The Game of Their Lives: a milagrosa vitória dos Estados Unidos sobre a Inglaterra

- O jogo que virou filme com direito a Gerard Butler interpretando o personagem principal: Frank Broghi
The Game of Their Lives: a milagrosa vitória dos Estados Unidos sobre a Inglaterra

A coluna Desbravando o Tio Sam desta semana vem contar a história de um dos maiores “milagres” (ou zebras) da história do futebol mundial. E não é para menos. Um duelo entre Estados Unidos x Inglaterra envolve toda uma rivalidade histórica envolvendo a Revolução Americana de 1776. Além disso, um é o país onde nasceu o futebol, e o outro é o football tem até outro nome (soccer). Será que é dada a rivalidade? The Game of Their Lives vai te explicar.

O fato é que, em 29 de junho, na Copa do Mundo de 1950, no Brasil, a mesma Copa do Maracanazo, aconteceu, no Estádio Independência, em Belo Horizonte, O Milagre de Belo HorizonteThe Game of Their Lives ou The Miracle Match. Um duelo entre EUA x Inglaterra, vencido pelos americanos por 1 x 0. O duelo virou filme, estrelado por Gerard Butler.

The Game of Their Lives (The Miracle Match): O Milagre de Belo Horizonte

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A estreia

Na Copa do Mundo de 1950, pelo Grupo 2, composto por: Espanha, Inglaterra, Chile e Estados Unidos, todos esperavam que espanhóis e ingleses disputassem a liderança e, consequentemente, a classificação. Assim, na primeira partida de ambos, tudo normal: Inglaterra 2 x 0 Chile e Espanha 3 x 1 Estados Unidos. Mas, vale a ressalva de que os americanos abriram o placar aos 17 minutos com Pariani e lideraram até 10 minutos do fim, quando Igoa empatou para os espanhóis e Basora (83′) e Zarra (89′) viraram o jogo. Porém, foi na 2ª rodada que o “milagre” aconteceu.

Pré-jogo Estados Unidos x Inglaterra

No dia da partida, o jornal inglês Daily Express chegou a noticiar que “seria justo que a partida já começasse 3 x 0 para os americanos”, dada tamanha soberba inglesa antes do jogo. “Não temos chance”, disse o técnico americano Bill Jeffrey à imprensa. Declarou também que seus jogadores eram “ovelhas prontas para serem abatidas”.

De certo, nem se sabia que tinha futebol nos Estados Unidos. Os ingleses eram considerados os “Reis do Futebol”, com um recorde pós-guerra de 23 vitórias, quatro derrotas e três empates. Eles haviam derrotado os italianos por 4 x 0 e os portugueses por 10 x 0, em Lisboa, duas semanas antes da Copa.

Por outro lado, os americanos haviam perdido seus últimos sete jogos internacionais.  As chances eram de 3 x 1 para os ingleses vencerem a Copa e de 500 x 1 para os EUA. O time americano era formado por atletas semiprofissionais. Além de jogar futebol, eles trabalhavam. Professor, lavador de pratos, carteiro, médico na 2ª Guerra Mundial e até motorista de carro funerário. Para se ter uma ideia do amadorismo, o uniforme americano só foi entregue no desembarque no Brasil e o jogador Ben McLaughlin, teve que se retirar do torneio porque não conseguia folga no trabalho.

A Inglaterra tinha Stanley Matthews disponível, que era considerado um dos melhores jogadores do mundo na época. Mas o craque foi poupado para jogar partidas “mais difíceis”. Como não havia substituição na época, Matthews viu o duelo do banco de reservas. O duelo havia acontecido anteriormente, em uma excursão dos ingleses ao Canadá. Assim, na ocasião, no dia 19 de junho, 10 dias antes do duelo na Copa, os anglicanos venceram por 1 x 0, com gol de Johnny Hancocks.

1º tempo

Em 90 segundos, Stanley Mortensen cruzou da esquerda para Roy Bentley, que soltou um chute que foi desviado pelo goleiro dos EUA Frank Borghi. Aos 12 minutos, a Inglaterra teve seis chutes claros ao gol, mas não conseguiu converter. Dois chutes foram na trave, dois saíram pela linha de fundo, um foi por cima e outro brilhantemente salvo por Borghi.

Os EUA lutaram para avançar ao ataque e finalmente conseguiram um chute no gol aos 25 minutos, bloqueado pelo goleiro inglês Bert Williams. Os ingleses contra-atacaram com três chutes claros e seguidos no gol aos 30′, 31′ e 32′, mas não conseguiram marcar. Mortensen mandou por cima da trave duas vezes, e o cabeceio de Tom Finney no canto superior foi desviado por Borghi.

Aos 37 minutos, Bahr chutou de longe, a mais de 20 metros, mas quando Williams se moveu à direita para interceptar, Gaetjens mergulhou de cabeça perto do pênalti, e tocou a bola o suficiente para colocá-la à esquerda do inglês, abrindo o placar para os americanos aos 38′. A multidão explodiu quando os EUA lideraram um improvável 1 x 0. Quando chegava ao fim da etapa, Finney teve a chance de empatar, mas o apito tocou antes que ele pudesse chutar.

A multidão, inicialmente 10 mil torcedores, aumentou quando os moradores brasileiros ouviram a cobertura de rádio da partida. Os espectadores estavam apoiando principalmente os menos favorecidos americanos, aplaudindo com as defesas de Borghi e os ataques ingleses malsucedidos. Segundo Bahr, “a maioria esmagadora era de brasileiros, mas eles torceram por nós o tempo todo. Não sabíamos o porquê até depois. Eles esperavam que venceríamos a Inglaterra e que o Brasil não precisaria jogar contra a Inglaterra”.

2º tempo

Os EUA jogaram com confiança renovada quando o 2º tempo começou, criando outra oportunidade de gol aos 54′. Aos 59 minutos, a Inglaterra mandou uma cobrança de falta direta, mas o chute de Mortensen foi bem defendido por Borghi. Os ingleses voltaram a ameaçar, mas esbarrava numa forte retranca e ótimas defesas de Borghi.

Com oito minutos restantes, Charlie Colombo derrubou Mortensen na entrada da área. A Inglaterra pediu pênalti, mas o árbitro decidiu que estava fora da área. Na cobrança de Alf Ramsey, Jimmy Mullen cabeceou a bola para o gol, mas Borghi desviou no último instante e, apesar dos protestos dos jogadores ingleses, o árbitro decidiu que a bola não havia cruzado a linha e, portanto, não tinha sido gol.

A Inglaterra não voltou a ameaçar, mas os EUA tiveram uma chance final aos 85 minutos: Frank “Peewee” Wallace chutou, Williams não estava no gol, mas o segundo tento foi impedido por Ramsey.

Pós-jogo Estados Unidos x Inglaterra

Após o jogo a torcida invadiu o gramado para comemorar com os jogadores americanos, que foram erguidos nos ombros. As manchetes dos jornais na maioria dos países da Copa do Mundo anunciaram a vitória americana como chocante, exceto ironicamente nos Estados Unidos e na Inglaterra.

Diz a lenda que, nas publicações que relataram a partida da Copa do Mundo, o resultado foi tão inesperado que presumiu-se que 1 x 0 era um erro de digitação e foi relatado que a Inglaterra havia vencido por 10 x 0 ou 10 x 1. O uniforme azul da Inglaterra, que estreou neste jogo, foi aposentado. Voltaram a usar esta cor de camisa em 1959 e nova derrota: 4 x 1 para o Peru.

Imagem destaque: Reprodução/Pinterest

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Eric Filardi
Eric Filardi
Quando pequeno quis ser jogador. O sonho de criança passou. Uma vida nova se anseia. Bem-vindo ao melhor site de futebol. Bem-vindo ao Futebol na Veia. Sou Eric Filardi, paulistano de 27 anos, criado em Taboão da Serra, jornalista pós-graduado em Jornalismo Esportivo e apaixonado por futebol. Como todo jornalista amo escrever. Como todo brasileiro amo futebol. Tenho meu clube e minhas preferências, mas viso o profissionalismo e a imparcialidade, sem deixar de lado a criatividade. Sou Tricolor, Peixe, Palestra e Timão. Sou da Colina, Glorioso, Flu e Mengão. Sou brasileiro, hermano, francês e italiano. Sou Ghiggia, Paolo Rossi, Caniggia e Zidane. Sou Alemanha dos 7 x 1, mas que o povo não se engane. Também sou Ronaldo, Romário, Zico, Garrincha e Pelé. Sou Bundesliga, MLS, Eredivisie e Premier. Sou das várzeas e dos terrões. Sou Clássico das Multidões. Sou Sul, Nordeste, Amazônia e Pantanal. Sou Galo, Raposa, Bavi e Grenal. Sou Ásia e África. Sou Barça e Real. Sou as Américas, a Europa, sou o mundo em geral. Sou a festa nas arquibancadas que o estádio incendeia: sou Futebol na Veia.
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