A seleção certa por linhas tortas

Os últimos acontecimentos que envolveram a Seleção Brasileira nos últimos tempos são uma prova de que verdadeiramente há males que vêm para o bem. O desastroso 7X1 contra a Alemanha, no Mineirão, na última Copa do Mundo, foi uma fatalidade que ainda dói no âmago do torcedor brasileiro, mas que serviu para dar um choque de realidade em todos os envolvidos com o futebol nacional, sinalizando que as coisas não estavam exatamente boas como acreditava-se.

No entanto, em vez de decifrar os sinais que indicavam mudanças emergenciais, a CBF escolheu medidas repetidas, como chamar Dunga para assumir mais uma vez a equipe, tornando a acreditar que a capacidade de liderança do Capitão do Tetra fosse colocar o time nos eixos. O que, como todos já sabem, não funcionou – de novo! –, afinal, em seu retorno, o técnico voltou a ter um aproveitamento negativo como na última vez que esteve no cargo, de 2006 a 2010.

E, como a goleada Alemã na Copa de 2014 não foi o suficiente para abrir os olhos da confederação, a Seleção precisou sofrer mais um forte baque, desta vez a eliminação precoce na Copa América Centenária, em um grupo que contava com Peru, Equador e Haiti – chave na qual ficamos em terceiro, na frente, inacreditavelmente, apenas dos haitianos.

Após mais essa desastrosa campanha, não demorou para ecoar outra vez o nome de Tite pelos corredores da CBF, ultrapassando todas as barreiras políticas até chegar aos ouvidos do presidente Marco Polo Del Nero, que teve que engolir a seco a indicação do até então técnico do Corinthians, cuja assinatura estava entre as grafadas na lista de pedido de renúncia do dirigente por estar envolvido em casos graves de corrupção.

Adenor Leonardo Bacchi, o Tite, chega à seleção como salvador, que irá corrigir todas as mazelas feitas nos gramados ao longo dos últimos anos. Talvez por isso homens como Del Nero aceitem sem muita resistência alguém fora de seu cerco de controle, já que alguém com a credibilidade e popularidade de Tite pode tirar o foco da entidade que preside, sempre tão mal falada, sobretudo ultimamente.

Mas, deixando as questões internas de lado – as quais, aliás, estarão nas mãos de Edu Gaspar, agora ex-gerente de futebol do Corinthians e novo coordenador técnico da Seleção –, a principal missão de Tite é na verdade melhorar taticamente o grupo brasileiro, algo de extrema importância em dias de tamanha carência técnica.

A competência de Tite em formar equipes fortes e organizadas o credenciaram para a difícil tarefa de enquadrar o time do Brasil dentro dos padrões do futebol moderno, caracterizado pela aplicação tática e solidez. E tudo indica que a melhor forma de conquistar isso é através da eficiente e famosa “Titebilidade”, que trouxe tantas glórias ao time corintiano nos últimos tempos.

Após passar por tantos caminhos tortuoso, a Seleção vê em Tite a chance de tomar o rumo certo, desta vez de forma efetiva. E se todos os males não foram capazes de acarretar mudanças aos setores do futebol brasileiro que mais precisam mudar, pelo menos dentro das quatro linhas o caminho pode ser traçado na direção correta.

Renan Amaral

Sobre Renan Amaral

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Apaixonado por esporte, Renan Amaral percebeu que tinha o futebol na veia quando foi a um estádio pela primeira vez. Anos depois, descobriu no jornalismo a oportunidade de estar envolvido de alguma forma com esportes, principalmente com o futebol, sua velha paixão, que nasceu quando ainda era um moleque que esticava o pescoço para ver melhor os jogos da arquibancada.

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