Futebol Feminino

A princípio, a coluna Rainhas da Bola, te convida a conhecer um pouco mais sobre o futebol feminino na Inglaterra. Antes de mais nada, a terra que viu os primeiros chutes na bola surgirem nos pés de homens, também viram entre as mulheres. Dessa forma, em 1898, em Londres, ocorreu a primeira partida de futebol disputada entre moças. Aliás, na ocasião, o jogo era entre Inglaterra e Escócia. Entretanto, de lá para cá, muita água rolou embaixo desta ponte.

TERRA DE RAINHAS

É sabido que a Copa do Mundo Feminina de 2019, na França, foi uma grande propulsora da modalidade mundo à fora. Lembrando que a Inglaterra, terminou em 4º lugar. Dessa forma, a Terra da Rainha, também sentiu o impacto da competição. Tratando sobre a Women's Super League (WSL), o crescimento nos números foi bem observado. Antes de tudo, a competição surgiu em 2011, e possui apenas quatro clubes vitoriosos, sendo eles: Arsenal (2011, 2012, 2018/19), Liverpool (2013, 2013/14), Chelsea (2014/15, 2016/17, 2019/20) e Manchester City (2015/16).

Retornando às estatísticas, o público que acompanhou a primeira rodada do campeonato no ano de 2019, foi 12 vezes maior em comparação ao ano anterior. Assim, 62.921 torcedores acompanharam as primeiras partidas no ano da Copa. Aliás, com destaque para Manchester City (31.213 espectadores) no Etihad Stadium. Em segundo lugar, o Chelsea (24.564), em Stamford Bridge.

“O futebol feminino continuará a crescer, e estou muito orgulhoso deste clube de futebol. Sempre foi o lar dos nossos homens e, para nós, é sobre aproveitar essas oportunidades. É sobre compartilhar informações e padrões de direção. Agora, tenho que colocar todos sob pressão para fazer isso mais vezes”, declarou Emma Hayes, gerente da equipe feminina do Chelsea.

https://twitter.com/Sporf/status/1170725583501889536

A CRESCENTE VALORIZAÇÃO DO FUTEBOL FEMININO

Ainda se tratando sobre 2019, o grupo Kantar realizou uma pesquisa na Inglaterra para medir o nível de interesse da população sobre o futebol feminino. Em conclusão, o resultado mostrou que a WSL, principal torneio da modalidade no país, tem mais fãs que a NFL e a Copa do Mundo de Críquete. Portanto, concluiu-se que, quase metade da população inglesa demonstra interesse em acompanhar a competição.

Aliás, a pesquisa ainda apontou que o público que consome o futebol feminino é bem homogêneo, 57% homens, e 43% mulheres. Assim, o que se nota é que a competição vem se consolidando cada vez mais, e se tornando uma das melhores no nicho. Diferentemente da NWSL, campeonato americano de futebol feminino, que era considerado o melhor. E hoje, muito se comenta sobre a falta de competitividade que recaiu sobre o mesmo.

https://twitter.com/palpiteirasNFL/status/1144332663320469510

A LUTA CONSTANTE DA MODALIDADE

Retomamos os primórdios do futebol feminino na Inglaterra. No meio da Primeira Guerra Mundial (1917), as mulheres foram solicitadas nas fábricas por conta da ausência dos homens. Assim, na fábrica Dick, Ker & Co em Preston, a operária Grace Sibbert provocou alguns rapazes que estavam por ali, tentando jogar futebol. Dessa forma, propôs uma disputa entre os mesmos, e foi o que aconteceu. Por consequência da boa atuação, a gestão da fábrica autoriza a criação de um time exclusivamente feminino.

Todavia, como sabemos, o famoso jogo com os pés não era aceito pela sociedade se jogado por pés femininos. Como por exemplo, a jogadora Molly Walker, que foi tratada como uma pária pela família do namorado, pois usava shorts durante os jogos. Ademais, quando os soldados retornaram ao lar, ficaram irritados pela iniciativa das mulheres. Sendo assim, a equipe Dick, Kerr Ladies, formada pelas operárias da fábrica já citada, estavam no auge. Em 1921, foram 59 jogos, 58 vitórias, um empate, 393 gols pró e 16 contra.

PROIBIÇÃO

Mesmo que as mulheres estivessem conquistando espaço na sociedade, encontraram um jeito de freá-las. Desse jeito, em 1921, a Federação Inglesa de Futebol, proibiu totalmente o futebol feminino. Em suas justificativas para a proibição, constava a ideia de que a prática do esporte prejudicava a saúde da mulher. Somente em 1970, a Fifa aplica certa pressão e conquista o fim da proibição. Entretanto, essa ideia repressiva não atingiu somente a Inglaterra. Como consequência, na Alemanha, também proibiram as mulheres de realizar tal prática entre 1955 e 1970. Já no Brasil, o mesmo ocorreu entre 1941 e 1979.

Foto Destaque: Reprodução/Getty Images

Giovanna Monteiro
Cursando o 4º semestre de Jornalismo na Universidade Anhembi Morumbi, apaixonada por esportes desde os 7 anos e hoje com a cabeça e o coração encaminhados ao Jornalismo Esportivo.

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