Sergio Henrique Francisco, mais conhecido como Serginho, é atacante e camisa 10 do Jorge Wilstermann, da Bolívia. Ele iniciou sua carreira no Linense. Em 2009 foi para Angola, onde atuou pelo Recreativo do Libolodepois retornou para o Brasil onde jogou nos clubes: Guaratinguetá, Mirassol, Red Bull Brasil, Arapongas, Boa Esporte, Brasiliense, Araxá, Mogi Mirim, Portuguesa, Botafogo-SP e XV de Piracicaba até receber oferta e se mudar para o Jorge Wilstermann, equipe que atua hoje. Ao lado de seus companheiros, Serginho está visando uma boa campanha tanto na Libertadores da América como no Campeonato Boliviano. 

Serginho concedeu uma entrevista exclusiva ao Futebol na Veia e fala como iniciou o seu interesse pelo futebol, o que esperar da Libertadores 2019 e do Campeonato Boliviano, e ainda cita alguns dos seus momentos mais marcantes vestindo a camisa do Aviador. 

O que te levou a seguir carreira no futebol? 

“Eu sempre joguei futebol desde cedo, acompanhando meus irmãos. Jogávamos muito futebol amador na cidade. Eu comecei acompanhando eles, e foi quando me despertou. Em um momento apareceu a oportunidade de fazer avaliações em algumas equipes e acabei indo. Depois não sai mais e quis seguir como carreira mesmo. E graças a Deus as coisas vem dando certo, e a gente vai colhendo os frutos que plantou lá trás.” 

Quais são as suas expectativas para a Libertadores desse ano? 

“Nós sabemos que esse ano a Libertadores está muito nivelada, tem equipes que estão surpreendendo nas primeiras rodadas. Também queremos surpreender e fazer uma boa campanha. Estamos em um grupo muito difícil, muito equilibrado, mas temos total condição de classificar. Então é isso o que a gente quer fazer, buscar a classificação, jogar bem tanto fora como dentro de casa e conquistar nosso objetivo.” 

Qual a diferença entre jogar no Brasil e na Bolívia? 

“A diferença é a altitude, que tem esse plus a mais na Bolívia, você tem que se adaptar rápido. Mas é um campeonato bom também, muito disputado. Não tem um time que domina todo ano, não são as mesmas equipes que sempre estão brigando pelo título. Desde que eu cheguei já foram dois campeões diferentes dentro da liga, então é um campeonato muito disputado.” 

Você já se acostumou a jogar com as complicadas altitudes ou ainda tem problemas com elas? 

“Pra gente que é brasileiro, que vem do nível do mar é sempre mais complicado, tendo a altitude. Porque no começo até assusta um pouco, porque não vem o ar, falta, a respiração fica ofegante. Consequentemente, no cérebro chega menos oxigênio, então você pra pensar já sofre um pouquinho. Mas a gente vai se adaptando, vai se adequando, vai sabendo que não pode desperdiçar fôlego, não pode correr errado pra sempre ter um gás a mais nos momentos de decisão. É isso o que a gente faz, mas já estamos bem adaptados, só tem que tomar cuidado porque altitude nunca é fácil estar jogando com ela.” 

Além de você, ainda tem Alex Silva e Lucas Gaúcho de brasileiros atuando pelo time. Como é o convívio de vocês com a equipe, o clube e a torcida? 

“Nós temos um bom convívio com todos aqui, sempre nos receberam muito bem. Jorge Wilstermann é um dos clubes que mais tiveram brasileiros na Bolívia, aqui jogou Jairzinho que foi campeão do mundo, jogou o Túlio Maravilha, então eles têm um carinho muito grande pelos brasileiros. Graças a Deus desde quando a gente chegou o time só tem crescido, temos jogado todo ano a Libertadores. Em um ano e meio que a gente está aqui conquistamos o título nacional. Também chegamos nas quartas de final da Libertadores em 2017. Então é um clube que gosta muito dos brasileiros, que quando vem pra cá se dão bem, por questão do clima, a altitude não afeta tanto apesar de chegar à uns 2.800m de altitude, mas os brasileiros se adaptam bem. Então procuramos fazer o nosso papel e representar bem o futebol brasileiro aqui.” 

Depois do empate de 0 a 0 com o Boca Juniors, como está a preparação de vocês para o confronto contra o Athletico-PR hoje (14) em solo brasileiro? 

“A gente sabe que jogar contra o Athletico é sempre difícil. A Libertadores é um jogo de detalhes, tem que ser um jogo de inteligência, temos que manter um bom nível de futebol. Contra o Boca fizemos uma grande partida, não sofrendo gols, jogando de igual pra igual. Tivemos as melhores oportunidades na partida para ganhar do Boca Juniors, que é o atual vice-campeão. A gente sabe que vai ser um jogo difícil, mas a gente veio preparado pra conseguir imprimir nosso ritmo de jogo, colocar nossa qualidade dentro da partida. A gente tem grande possibilidade de fazer um grande jogo.” 

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Por ser brasileiro e estar jogando no exterior, qual é a sensação de jogar contra um time do seu país? 

“A motivação é maior, jogar dentro do seu país, onde todos os seus amigos e a sua família vão estar assistindo e mais perto de você. É sempre bom e dá um plus a mais para fazer uma grande partida contra o Athletico.” 

Desde que chegou a equipe boliviana você vem se destacando: dá assistências e é o artilheiro do time. Como é isso para você? 

“Pra mim é sempre bom, porque você tá sempre em destaque, fazendo gol e dando assistência. A torcida tem um carinho muito grande com a gente, de toda a diretoria e comissão, os jogadores têm respeito e um apreço. Porque sabemos que quando um estrangeiro, principalmente, brasileiro, quando sai do seu país para jogar em outro lugar é muito cobrado, então procuramos nos dedicar muito, para manter um nível de futebol alto e decidir as partidas. Graças a Deus, nesse início de temporada tem acontecido, eu, o Lucas e o Alex temos feitos bons jogos, e isso que nos deixa feliz. Porque estamos em um bom momento e tenho certeza que vamos continuar mantendo isso para as próximas partidas.” 

Em 2018, Jorge Wilstermann foi campeão do torneio Apertura do futebol boliviano. Já esse ano, houve uma queda no rendimento de vocês e ocupam a quinta posição no campeonato, com 17 pontos. O que você acredita que levou a esse momento e como resolver essa situação? 

“Tem muita coisa, mudou a comissão técnica, mudou o jeito de trabalhar. O nosso time joga junto há uns dois anos já e quando vem uma nova metodologia é normal a equipe demorar um pouquinho pra se adaptar. Mas nas últimas rodadas, principalmente contra o Boca Juniors e o San José, que é o time que jogou contra o Flamengo, conseguimos uma vitória muito importante fora de casa dentro do torneio local por 3 x 0, o que não é fácil. Lá a altitude é 4.000m, muito mais alto da onde a gente joga. Foi um jogo muito difícil, mas conseguimos elevar o nosso nível de futebol, principalmente no torneio. Nós sabíamos que depois do primeiro jogo da Copa, o nosso time ia ganhar um pouco mais de confiança e ia jogar bem dentro da liga e foi isso o que aconteceu. Nossa equipe é muito diferente das demais na Bolívia, porque esses jogos de copa nós jogamos de uma maneira distinta, de uma maneira um pouco mais aguerrida,  mais ousada e era isso o que estava faltando pra gente na liga, agora é só manter.” 

Você considera que o time está mais focado na Libertadores do que no campeonato boliviano? 

“Não. Acho que a gente também tem uma pressão de ser campeão pra garantir já a vaga da Libertadores do próximo ano, então temos que conseguir o título logo no primeiro semestre. Coincidir as duas competições, temos o problema com o calendário também, que é muito apertado. Estamos jogando a cada três dias, o que não é uma coisa fácil. Sem contar as viagens que temos que fazer pela Libertadores. Estamos tentando conciliar as duas competições, é claro que a Libertadores tem uma concentração maior, um peso maior, onde todos os jogadores querem estar jogando, mas procuramos estar da melhor maneira nas duas competições. Às vezes é do momento mesmo que a equipe está passando que vai fazer a gente melhorar nossa posição na tabela da liga e conseguir nosso objetivo na Libertadores.” 

Você tem alguma inspiração pra estilo de jogo? Se sim, quem? 

“Inspiração, inspiração não. A gente tem um estilo de jogo, a minha marca mesmo é ser um jogador que joga pelas pontas e que ajuda muito na marcação, que chega com qualidade na frente. O que me ajudou muito a me destacar nos clubes que eu passei. Aqui na Bolívia tem dado certo, estou aqui há um ano, sou um jogador que mais dá assistências, e apesar de não jogar como atacante tenho feito bastante gols aqui. Então essa é uma característica de um jogador aguerrido, um jogador que luta por todas as jogadas, que tem que ser incisivo quando estão atacando.” 

Qual foi o momento mais marcante com a camisa do Jorge Wilstermann? 

“Não teve um, teve vários. Desde quando eu cheguei, foi a primeira vez que um time boliviano eliminou uma equipe brasileira, que foi o Atlético – MG nas oitavas de final da Libertadores, esse momento foi muito marcante. Teve também quando a gente ganhou do River Plate nas quartas de final por 3 x 0. A nossa equipe foi a única equipe que conseguiu fazer 3 x 0 em cima do River nos últimos tempos. O título do Boliviano que a gente ganhou em cima do The Strongest, que foi numa série de três jogos, no qual eu fui o artilheiro dos três jogos finais fazendo três gols. Então esses três momentos foram bem marcantes para mim aqui dentro do Jorge Wilstermann e tenho certeza que muitas coisas ainda estão por vir e espero viver muitas alegrias aqui ainda.” 

Logo mais, o  enfrenta o Athletico-PR às 21h (horário de Brasília), na Arena da Baixada pela 2ª rodada da fase de grupos da Libertadores 2019.

Juliana Gandard
Juliana Gandard é estudante de jornalismo e escritora. Descobriu no futebol uma nova paixão. Ama um desafio e quer conhecer o mundo. Através das palavras tenta ajudar as pessoas e mostrar que mesmo quando as coisas não estão fáceis, sempre há esperança.

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