Mesmo com o destaque que o futebol feminino de países vem ganhando como: Estados Unidos, Brasil, França, entre outros, sabemos que ainda falta muito para receberem seu devido reconhecimento. Ainda mais, em países que o investimento e a aclamação pelo futebol feminino, é mínima. Como por exemplo, a Superliga Chinesa, na China.

SUPERLIGA CHINESA FEMININA

A Associação Chinesa de Futebol organizou, em 1997, um torneio para que as jogadoras femininas também tivessem o mesmo direito dos homens de participarem de um campeonato. Foi aí que surgiu a Superliga Chinesa Feminina. Quando foi formada, apenas participavam quatro equipes. Atualmente, com oito clubes, a competição conta com clubes das cidades de Dalian, Xangai, Shandong, Changchun, Nanjing, Pequim, Qinhuangdao e Tianjin. Todas grandes centros chineses.

Devido à insuficiente comercialização do futebol feminino chinês e à pouca atenção, o sistema da liga feminina muda com frequência. Por exemplo, o sistema de rotações de “mandante e visitante” foi adotado em 2003. Como também, o sistema de rebaixamento, que não funciona da mesma maneira que em campeonatos tradicionais – a sua ideia ainda é pouco madura para começar a progredir.

MAIS INVESTIMENTOS

O até então negligenciado futebol feminino chinês ganhou espaço para investimentos do país. Em 2019, o varejista de comércio eletrônico Alibaba quis usar seu poderio econômico para impulsionar a Superliga Chinesa. A empresa anunciou que doaria 1 milhão de yuans (cerca de 141 milhões de dólares ou 800 milhões de reais) para o progresso do esporte. Com isso, o dinheiro seria usado para o desenvolvimento de jovens jogadoras, o treinamento de técnicos e o fortalecimento da seleção chinesa feminina.

Ademais, de acordo com um plano divulgado pela Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma da China, em 2016, pode-se esperar que o futebol chinês esteja entre os melhores times do mundo até 2050, tanto o masculino como o feminino.  “O desenvolvimento do futebol será acelerado nas escolas. O número de ‘escolinhas' chegará a 20.000 e haverá mais de 30 milhões de alunos do ensino fundamental e médio jogando futebol“, segundo o plano.

Espera-se que com o crescimento e melhoras das jogadoras em clubes chineses, a seleção feminina da China volte a ser uma das melhores seleções do mundo. Assim como era nas Olimpíadas – quando conquistaram a medalha de prata em 1996 – e na Copa do Mundo – quando ficou na 2ª colocação em 1999, e o 4º lugar em 1995.

AS CRAQUES CHINESAS

O histórico de craques chinesas que passaram pela Superliga não é fraco. As ex-futebolistas e, algumas, até medalhistas Chen Yufeng, Lie Jie e, principalmente, Sun Wen, são grandes inspirações para as novas gerações de atletas femininas. Essa última, que jogou pelo Shangai Shenhua, no ano 2000, foi eleita Jogadora do Século pela FIFA, prêmio que dividiu com a estadunidense Michelle Akers. Atualmente, a artilheira e melhor jogadora da última temporada é Tabisha Chawenga.

Na foto, Sun Wen: a maior futebolista da história da China. (Foto: Reprodução/Twitter @chnwnt)

BRASILEIRAS NA SUPERLIGA CHINESA

Em solo chinês, nossas craques brasileiras já marcaram presença. Entre elas, estão a recém-convocada para a seleção Rafaelle Souza, zagueira do Changchun Yatai; Gabi Zanotti, que atualmente joga pelo Corinthians, mas passou pelo Dalian Quanjian, junto com as brasileiras Fabiana e Debinha. E também, um dos grandes destaques da Copa do Mundo Feminina de 2019, Cristiane, ex-jogadora do Changchun Dazhong Zhuoyue e, agora, nova contratação do Santos.

As brasileiras que passaram por lá, eram referências técnicas de seus clubes. Ajudaram/ajudam as jogadoras chinesas, principalmente as mais jovens, a desenvolver suas capacidades. Pois, quem sabe com isso, colaboram para que, um dia, a Superliga Chinesa Feminina cresça e possa ser aclamada como tantas outras ligas.

Foto em destaque: Reprodução/Twitter @chnwnt 

Maria Sofia Aguiar
Maria Sofia Aguiar
Maria Sofia, ou simplesmente Sofia, é apaixonada pelo jornalismo e grande fã de futebol. O jornalismo esportivo certamente conquistou seu coração. Ainda estudante de 1º ano de jornalismo na PUC SP, faz parte do jornal laboratorial da faculdade “Jornal O Contraponto” e da página “O Contra-Ataque”, um página que discute o futebol além das quatro linhas. Agora, com muita felicidade, uma nova redatora para o Futebol Na Veia.

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