Seleção da Holanda: revolução na base feminina

- Trabalho em longo prazo tornou a Holanda em uma das grandes potências mundiais do futebol feminino
Holanda

De clubes femininos renegados pela federação à participações de destaque na Copa. A seleção da Holanda cresceu muito e desenvolveu-se a partir de um trabalho com os times de base, dando espaço às mulheres e encontrando soluções para driblar o preconceito e tornar as leoas uma das grandes potencias mundiais no futebol feminino.

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O começo de tudo

O primeiro clube de futebol feminino surgiu na Holanda em 1924. No entanto, a confederação do país determinou sua exclusão, já que mantinha o pensamento de que as mulheres deveriam manter o papel de donas de casa. A presença das mulheres nos esportes foi ignorada por muito tempo e apenas em 1955 algumas equipes femininas conseguiram organizar uma liga, porém tudo acontecia sem o reconhecimento da entidade reguladora que, só admitiu o futebol feminino no país em 1971. A luta manteve-se contínua, mas as jovens ainda precisavam brigar por estruturas e espaços que ainda não conseguiam ocupar.

Luta por espaços

O Jeugdplan Nederland (Plano de Base para a Holanda) que, tinha o objetivo de desenvolver o futebol feminino na Holanda, foi pensado para funcionar em longo prazo, por isso, foi iniciado em 2004 e conseguiu gerar bons frutos ao longo de sua existência. A ideia inicial era promover uma iniciação ao futebol de forma mista, incluindo meninos e meninas nas equipes.

Dessa forma, os clubes começaram a disponibilizar estrutura para que até a adolescência todos pudessem participar e se iniciarem-se no universo do futebol. Anteriormente, os campeonatos eram exclusivamente masculinos e as meninas não tinham onde atuar. Depois da mudança, os nomes dos campeonatos também mudaram, assim deixaram de ser rotulados como masculinos ou femininos, passaram a se chamar “torneios de base”.

Seleção da Holanda (Foto: Reprodução/Getty)

Os avanços foram muito grandes e novos talentos começaram a surgir. No entanto, com o problema da base resolvido, o desafio se tornou outro. Após encerrarem os trabalhos na base, os meninos podiam ir para ligas profissionais bem estruturadas, as meninas, no entanto, não tinham essa oportunidade. Assim, acabam regredindo, já que os poucos clubes femininos não eram profissionais e não conseguiam fornecer as estruturas adequadas de treino. 

Solução

Em 2007, decidiu-se que uma liga feminina seria vinculada aos clubes masculinos. Os principais times da Holanda investiram em futebol feminino e, as mulheres passaram a ter ótimas estruturas e chances de jogar. Os resultados apareceram e o números de jogadoras registradas aumentou bastante. Até 2006, o número não passava de 88 mil, já em 2017 chegou em 162 mil, sendo 65 mil adultas e 97 mil na base. Além disso, com o surgimento dos talentos, as  jogadoras holandesas começaram a ter também projeção internacional, porque despertaram interesse de clubes femininos mais tradicionais da Europa, como Barcelona, Lyon, Arsenal e Frankfurt. 

Holanda
Seleção Feminina da Holanda vence a Eurocopa em 2017 (Foto: Reprodução/Getty Images)

A mega estrutura alavancou também a seleção holandesa que, reforçou sua força com o título da Eurocopa em 2017, mesmo sem ser a preferida para vencer o torneio. Vale reforçar que, nessa época os investimentos financeiros foram de extrema importância, já que a Holanda só não ultrapassava a Inglaterra nos números investidos (R$ 67,8 milhões das inglesas, contra R$ 19,6 milhões das holandesas). 

Fatores Essenciais

Após o título, toda Amsterdã coloriu e fez festa pela vitória. O sucesso veio também pelo investimento na imagem com o apoio de ex-atletas campeões olímpicos. Mike Booiji, ex-jogadora de hóquei sobre a grama tornou-se a gerente de futebol, já o gerente de desempenho e inovação, Peter Blangé, é ex-campeão de vôlei. Além disso, a Universidade de Leiden também foi essencial, porque atuou no abastecimento de dados analíticos e estatísticos para a comissão técnica de Sarina Wiegman. 

Lieke Martens eleita a melhor jogadora do mundo, ao lado de Cristiano Ronaldo, em 2017 (Foto: Reprodução/GE)

Outro ponto de destaque para a Holanda foi o fato de Lieke Martens ter sido eleita a melhor jogadora do mundo pela Fifa, em 2017. Em um de suas declarações sobre o futebol feminino no país a jogadora afirma a importância da visibilidade do esporte e o quanto isso afeta na representatividade: “Agora, toda menina sabe que a Holanda tem uma seleção feminina. Sentimos que somos heroínas para elas. Eu costumava dizer: ‘eu quero ser como o Ronaldinho Gaúcho’. Agora, elas estão dizendo: ‘quero ser como Miedema, Van de Donk, Martens’. E isso que é realmente legal”.

Destaque na Copa

Chegando na final da Copa da França comandada por uma mulher, Sarina Wiegman, a Holanda reforça o quanto é importante que as mulheres ocupem os espaços. A técnica participou como jogadora da edição experimental da Copa Feminina, 1988. Em seu histórico soma vitórias pelo Campeonato Holandês e Copa da Holanda, além de de ser assistente do técnico da seleção de 2014. Seu brilho foi tanto que logo após ser licenciada pela UEFA, levou a seleção até o título da Euro e foi consagrada treinadora do ano, o que lhe permitiu também construir um trabalho em longo prazo, para que o destaque chegasse na tão esperada Copa de 2019.

As holandesas não venceram a Copa, no entanto, chegaram à final, jogaram de igual para igual e deixaram um grande legado para o país. Sua qualidade técnica e habilidades das jogadoras foram sendo mostradas a cada fase, quando foram eliminando os outros países e, um a um pôde ganhar grande destaque. 

Holanda na Copa da França, em 2019 (Foto: Reprodução/EBC)

As jogadoras são fortes concorrentes para os próximos mundiais e mostraram para o mundo o poder de investir desde cedo, para construir times fortes e formar jogadoras altamente qualificadas. 

Foto Destaque: Reprodução/GaúchaZH

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Emanuelly Cardoso
Emanuelly Cardoso
Emanuelly Cardoso, 18 anos. Estudante de jornalismo, apaixonada pelo mundo da comunicação. Gosto de levar a vida com alegria e leveza. Sempre tive interesse por esportes, cultura e questões sociais. O futebol foi o tema que meu coração escolheu para falar sobre meus interesses e dar voz ao que me conecta com o universo.

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