Top 10 referências de Chaves ao futebol mexicano que você não sabia!

A coluna Papo Azteca vai trazer ao leitor importantes e curiosas histórias do futebol mexicano semanalmente. E hoje vamos falar de um dos maiores poetas de todos os tempos: CHESPIRITO. Engana-se você que pensa que poesia é poema, nada disso. Poesia é a arte de fazer algo tão bem feito ao ponto de não poder dar nome. Assim, chamamos de arte. E é exatamente isso que Roberto Gómez Bolañoso Chespirito, Chaves, Chapolin Colorado e tantos outros personagens, fez. Mas este artista razão do riso de milhões de pessoas no mundo tem uma relação muito especial com o futebol, ou FUTBOL, sem acento no “u”, no espanhol mexicano. Em várias de suas obras ele faz referências ao esporte, principalmente em Chaves, ou El Chavo del Ocho, em espanhol.

Embora seu humor cruzasse incontáveis ​​temas da sociedade, o futebol sempre esteve presente nos capítulos da vila mais famosa do planeta. O pátio era o campo e as janelas de Seu Madruga e o saguão de entrada o gol, até Seu Barriga proibir a prática pelas inúmeras boladas que recebia de Chaves. Vale ressaltar que Seu Barriga termina o episódio “Proibido jogar futebol (1978)” jogando bola, pois Florinda ameaçou não pagar o aluguel se as crianças não pudessem jogar. De fato, você, amante de Chaves, já viu quase todos os episódios e deve estar em busca do desafio para saber se realmente não sabe as referências do texto. Porém, você deve ter assistido aos episódios em português, onde a tradução “aportuguesada” muda muita coisa. Vamos voltar no tempo e ao áudio original para uma aula de referências ao futebol mexicano.

Top 10 referências de Chaves ao futebol mexicano que você não sabia!

1 – Era melhor ter ido ver um filme do El Chanfle

Na versão brasileira, a frase está até hoje na boca de todos os jovens e adultos, é: “Teria sido melhor ir ver um o filme do Pelé”, no episódio “Vamos ao cinema? (1979)”. O filme do Rei do Futebol, na ocasião, era “Os Trombadinhas (1979)”. Tudo bem, essa daqui a maioria já sabia, mas o que você não sabia, ou não deve ter visto, é a obra “El Chanfle (1979)”. A película conta com várias referências ao futebol local, como, por exemplo, flâmulas de times mexicanos na casa do protagonista: Atlas, Toluca, América, Monterrey, Atlético Español (atual Necaxa), Tampico MaderoPuebla.

A comédia, estrelada por Roberto Bolaños, conta a história de um roupeiro do América, de apelido Chanfle, casado com Terê (Florinda Meza), grávida do quinto filho, mas que não conseguiu dar a luz a nenhum. No escritório de Sr. Matute (Rubén Aguirre), há uma flâmula do Atlante e Cruz Azul. No jornal que Chanfle lê ao chegar em casa após o mercado é possível ver: Pumas goleo. 

2 – Seu Madruga “bandeirinha” – “Yo le voy al Necaxa” – “Meu negócio é futebol”

Ramón Valdés, popularmente conhecido como Seu Madruga, ou Don Ramón, em espanhol, sempre será lembrado por inúmeras frases icônicas. Mas uma delas remete diretamente ao futebol mexicano e você, de fato, nunca percebeu. “Yo le voy al Necaxa” é uma popular frase que o personagem costumava falar em situações constrangedores ou que colocavam a prova sua masculinidade. Como, por exemplo, quando Professor Girafales vai pedir conselhos amorosos a ele. A frase envolve uma das equipes com mais tradição no futebol azteca: Necaxa. A tradução é como se tivesse bradando que vai ao estádio, um local “masculino”, como “Aqui é Necaxa!”, aparentemente seu time. Em português a frase ficou: “Meu negócio é futebol”.

Apesar de ter um time, Madruga não faz cerimônia para “trocar de time” para não pagar o aluguel. No episódio “Proibido jogar futebol (1973)”, revela que torce para Chivas Guadalajara, minuto 7'14” até 7'27”, na tentativa de simpatizar com Sr. Barriga. Porém, o dono da vila continua a lhe cobrar o aluguel. O devedor troca de time e se diz torcedor do América, minuto 7'27” a 7'34”, mas Barriga continua bravo. Até que Madruga o engana e pergunta seu time. Assim, “sem querer”, Barriga confessa ser fã do Monterrey, clube do qual agora Seu Madruga também é fã e canta até músicas, a fim de se livrar da cobrança do aluguel. No episodio “Curto-circuito (1977)” é possível ver nitidamente na casa de Seu Madruga flâmulas do Pumas, Rumenia (Romênia) e Toluca. Outras quatro são de difíceis referências.

3 – Goleiros mexicanos

No episódio “Proibido jogar futebol (1973)”, Quico chama Chaves para jogar bola e ambos brigam para ver quem será Enrique Borja, ídolo dos torcedores mexicanos nas décadas de 60 e 70 e que jogou as Copas do Mundo na Inglaterra, em 1966, e no México, em 1970. Após levar um soco, Chaves escolhe Raúl “Willy” Gómez. Porém, Quico diz que Chaves terá de agarrar seu pênalti. Então, o menino do barril faz outras tantas referências. Primeiramente fala que vai ser El Cuate Calderón, reconhecido pela Federação Internacional de História e Estatística do Futebol como o 9º melhor goleiro da CONCACAF do século XX. Ele jogou 13 anos no Guadalajara Sports Club, o glorioso Chivas Rayadas. Posteriormente, trocou por Héctor Brambila, considerado pela imprensa e pelo público como um dos melhores goleiros que existiram no futebol mexicano.

Trocou novamente, desta vez escolheu El Pajarito Cortés, então Rafael Puente, depois El Gato Marín, e, quando vai trocar outra vez, Quico grita com Chaves e pede para se calar e jogarem logo. No episódio “Jogando pênaltis (1975)”, minuto 5'00” até 7'53”, a discussão de goleiro se repete e Chaves acrescenta Chango Molá em sua lista. Chavo del Ocho faz referências também de que queria ser o goleiro de diversas seleções, como do Peru, na época Ramón Quiroga. Em seguida, mudou para o portero da Itália, Dino Zoff, depois optou pelo goleiro da Alemanha, supõe-se que Sepp Maier, primeiro goleiro da Copa de 78. Então, quis ser o arquero da Holanda, aparentemente Piet Schrijvers, goleiro da Laranja Mecânica por mais de uma década. Depois trocou por um argentino, entende-se que Héctor Baley e, por fim, o goleiro do México, José Pilar Reyes, este do Tigres e da Seleção de 78.

4 – Enrique Borja: o ídolo da turma do Chaves

Enrique Borja era um grande jogador mexicano que, sem nunca encontrar os louros de Hugo Sánchez, mas que os fãs de Chaves, sem nunca terem o visto jogar, o equiparam ao maior ídolo do futebol azteca. “Todo mundo queria ser o Chaves e, curiosamente, o Chaves queria ser Enrique Borja”, lembra o ex-líder da Seleção Mexicana. Com a camisa da seleção Borja disputou duas Copas do Mundo (66 e 70) e até teve o luxo de marcar contra a Argentina no estádio Azteca.

Ídolo do América, um clube do qual Roberto Bolaños era fã, mais tarde se tornou presidente da Federação Mexicana de Futebol. Marcou seis gols em cinco amistosos contra o Peru, sendo sua principal vítima. Fez parte da história do América ao conquistar cinco títulos, além de ser artilheiro da temporada por três anos. Para muitos, está no mesmo patamar de Sánchez, ídolo do Real Madrid, graças à quantidade de gols que marcou. Se aposentou em 1977 para 120 mil pessoas no Estádio Azteca.

5 – Chilena (bicicleta)

Durante o episódio “Proibido jogar futebol (1973)”, Seu Madruga, um exímio amante de futebol, com diversas flâmulas em casa e confesso torcedor do Necaxa, assume não saber o que é uma Chilena (bicicleta, em português), entre o minuto 8'19” e 8'57”. Nas ocasião, Dona Florinda o acerta um tapa após ele ter chutado Quico, seu filho, e pede para Madruga jogar bola com a avó dele. Neste momento Chaves pergunta se a avó de Madruga sabia “matar de Chilena” (marcar gol de Chilena). Neste momento o velho bate em Chaves e volta para casa reclamando e dizendo que vai procurar saber o que é Chilena, a famosa bicicleta, em português. Por mais que tenha um nome que remeta a outra nação, este termo também é utilizado no México.

6 – Técnico Nacho Trelles

No episódio “Proibido jogar futebol (1973)”, Seu Madruga, irritado com Chaves e Quico, chuta a bola para uma suposta arquibancada, na intenção de se livrar da bola, boladas e pontapés. Ele fala que vai ensinar um jogada e a nomeia de “arrumar tempo”. Mas, neste momento, Quico faz referência a Nacho Trelles, treinador de maior sucesso na história da Primeira Divisão do México, com um total de 15 títulos nacionais e internacionais. É o segundo treinador com mais jogos da liga dirigidos na história elite mexicana (1083).

Treinador com o maior número de títulos na era profissional, com sete (Marte 1953-54, Zacatepec 1954-55 e 1957-58, Toluca 1966-67 e 1967-68, e Cruz Azul 1978-79 e 1979-80). Ele e Victor Manuel Vucetich foram os únicos dois técnicos que foram coroados campeões da liga em quatro clubes diferentes. Técnico que dirigiu mais jogos internacionais da Seleção Mexicana (117). Chaves pergunta se devolvem a bola e Seu Madruga disse que sim, geralmente atacando no treinador. Então a bola volta em sua cabeça: minuto: 14'40” a 15'40”.

7 – Carlos Villagrán, o Quico, cobriu a Copa do Mundo de 1970 por um jornal

Embora ele estivesse sempre com uma bola debaixo do braço e fosse o companheiro inseparável de Chaves quando jogava futebol, Quico nunca revelou de que time era fã. No entanto, o intérprete do personagem, Carlos Villagrán, viveu uma grande experiência relacionada ao esporte. Começou como fotógrafo do jornal ‘El Heraldo', no México. Villagrán era jornalista esportivo e até cobriu os Jogos Olímpicos de 1968 e a Copa do Mundo de 1970, ambos no México.

O ator disse ao La Tercera, do Chile, que na Copa do Mundo ele viveu uma de suas melhores experiências: “Vi o melhor time da história do futebol jogar (Brasil). Ainda me lembro de Pelé, Tostão, Rivellino, Jairzinho, Clodoaldo e Carlos Alberto. Foi uma equipe incrível”, lembrou ao periódico. Vale ressaltar que seus filhos são chamados Edson e Paulo Cézar, em homenagem a Pelé e Paulo Cézar Cajú, referências daquele Brasil campeão em 1970.

8 – Sr. Barriga fã enlouquecido do Monterrey

Como dito outrora, o dono da vila não se continha quando começavam a cantar a música do Monterrey, sua equipe do coração. Barriga confessou ser torcedor do clube no momento em que Seu Madruga tentava o enrolar para que esquecesse de cobrar o aluguel. Quando Sr. Barriga fala que é Monterrey, Madruga começa a cantar: “Monterrey (tripla palma)!!! Monterrey (tripla palma)!!!”, até que Sr. Barriga começa a cantar junto, desiste de cobrar o aluguel do caloteiro e diz que vai cobrar dos outros inquilinos, isso no episódio “Proibido jogar futebol (1978)” (minuto 17'31” a 18'15”).

9 – Professor Girafales e Dona Florinda torcedores do Pumas

No episódio “Proibido jogar futebol (1978)”, minuto 18'42” a 19'25”, Professor Girafales confessa a Dona Florinda ser torcedor do Pumas, clube do qual chama carinhosamente de Universidad, pois o clube se chama Club Universidad Nacional, mas é conhecido como Pumas de la UNAM ou Pumas UNAM, pois o símbolo do time é o felino Puma. Dona Florinda então começa a cantar a música do clube e Girafales vai no embalo.

10 – Seu Madruga ironiza Hugo Sánchez

Uma das maiores lendas do futebol mexicano, Hugo Sánchez, El Niño de Oro (Menino de Ouro), como foi apelidado, foi ironizado por Don Ramón, o Seu Madruga. No episódio “Proibido jogar futebol (1978)”, minuto 13'26” até 14'00”, Madruga pede para que Quico e Chaves não joguem bola em sua porta e, sim, no saguão de entrada da vila. Ainda diz que vai os observar jogar para verificar se são bons. Quico logo diz que será o goleiro, enquanto Chaves afirma que será El Niño de Oro, do qual Madruga pega as referências, olha para a câmera e diz: “de ouro…”, de forma irônica.

Vale ressaltar que na época Sánchez estava surgindo para o futebol, mas já havia sido artilheiro dos Jogos Olímpicos de Verão de 1976. Sua primeira temporada entre os profissionais do Pumas foi a de 1976-77, após as Olimpíadas, sendo logo campeão mexicano. Portanto, pode ser que Madruga não concordasse com o tal apelido precoce.

Foto destaque: Reprodução/El Bocon

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Eric Filardi
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