Napoli

Nos anos 80 e 90 a Itália era referencia no quesito grandes times de futebol. Enquanto esquadrões como a Juventus de Michel Platini e Paolo Rossi, e o Milan do trio holandês Marco van Bastes, Ruud Gullit e Frank Rijakaard se alternavam no protagonismo italiano e europeu, um time emergia ao sul do país para mudar este cenário. Se tratava do Napoli, que sob a liderança de Diego Armando Maradona conseguiu colocar a cidade de Nápoles no mapa do futebol e quebrar as hegemonias nacionais.

TIMES HISTÓRICOS DO CALCIO: NAPOLI 1986-90

CHEGADA DE MARADONA

Ao contrário do que vemos hoje o Partenopei era um time pequeno, que só tinha chegado à glória em duas Copas da Itália – conquistadas em 1961-62 e 1975-76 – além da taça da segunda divisão italiana, em 1949-50. Fora isso, o clube ainda não havia incomodado, de fato, seus rivais. Tudo começou a mudar com a chegada do craque argentino em 1984.

Maradona chegou do Barcelona sendo uma das contratações mais badaladas da época. Em sua apresentação desembarcou de helicóptero no Estádio San Paolo, onde foi ovacionado e certamente não demorou para cair nas graças da torcida. Logo em seu primeiro ano levou os partenopeos a 8ª colocação do Campeonato Italiano, apenas dez pontos atrás do campeão Verona. Na temporada seguinte, os comandados de Ottavio Bianchi chegaram em 3º lugar e já davam indícios que a equipe estava em progresso e logo figuraria em prateleiras melhores.

1986-87: COLHENDO OS PRIMEIROS FRUTOS

Com um elenco bem ajustado, regido pela batuta de El Pibe de Oro, os Azzurros chegaram a 15 vitórias, 12 empates e três reveses, que resultaram nos 42 pontos no Campeonato Italiano. A campanha surpreendeu o país que viu o time ficar a três tentos na frente da Velha Senhora e conquistar o inédito Scudetto. Além disso, para coroar a boa temporada o Napoli ainda bateu o Atalanta por 4 x 0, no placar agregado, e levantou a taça da Coppa Italia.

1987-88: ACERTANDO O ELENCO

Em 1987-88 o campeão brasileiro Careca deixou o São Paulo com rumo a Nápoles para realizar o sonho de jogar com Dieguito. O trio mortal de atacantes Maradona, Giordano e Careca foi apelidado de magica (pelas iniciais dos três jogadores). O doblete da temporada anterior deixou muitas expectativas nos torcedores, no entanto, a história foi completamente diferente do período passado.

O saldo nas competições nacionais não foi muito bom. O inicio foi arrasador na Copa da Itália, sendo cinco vitórias em cinco embates. Logo após, nas oitavas o Gli Azzurri perdeu o primeiro jogo para a Fiorentina por 3 x 2. Entretanto, no jogo de volta a dupla Maradona e Careca conduziu o time para a vitória por 3 x 1. Já nas quartas o Torino foi mais forte e pelo placar agregado de 4 x 3 eliminou os napoletanos.

O bicampeonato italiano também bateu na trave. Com 18 triunfos, seis empates e o mesmo número de tropeços o clube conseguiu 42 tentos e a 2ª posição na tabela de classificação. Dessa forma, os mesmos três pontos que garantiram o título do campeonato passado pesaram contra e o Milan se sagrou campeão. Mesmo assim, quem teve destaque ainda foram Maradona e Careca, artilheiro e vice com 15 e 13 gols anotados, respectivamente.

Ademais, o sonho da Copa dos Campeões também foi interrompido. O Real Madrid despachou o Partenopei prematuramente, ainda na primeira fase da competição, depois de vencer o jogo de ida por 2 x 0 e segurar o empate por 1 x 1 na volta.

1988-89: DEIXANDO A MARCA NA EUROPA

Com o peso de ser, ao lado do Milan, um dos melhores times do país da bota, a equipe iniciou sua trajetória em busca de ganhar a Copa da Uefa – atual Europa League – e deixar sua marca no continente europeu. Depois de passar pelas primeiras fases sem grandes surpresas a primeira prova de fogo veio contra a Juventus.

O duelo de ida, em Turim, foi vencido pelos mandantes por 2 x 0. O jogo de volta trouxe ao Napoli a missão quase impossível de ganhar o confronto por três gols de diferença. Dessa forma, com a bola rolando Maradona e Carnevale marcaram, forçando a prorrogação. No complemento Renica marcou fazendo 3 x 0 e carimbando a vaga do time na próxima etapa.  A vaga para a final estava perto, no entanto o Bayern de Munique estava a frente, tentando estragar os planos. Com Careca tomando o protagonismo os Azuis venceram a primeira partida por 2 x 0.Na volta o brasileiro voltou a brilhar no empate por 2 x 2.

Bastavam mais 180 minutos, contra o Stuttgart, para que o grito de campeão ecoasse das gargantas dos torcedores. Sendo assim, jogando em casa o Napoli conquistou a vitória por 2 x 1, com gols de Maradona e, mais uma vez, Careca. Já na volta, Alemão fez o gol que abriu caminho para o 3 x 1, resultando em 5 x 2 no agregado. O Gli Azzurri conquistou a Copa Uefa, seu primeiro e único título internacional.

1989-90: ÚLTIMO PERÍODO DE CONQUISTAS

A temporada de 89-90 fechou o período de conquistas azzurri. Novamente importante, com 16 balançadas nas redes, Maradona conduz o grupo ao bicampeonato nacional, com apenas dois pontos de vantagem para o rival rossonero. Em seguida, são mais uma vez coroados. Agora com a Supercopa da Itália, depois de golear a Juventus por incríveis 5 x 1.

Nos anos seguintes o Partenopei voltaria a passar por períodos conturbados. Isso por conta de seu ídolo máximo, Diego Armando Maradona, que deixou a equipe em 1991 depois de escândalos envolvendo doping por cocaína e de seu suposto envolvimento com a Camorra, máfia da cidade de Nápoles. Maradona pegou 15 meses de suspensão, deixou os napoletanos e rumou para o Sevilla. Para muitos foi o fim do melhor Napoli de todos e dos melhores dias de Dieguito.

Vinícius Oliveira
Sou Vinicius de Oliveira, tenho 19 anos e sou estudante de jornalismo. Sou praticante de esportes desde pequeno, e principalmente, apaixonado por futebol. A escolha do meu curso veio pelo meu amor pelo rádio, um costume que meu pai transmitiu para mim. Passamos inúmeras horas escutando jogos e programas esportivos. Sonho em ser jornalista, porque creio o futebol, e outros esportes, são coisas mágicas e únicas nas vidas das pessoas. Cada lance, ponto, partida traz sensações únicas, é poder transmitir isso é algo sensacional.

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