Seis seleções que já disputaram a Copa e você (provavelmente) não sabia

Faltam pouco menos de sete meses para o início da Copa do Mundo da Rússia. As 32 seleções já foram definidas, e o sorteio dos grupos ocorrerá nesta sexta-feira (01), em Moscou. Para a 20ª edição do torneio, tivemos algumas surpresas entre os classificados: Holanda e Itália estão de fora (a última vez que a Azzurra não havia conquistado a vaga foi em 1958); Marrocos, Tunísia e Peru voltam a disputar a competição após décadas; e Islândia e Panamá farão suas estreias na Copa.

Todo ano seleções com pouca expressão no futebol mundial (consideradas “zebras”) participam do campeonato. Sendo assim, confira seis delas que já disputaram uma Copa do Mundo e você provavelmente não sabia:

Cuba

A primeira e única participação de Cuba em uma Copa foi em 1938. A classificação para o torneio veio de forma impensável nos dias atuais: Colômbia e El Salvador desistiram da vaga, e na fase seguinte Costa Rica e Guiana Holandesa (atual Suriname) fizeram o mesmo. Na primeira fase da competição, Cuba empatou por 3×3 com a Romênia. Na partida de desempate, a equipe da América Central venceu por 2×1. Entretanto, os cubanos não tiveram tanta sorte nas quartas de final. A Suécia, que terminou a Copa na 4ª posição, aplicou uma goleada de 8×0.

Índias Orientais Holandesas (atual Indonésia)

Outra seleção que teve sua primeira e única participação na Copa de 1938. Também foi a primeira a representar o continente asiático. A classificação das Índias Orientais Holandesas veio de forma semelhante a Cuba: o país ia disputar uma eliminatória com o Japão, mas este retirou sua participação devido a uma guerra contra a China. Com a situação, o adversário seria os Estados Unidos, mas os norte-americanos não quiseram jogar. Logo na estreia da Copa, as Índias Orientais Holandesas foram eliminadas ao sofrerem uma goleada de 6×0 diante da Hungria, que foi vice-campeã perdendo para a Itália.

Israel

O tricampeonato do Brasil marcou também a primeira e única participação de Israel em uma Copa. Superando Nova Zelândia e Austrália, o país chegou a 1970 e se juntou a Itália, Suécia e Uruguai na fase de grupos. Mesmo terminando em último no grupo, Israel teve uma boa participação, perdendo por 2×0 para o Uruguai e empatando por 0x0 contra a Itália e 1×1 diante da Suécia.

Zaire (atual República Democrática do Congo)

A República Democrática do Congo foi denominada como Zaire entre 1971 e 1997. O país superou Togo, Camarões, Gana, Zâmbia e Marrocos, vencendo a Copa Africana de Nações e se tornando a primeira nação da África Subsaariana a disputar uma Copa, em 1974, formando grupo com Escócia, Iugoslávia e Brasil. Entretanto, a participação no torneio mundial foi extremamente conturbada.

O presidente do Zaire na época era Joseph Mobutu. O político era um verdadeiro fã de esportes, tendo trazido a famosa “Luta do Século” entre Mohammad Ali e George Foreman ao país no mesmo ano de 1974. O presidente havia prometido prêmios como carros, casas e férias no exterior para os jogadores caso eles conseguissem a vaga para a Copa, sendo que poucos atletas foram recompensados. A dupla de ataque do Zaire foi fundamental para a classificação da equipe: Adelard Mayanga, apelidado de “o brasileiro” por sua qualidade, e Mulamba Ndaye. Na estreia da competição, o país teve uma boa atuação, mas acabou derrotado por 2×0 para a Escócia. Após o jogo, o elenco recebeu a notícia de que não seria pago, e furiosos, os jogadores ameaçaram entrar em greve. Mesmo com as divergências, os jogadores enfrentaram a Iugoslávia, sendo goleados por 9×0. Porém, um dos fatores que contribuiu para o placar elásticos foram as substituições do técnico Blagoje Vidinic: sem aparente motivo, o treinador tirou “o brasileiro” e o goleiro titular. Uma teoria que surgiu na época foi que Vidnic, nascido na Iugoslávia, havia feito as alterações para favorecer seu país natal. Outra foi que o treinador foi obrigado a colocar os reservas, que eram amigos de governantes do Zaire. O “massacre” não foi bem visto pelo presidente Mobutu, que ameaçou os jogadores de morte caso fossem goleados pelo Brasil.

Perdendo por 3×0 para a seleção canarinha, aos 40 minutos do segundo tempo, Rivellino e Jairzinho discutiam sobre quem bateria uma falta perigosa. O perigo de gol era eminente. O desespero frente ao risco de morte levou Mwepu Llunga a protagonizar um dos lances mais emblemáticos da história da Copa do Mundo: o zagueiro deixou a barreira e chutou a bola para longe. O momento repercute até os dias de hoje, levando pessoas a risada, alegando que “ele não compreendia plenamente as regras do futebol”, sem saberem o porquê do jogador. (Confira o lance abaixo)

Nada prometido foi pago aos atletas, e o governo parou de financiar a equipe logo após a Copa. O Zaire nunca mais voltou ao torneio. Os jogadores foram impedidos de atuarem no exterior, e a maioria passou o resto de suas vidas na pobreza.

Haiti

A Alemanha recepcionou a primeira e única participação do Haiti na Copa de 1974. A seleção da América Central se classificou após ser a melhor em um hexagonal contra Trindade e Tobago, México, Honduras, Guatemala e Antilhas Holandesas. Entretanto, o Haiti não teve êxito na Copa. Na fase de grupos, o país perdeu a três partidas: 3×1 para a Itália, 7×0 para a Polônia e 4×1 para a Argentina.

Kuwait

Comandado por Carlos Alberto Parreira, o Kuwait fez sua primeira e única participação na Copa de 1982. A equipe superou Coreia do Sul, Malásia, Tailândia, Nova Zelândia, China e Arábia Saudita nas eliminatórias. Fase de grupos, o país empatou com a Tchecoslováquia por 1×1, perdeu para a Inglaterra por 1×0 e, em uma partida curiosa para a Copa até hoje, perdeu por 4×1 para a França.

Quando o jogo contra os franceses estava 3×1, Alain Giresse recebeu na área e fuzilou para o gol, marcando para a seleção de Platini. Entretanto, um apito vindo das arquibancadas, no momento que o adversário recebeu o passe, fez com que os jogadores do Kuwait parassem na jogada. Uma grande discussão com a arbitragem começou, e o jogo ficou paralisado por mais de 10 minutos. Neste meio tempo, Fahd Al-Ahmed Al-Jaber Al-Sababe, príncipe do Kuwait e então presidente da federação de futebol local, entrou no campo e discutiu com o árbitro ucrâniano Miroslav Stupar alegando o suposto apito, e ainda orientou seus atletas a não voltarem ao jogo. O juiz acabou cedendo à pressão, e apontou uma bola ao chão para retomar a partida. Porém, Maxime Bossis, a poucos minutos do fim do confronto, fechou o placar em 4×1, desta vez sem nenhuma contestação.

Posteriormente FIFA puniu o príncipe e o árbitro pelo episódio.

Guilherme Papa
Guilherme Papa é estudante, de 21 anos, da turma do 5º semestre de Jornalismo da Universidade Metodista de São Paulo. Completamente louco por futebol, tem como objetivo transmitir informações do mundo da bola da melhor maneira possível.