O retorno de Luiz Felipe Scolari ao cargo de técnico do Grêmio provocou uma mudança no clube. Enfim o Imortal conseguiu reagir no Campeonato Brasileiro, após vencer o Fluminense (0 x 1) no Maracanã. Contudo, na terça-feira passada (20) a equipe foi eliminada na Copa Sul-Americana – competição em que era favorita. A virada em casa para a LDU mostra que Felipão tem um longo e árduo trabalho pela frente. Em síntese, a nossa ideia inicial é entender o que mudou no Grêmio para projetar o que pode acontecer de agora em diante.

O retorno de Felipão ao Grêmio

Pressionado por uma sequência negativa de desempenho e resultados, Tiago Nunes recebeu um ultimato após o antológico jogo contra o Juventude na noite gelada da Serra Gaúcha. Não resistiu a uma nova derrota – dessa vez para o Atlético-GO – e foi dispensado. A diretoria decidiu atender ao apelo de grande parte da torcida e trouxe o veterano Luiz Felipe Scolari para assumir o comando técnico. Seu perfil corresponde às exigências dos dirigentes gremistas: firme, experiente e identificado com o clube. Esta é a quarta passagem de Felipão no Grêmio.

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Fonte: Antônio Gaudério / Folhapress

A filosofia de jogo do Scolarismo

A rigor, o esquema adotado por Felipão é o mesmo que já vinha sendo utilizado: 4-2-3-1. Na verdade, é um time que costuma variar suas linhas. Geralmente o time do Grêmio se defende no 6-3-1 e ataca no 4-2-4. A ideia é criar superioridade numérica. Os volantes descem quando precisa fechar a casinha e o volume de jogo cresce quando o armador joga perto do centroavante. Por outro lado, os cruzamentos também são importantes. Seja dos laterais ou alas. O estilo exige uma partida física e muito empenho tático. Afinal, o time fica atrás e aposta no contra-ataque.

Nó Táctico: Esclarecendo o 4-2-3-1

Fonte: Nó Táctico

A recuperação emocional do Grêmio

Visto como um pai pelos seus atletas, Felipão não considera que o momento é de caça às bruxas. Pelo contrário, sua intenção é acolher um time que ficou órfão desde a saída de Renato Gaúcho. A parte psicológica é ressaltada como um aspecto fundamental na luta contra o rebaixamento. O Grêmio precisa parar de perder para poder começar a ganhar. Quando um gigante atola na zona não está acostumado a esse tipo de situação. Às vezes, é necessário jogar como time pequeno e baixar as linhas. Enfim, primeiro a cautela defensiva. Posteriormente, a construção ofensiva.

Torcida do Grêmio faz campanha pelo retorno de Felipão após nova derrota de Tiago Nunes | Bolavip Brasil

Fonte: Divulgação / Lucas Uebel – Grêmio FBPA

O que esperar do Grêmio doravante?

Antes de mais nada, um time bastante intenso na marcação individual. O Grêmio tem de ser pragmático acima de tudo. Vencer sem necessariamente convencer. Em contrapartida, o primeiro passo já foi dado. Afinal, o Tricolor Gaúcho saiu da lanterna. Agora tem de reunir forças para seguir com sua reabilitação no Campeonato Brasileiro. No passado, Felipão deu muito ao Grêmio com esse estilo valente de um time que não se entrega. O “scolarismo” até salvou o Cruzeiro ano passado. É capaz de salvar o Imortal? Viver para ver.

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Fonte: Divulgação / Lucas Uebel – Grêmio FBPA

Foto destaque: Divulgação / Lucas Uebel – Grêmio FBPA

André Filipe
Apaixonado pela dimensão histórica do futebol e pela ciência da bola. Gremista desde a Batalha dos Aflitos para o que der e vier. Sinto na escrita o calor latente das minhas paixões profissionais. Historiador, jornalista esportivo e jogador de pôquer nas horas vagas.