Torcida e Seleção Brasileira se divorciam

Iraque poderia ser fraco tecnicamente, mas mostrou a força que o fez vencer, mesmo que num empate de 0 a 0, aos olhos dos torcedores, neste domingo (7) no Estádio Mané Garrincha, em Brasília. Mostrou o que a seleção brasileira não coloca mais em prática a alguns jogos: domínio.

Fez o Brasil entender que a estrela da camisa 10 de Neymar nem sempre honra o brilho que carrega. E nem sempre apoia o time como um capitão que governa. Deixou o gramado engolir, e a torcida evidenciou as jogadas ruins da seleção brasileira em vaias.

É o legado de Rogério Micale com erros para finalizações refletidos num resultado vergonhoso, pois as falhas se repetem, no último placar de também 0 a 0, contra a seleção da África do Sul.

Pouco coletivismo e sem disciplina. No segundo tempo o treinador Micale passou no banco de reservas. Sem dar apoio a seleção que enfrentava ataques da torcida e do time adversário, não houve apoio do treinador que não estava presente na área técnica.  E enquanto isso, a seleção iraquiana crescia.

É verdade a insistência de Gabriel Jesus, que quatro vezes concluiu. Só que a bola não entendeu o recado. O gol parecia inalcançável. Mas é verdade também que os lances foram desesperados. Não apresentaram técnica e harmonia em campo. E como se não bastasse o jogo ruim, a seleção brasileira se contaminou pela torcida, que sem dó nenhuma fez pressão até onde pôde.

Um país com milenares conflitos, hábitos religiosos rígidos e penitencias como forma de purificação de alma. O Iraque tem um povo que sofreu. Ainda sofre. Mas pelo menos em campo trouxe alegria. Venceu aos olhos dos torcedores. Não diminuiriam o adversário, e contrapôs o que os brasileiros achavam, erroneamente, que era um time fraco.

A seleção iraquiana mostrou comprometimento com o futebol e com seu o país. Teve a chance de brilhar, em cima da decepção brasileira, e evidenciar que um placar não diz, em alguns casos, quem foi o melhor. Mostraram mais do que se esperava encontrar. Surpreenderam os torcedores, pois era um futebol de poucas possibilidades, mas que souberam aproveitar ao seu favor, a desarmonia do adversário para ser vista com honra. E merecida.

A seleção brasileira correu, correu e não saiu do lugar. Enquanto a seleção iraquiana, honrou um futebol sem mercenarismo, com jogadores titulares que ganham salários significantemente menores do que se está acostumado a ver no Brasil.

E em solos estrangeiros foram os preferidos. Com o atacante Abdul-Raheem, aos 11 minutos cabeceou para o gol que mandou a bola na trave, foi talvez, o momento de mais assertividade, tecnicamente, dos iraquianos.

O próximo jogo do brasil é conta a seleção da Dinamarca, na próxima quarta-feira (10). E todos ainda podem se classificar, África do Sul, Brasil e Iraque.

E como não é só do samba que vive o Brasil, não é só de guerras que vive o Iraque. Os estereótipos, na maioria das vezes, servem para mostrar o pensamento pequeno que se tem acerca das situações. Vamos fingir que não subestimamos o Iraque. E com este placar, de 0 a 0, vamos fingir que ninguém venceu.

Leticia Soares
Leticia Soares
Letícia Soares, 21 partidas completas pela vida. Estudante de jornalismo, que já estudou gastronomia e que ama também áreas da psicologia. O que isso tudo tem em comum? Nada. Simplesmente descobriu a paixão pelo futebol por um ex-namorado que era fanático pelo jogo. O relacionamento teve fim, mas o amor pela bola, continua prosperando a cada partida que assiste.

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