Sonho inglório

O Brasil tem a fama de ser o país do futebol, berço dos grandes craques, país de nascimento do maior jogador da história do futebol mundial, o maior ganhador de Copas do Mundo. Alguma vez na vida, muitos meninos tiveram o sonho de se tornar profissional e viver do futebol, tornar-se famoso, aparecer na televisão e marcar gols.

A princípio, o roteiro deste sonho é perfeito: fama, milhares de reias em contas bancárias, carros de luxo, lindas mulheres em volta e o reconhecimento mundial. Mas na prática, o sonho pode se tornar uma realidade inglória e a vida de um jogador cercada de dificuldades.

A CBF publicou ontem o panorama salarial dos jogadores que atuam no Brasil. Ao todo, são registrados 28.203 atletas e o resultado, embora não seja nenhuma novidade, traz à tona a reflexão acerca dos milhares universos paralelos existentes no futebol.

Conforme o exposto, apenas um jogador ganha mais que R$500 mil mensais. Suponho eu que este atleta seja Fred, já que o Fluminense, no início deste ano de 2016, esclareceu que passou a pagar ao dono da camisa 9 os valores de R$ 500 mil relacionados a direitos de imagem e R$ 300 mil de CLT.

O salário de Fred pouco importa. Devemos nos ater aos dados que mostram que mais de 82% dos atletas recebem pouco mais que um salário mínimo e também ao fato de que quase 14% dos atletas recebem até R$ 5 mil mensais.

A conclusão é óbvia: no Brasil, é praticamente impossível viver do futebol, esporte o qual tem se tornado, infelizmente, cada vez mais elitista. Basta observar o preço dos ingressos, o público que vai aos estádios e essa pirâmide invertida, na qual a maioria ganha muito menos do que a minoria.

Diante de tais dados, o glamour disseminado por propagandas e megaeventos é ofuscado por uma triste realidade que precisa ter em movimentos como o Bom Senso FC uma voz que possa externar para a grande massa a necessidade de o futebol brasileiro passar por mudanças estruturais profundas.

André Siqueira Cardoso
André Siqueira Cardoso
Sou André Siqueira Cardoso, tenho 21 anos. Aluno de jornalismo da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP), atualmente trabalho em VEJA, com a cobertura do noticiário político. Apaixonado por esportes, jogador de futebol até hoje, tenho o sonho de cobrir uma Copa do Mundo.

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