caminhada islandesa rumo ao inédito título da Eurocopa de 2016. Histórico, épico, surpresa, sensação, inesquecível. Até mesmo zebra para os que preferirem. Faltam adjetivos para descrever a trajetória da Islândia na competição, e não existiriam palavras para eternizar a conquista do torneio, caso ocorresse.

A pequena ilha de gelo possui apenas 330 mil habitantes. Da população total do país, apenas 100 homens são jogadores profissionais. Destes 100 jogadores, o técnico Lars Lagerbäck escolheu 23 jogadores para montar a seleção islandesa.

Os nórdicos disputaram pela primeira vez a Eurocopa. Para chegar à França, os jogadores da ilha do gelo se classificaram na 2ª posição de seu grupo nas eliminatórias, deixando para trás a tradicional Holanda.

Logo na estreia da competição, a Islândia tinha um adversário complicado a frente. Enfrentaram Portugal, de Cristiano Ronaldo, logo na primeira partida de sua história na Eurocopa. Saíram de campo com um resultado modesto. Empate por 1×1, com gol do meia B. Bjarnason, não foi um resultado ruim.

Na segunda partida, um adversário teoricamente menos complicado. Jogaram contra a Hungria, porém, novamente empataram. Abriram o placar de pênalti, com o zagueiro R. Sigurdsson. A primeira vitória parecia próxima, mas teve que esperar, pois os húngaros conseguiram arrancar o empate no final do jogo.

Terceira rodada da fase de grupos. Última chance para a Islândia continuar na competição e fazer história. Os nórdicos não foram impedidos pela Áustria. Classificaram-se da maneira mais viking possível: lutando e persistindo até o último instante. O gol da vitória saiu aos 49 do segundo tempo, fechando o placar em 2×1.

Fase de grupos acabou. Passando em segundo, a Islândia teria o maior desafio até o momento: a Inglaterra nas oitavas de final. Não foi tarefa fácil. Os islandeses levaram um soco no estomago logo com 3 minutos de bola rolando. Rooney abriu o placar de pênalti para a Inglaterra. O empate veio cedo, sem dar tempo para os torcedores ingleses comemorarem. R. Sigurdsson deixou a partida igual no Allianz Riveira. A alegria dos mais de 40 mil torcedores islandeses se fez completa aos 17, quando Sigthórsson deu números a partida, fechando o placar em 2×1. Ao final da partida, a torcida e os jogadores nórdicos protagonizaram uma das cenas mais memoráveis da história da Eurocopa. O canto viking, sob uma única voz, ecoou pelo estádio e pelo mundo.

Veja a festa islandesa: https://www.youtube.com/watch?v=WZB3CvthiOM

Passada toda a comemoração contra a Inglaterra, o próximo adversário seria nada mais nada menos que os donos da casa: a França. Recheada de jogadores famosos, os franceses não tiveram piedade da Islândia, e chegaram a abrir 4×0 ainda no primeiro tempo. Giroud, aos 12, Pogba, aos 20, Payet, aos 40, e Griezmann, aos 42. Os franceses massacraram. Não deram a menor chance para os islandeses. No segundo tempo, Sigthórsson diminuiu aos 11, mas Giroud liquidou a partida de vez aos 13. Bjnarnason marcou aos 39, mas de nada adiantou. A Islândia perdeu por 5×2.

Os vikings, no passado, com certeza sentiam a pressão e o peso de suas espadas e escudos nas batalhas que lutavam. Os islandeses, mesmo não lutando por suas vidas, deram tudo por sua seleção. Caíram de pé no Stade de France. Mesmo com o placar, os nórdicos saíram de campo de cabeça erguida, sabendo do feito, do legado que deixaram para o mundo da bola.

Na mitologia viking, acreditava-se que os guerreiros mais bravos, aqueles que morreram lutando de forma valente, iam para Valhala (o paraíso para os vikings. Um enorme salão, situado em Asgard e dominado pelo deus nórdico Odin). Para os 23 jogadores que foram à França disputar a Eurocopa, mesmo não ganhando a competição, seus lugares provavelmente estão garantidos junto aos deuses nórdicos em Valhala.

Guilherme Papa

Sobre Guilherme Papa

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Guilherme Papa é estudante, de 21 anos, da turma do 5º semestre de Jornalismo da Universidade Metodista de São Paulo. Completamente louco por futebol, tem como objetivo transmitir informações do mundo da bola da melhor maneira possível.

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