Tevez comemorando título do Boca

É unanimidade admitir a importância de Riquelme e Tevez na história do Boca Juniors. Diante de discussões acaloradas na política, nem o mais fanático negacionista colocaria em cheque o que essas duas anomalias do futebol já fizeram pelos Xeneizes. Em fim de contrato com a equipe, Carlitos deixa em evidência as diferenças com Román, vice-presidente do maior clube do continente.

A princípio, as dificuldades em fechar um novo contrato com Tevez eram apenas financeiras. O problema resolvido abriu espaço para o surgimento novos impasses, desde políticos até chegar numa briga de ego envolvendo dois dos maiores astros da história do futebol argentino. O conflito entre eles não é de agora.

Como qualquer torcedor do Boca, o Apache era um grande fã do futebol de Román. No início da carreira, os dois chegaram a atuar juntos por pouco tempo. Em 2002, Riquelme deixou o clube para assinar com o Barcelona e começar uma história na Europa. Apesar disso, o meio-campista afirmou que nunca quis sair da equipe argentina.

“Nunca quis ir. (Boca) É o maior clube do mundo. Tive a sorte de jogar no Barcelona… Boca é o maior, é uma maravilha. Boca é minha vida. Me deu tudo que tenho. Amo meu clube, sou Riquelme graças ao clube. É como a minha vida”, declarou Riquelme.

Román criticou Tevez por sair do Boca em 2017

Os dois craques atuaram juntos também pela Seleção Argentina. Ao longo da carreira, sempre tiveram uma relação respeitosa, porém, quando Carlitos deixou o Boca para assinar com o Shanghai Shenhua da China, em 2017, as críticas de Román provocaram respostas quentes de Tevez, que chegou a afirmar que o ídolo não fazia bem para o clube.

“Quando nós perdíamos, ele saía matando os jogadores do Boca e quando o River ganhava dizia ‘como joga bem esse time de Gallardo (técnico). O respeito como jogador e ídolo do Boca, mas fora de campo deixa muito a desejar. Riquelme também saiu do Boca quando teve de ir, foi ao Barcelona e ao Villarreal e depois quando ficou sem contrato voltou. Falar de fora é fácil”, atacou Carlitos.

Tevez ganhou a defesa do maior ídolo da história do Boca e do futebol argentino. Ao Diário Olé, Diego Armando Maradona, hoje técnico do Gimnasia, não mediu palavras ao apontar críticas de Román aos xeneixes, enquanto  o ex-jogador elogiava o grande rival, River Plate.

“Se oferecessem US$ 50 milhões para Román, ele estaria falando chinês desde já. O River jogou a Série B e o Boca não. E isso não ouço Riquelme falar. Ele quer fazer média com quem?”, disparou Diego

A trégua

Após a eleição da chapa que levou Riquelme a ser vice-presidente do Boca Juniors, um confronto era esperado, no entanto, não aconteceu. Acima de tudo, os dois concordaram em selar a paz para levar o clube aos dias melhores. O cartola afirmou que estaria disposto a “trazer Carlitos de volta”, alegando que o atacante perdeu o apetite de jogar. Os recentes títulos de Libertadores do River, principalmente o de 2018, em cima dos Xeneizes, foi importante para resolver conflitos internos nos bastidores Azul y Oro. Primeiramente, a equipe precisava voltar a vencer.

“Eu quero olhá-lo no olho e saber o que ele quer. Eu acredito que ele (Tevez) perdeu seu apetite de jogar há dois anos. Nós queremos ver se somos capazes de trazer Carlitos de volta, para que ele possa se divertir e que nós possamos nos divertir também”, afirmou Riquelme.

Assim como o companheiro, Tevez também tratou de colocar panos quentes. O jogador destacou que teve uma conversa com o, na época, novo vice-presidente e que tudo estava bem. Carlitos afirmou que as divergências foram resolvidas em cinco minutos, no entanto, disse que o conteúdo da conversa permaneceria privado.

Tevez marca o gol do título do Campeonato Argentino

Até as tratativas para a renovação de contrato, a relação pareceu funcionar. Em março deste ano, Carlitos Tevez definiu o Campeonato Argentino com um único gol, diante do Gimnasia, time treinado por Maradona. O River Plate foi líder do torneio nacional na maioria das rodadas, entretanto, os Xeneizes voltaram a comemorar, tendo o Apache como o ídolo máximo da conquista.

A vitória na principal competição nacional era uma obsessão para o técnico do River, Marcelo Gallardo. Apesar de ser um dos maiores campeões da história dos Millonarios, Muñeco nunca faturou o torneio. Além de renascer na idolatria da torcida, Tevez protagonizou um gosto amargo em quem levou tanto sofrimento aos Xeneizes nos últimos anos.

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Diante de uma pandemia que assola o mundo, a torcida do Boca aguarda com ansiedade uma definição, no entanto, o contrato de Tevez se encerra nesta terça-feira (30) e existe a possibilidade de La Bombonera nunca mais ser palco dos shows do eterno Apache.

 

Foto destaque: REUTERS/Agustin Marcarian

Pevê Araújo
22 anos, 7/8 jornalista; baiano que ama futebol. Redator do Barça Brasil e repórter do site Galáticos Online. Escrevo sobre Campeonato Argentino no Futebol na Veia, além de outros textos. Futebol é vida e vida é futebol. Nas peladas, invento como Riquelme, na vida, vivo o sonho de ser um repórter esportivo.

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