Santástico: o raio cai pela 3ª vez na Vila / Santástico: o raio cai pela 3ª vez na Vila

De acordo com um ditado popular brasileiro, um raio não cai duas vezes no mesmo lugar. Porém, isso não se aplica ao Santos Futebol Clube, na Vila Belmiro, que tiveram duas gerações de ouros. Em primeiro lugar, a era Pelé, o maior jogador da história, fez o time da Baixada um dos melhores, senão o melhor esquadrão mundial no final da década de 50. Em segundo lugar, já no novo milênio, outro raio. Robinho e Diego renderam dois campeonatos brasileiros ao Peixe.

E nessa semana, abordaremos o terceiro raio que caiu na vila, a geração que marcou época no início da década, essa que revelou revelar Neymar. Grande astro do time e há anos maior jogador brasileiro em atividade. Além dos coadjuvantes da base PH Ganso, Wesley, André, além das presenças de veteranos da segunda safra de ouro do Peixe, como Robinho, Elano, Léo.

Em suma, esse Santos tinha todos ingredientes para um ótimo time, contava com um Neymar magricelo com uma técnica única. Robinho que retornou para ajudar na reconstrução do clube. Ganso no ápice de genialidade, além da defesa de respeito com Durval e Edu Dracena e dos rápidos laterais Pará e Alex Sandro. Além de Rafael fechando o gol, Arouca e Wesley estavam na contenção desse time ofensivo. Por fim, o retorno dos experientes Léo e Elano, esse rendendo muito ao lado dos meninos da vila.

2010: 3ª Geração dos Meninos da Vila + Robinho = 180 gols na temporada

Em 2010, Santos passou por uma reformulação na direção. Com a troca do presidente, chegaram Robinho, em empréstimo junto ao Manchester City, além dos volantes Wesley e Arouca e o goleiro Rafael. Estes, se juntando, assim, as promessas da base santista: Ganso, André e Neymar, o último com 17 anos e com rótulo de maior promessa desde o próprio Robinho.

O escolhido para comandar a garotada foi Dorival Júnior, que soube exatamente extrair ao máximo a ofensividade e velocidade que seu elenco lhe oferecia. O quarteto Robinho, André, Ganso e Neymar eram leves, rápidos e com muito apetite por gols e, portanto, usaram o Campeonato Paulista para aprimorar o entrosamento e aplicar goleadas assustadoras que raramente víamos em território nacional.

André, Neymar, Ganso e Robinho – 2010 – Santos FC

As goleadas humilhantes

Surpreendendo a todos, Santos passou o carro em todos times no Paulistão de 2010, marcando incríveis 61 gols em 19 jogos da primeira fase, incluindo um sonoro 9 x 0 no Ituano. Consequentemente, no mata mata não tomou conhecimento dos rivais passou fácil pelo freguês da época São Paulo nas semifinais. Em meio as fases finais do Campeonato Paulista, o Peixe iniciava sua caminhada pelo então inédito título da Copa do Brasil. Da mesma forma, aplicou goleadas humilhantes e que comprovavam que esse time marcaria época.

Na volta da primeira fase, em seus domínios, goleou por 10 x 0 o modesto Naviraiense, do Mato Grosso do Sul. Na segunda fase, 4 x 0 sobre o Remo no Mangueirão. Posteriormente, na terceira fase, no aniversário de 98 anos do clube, um sonoro 8 x 1 sobre o Guarani, com cinco gols de Neymar. Ou seja, era a terceira goleada por mais de sete gols em menos de quatro meses. Portanto, todo Brasil passava a olhar para esse Santos, que, por onde passava, encantava, além de chamar atenção com as danças e alegria na comemorações.

A conquista do Campeonato Paulista

Na final do Paulistão, um surpreendente e ofensivo Santo André, que vendeu caro o título. No primeiro jogo, um 3 x 2 de virada no segundo tempo. Além disso, em meio as finais do Paulista, o Peixe perdeu em meio da semana também por 3 x 2 para o Atlético Mineiro, com hat-trick de Diego Tardelli, em jogo válido pela ida das quartas de finais da Copa do Brasil.

No jogo da volta do Paulistão, mais um jogaço inesquecível, com direito a duas viradas, três expulsões e cinco gols apenas no primeiro tempo. Como resultado, apesar da derrota por 3 x 2, o Santos foi campeão devido a melhor campanha geral até a final. Porém, Ganso chamou atenção ao bater no peito e não aceitar ser substituído, mostrando muita personalidade e humilhando os defensores do time do ABC ganhando tempo precioso para ajudar o time a conquistar o Campeonato com apenas oito jogadores em campo.

“Foi uma atitude de homem. Ele(Ganso) era o único que botava o pé em cima da bola, que fazia o time segurar o jogo. Essa é a postura é a postura de alguém que foi importantíssimo para o título”, disse Doríval Júnior, em entrevista à Folha de São Paulo.

Nessa conquista, o Peixe marcou 72 gols em 23 jogos, média de 3,13 gols por jogo, e melhor ataque desde o fantástico Palmeiras de 1996. Em suma, o time da Baixada teve os três melhores marcadores. Neymar foi artilheiro com 14 gols, seguido de André, com 13, e Ganso, com 11, evidenciando a dominância e o alto nível de atuação do Santos.

A inédita Copa do Brasil

O time da Baixada nem teve tempo para festejar. Apenas três dias depois, teria o confronto de volta contra o Galo Mineiro, na Vila Belmiro. Jogando em casa, a equipe alvinegra seguiu embalo do título e venceu por 3 x 1, chegando, assim, nas semifinais do inédito torneio. Como de praxe, o time continuou marcando muito gols, venceu os dois jogos contra o Grêmio, primeiramente, 4 x 3 em Porto Alegre e na Vila, 3 x 1. Após esses jogos, o time entrou de férias devido a Copa do Mundo.

O Brasil inteiro criou expectativas para o até então treinador do Brasil, Dunga, convocasse os meninos da vila. Ganso na época era mais visado que Neymar para uma possível vaga nos 23 convocados. Em suma, o comandante brasileiro não convocou Neymar e Ganso, e o Brasil foi aquém das expectativas, sendo eliminado nas quartas de finais pela Holanda de Sneijder e Robben.

Em julho, o Santos enfrentou o Vitória, no primeiro jogo, na Vila Belmiro. O Peixe venceu sem sustos por 2 x 0. Posteriormente, na volta, uma derrota por 2 x 1, porém, assim como foi no Paulistão, o time alvinegro sagrou-se campeão apesar da derrota. Além disso, o Peixe teve o melhor ataque da história da Copa do Brasil, com 39 gols em apenas 11 jogos, média de 3,5 gols por jogo. Em conclusão, a conquista do torneio classificaria o time a Libertadores do ano seguinte.

Como jogava o Santos de 2010?

Santos 2010 – Imortais do Futebol

O time do Santos de 2010 tinha por característica um time ofensivo, com constantes subidas dos laterais, culminando sempre em superioridade numérica com a posse de bola, além da constante chegada de Wesley a frente como elemento surpresa. Por outro lado, era um time exposto, visto que apenas Arouca ficava com os dois zagueiros sem a posse a bola, justificando, assim, fazer muitos gols, porém sempre tomar também. A curiosidade mais inusitada é que esse time marcou 180 gols totalizando todas partidas

Final de 2010: Debandada e preparação para Libertadores

Após a conquista nacional, o Santos teve que lidar com uma série de saídas do promissor elenco. Robinho voltou ao Manchester City, André foi para o Dynamo de Kiev, e Wesley foi para o Werber Bremen. Além disso, Ganso sofreu uma grave lesão. Enquanto isso, Neymar quase saiu, sendo necessário até interferência de Pelé para o fico do jovem astro.

O rendimento no Campeonato Brasileiro foi abaixo das expectativas, devido às saídas e também por um desentendimento entre Neymar e Dorival Júnior, que culminou na saída do treinador. Portanto, com um desempenho mediano no Brasileirão, o time da Baixada iniciou o planejamento para a disputa da próxima temporada. Em suma, trouxe o lateral Danilo e o ídolo Elano, repatriado do Galatasaray.

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No início de 2011 ocorreram trocas de treinador durante o Campeonato Paulista e Libertadores. Sendo assim, Muricy Ramalho chegou e logo de cara deu sua cara ao time santista nas fases finais do Paulistão e jogos decisivos da fase de grupos do torneio continental. Como resultado, o time perdeu um pouco o ímpeto ofensivo, porém melhorou muito defensivamente.

Na fase final do Paulista, o Peixe bateu a Ponte Preta por 1 x 0 nas quartas. Posteriormente, bateu novamente o São Paulo por 2 x 0. Já na final bateu o rival Corinthians após vencer por 2 x 1 com gol decisivo de Neymar. Estava vingada a final de 2009 entre os dois times, novamente tendo o melhor ataque da competição, OU SEJA, quarenta gols.

2011: A cereja do bolo – Taça Libertadores da América

Já na Libertadores, o time sofreu para passar da fase de grupos. Porém, com três vitórias nos últimos três jogos, passou em 2º lugar, com 11 pontos conquistados. No mata mata, o time passou a economizar nos gols e apostou no poder defensivo, característica marcante nos trabalhos de Muricy Ramalho.

Após 1 x 0 na Vila Belmiro, o clube alvinegro segurou o empate no México com o América. Depois disso, venceu o Once Caldas, por 2 x 1, na Colômbia, e empatou em 1 x 1 no Brasil. Posteriormente, enfrentaria o 1º colocado de seu grupo, o paraguaio Cerro Porteño. Na ida, aqui na Vila, 1 x 0, em gol de cabeça de Edu Dracena. Enquanto na volta, um eletrizante 3 x 3 que faria o Santos voltar à uma final de Libertadores.

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O adversário da final seria o Peñarol, refazendo a final de 1962. Na ida, um 0 x 0 pegado. Na volta, Pacaembu lotado, um primeiro tempo equilibrado. Porém, no início da segunda etapa, no primeiro minuto de jogo, o destino. Neymar, de bate-pronto, abria o placar. Aos 23′ do segundo tempo, Danilo abriu 2 x 0. Então, o clube uruguaio ainda diminuiria aos 34 minutos, porém nada tiraria o tricampeonato da América do Santos. Em suma, a terceira geração dos Meninos da Vila entrariam eternamente para história do clube.

Esses dois anos foram o elixir de Neymar, símbolo maior da terceira geração de ouro da Vila e disparado o melhor jogador brasileiro desde então em atuação. A facilidade em se desvencilhar dos marcadores, além dos ótimos companheiros de time, colaboraram para as atuações magistrais que o Santos nos presenteou no início da década.

Como jogava o Santos de 2011?

Santos 2011 – Libertadores – Imortais do Futebol

O time do Santos de 2011 campeão paulista e da Libertadores tinha uma vocação menos ofensiva, maior no controle da posse de bola e defensiva sem a bola, recompondo rapidamente após a perca da posse de tal. O time continuava contando com o apoio incessante dos laterais, porém, agora, teria Adriano na retaguarda, além de Arouca e Elano, que sempre retornavam e equilibravam a linha defensiva quando algum dos laterais subiam para o ataque.

2011: Mundial de Clubes

O confronto era o mais esperado desde a criação do Mundial de Clubes no formato atual, o Santos, de Neymar, contra o e Messi. Porém, quando a bola rolou, a superioridade do time catalão foi suprema. Santos teve poucas chances, enquanto o Barcelona aplicou 4 x 0, dominando completamente o jogo. Neymar acabaria com a bola de bronze da competição e uma lição para aquele que foi um dos melhores times da história do futebol.

2012: Tricampeonato Paulista e sonho do Tetracampeonato Continental interrompido

Após a ressaca do Mundial e com a manutenção de Muricy Ramalho e Neymar, o Santos levou sem sustos o terceiro campeonato paulista consecutivo para a Vila Belmiro, algo superado apenas pelo Santos de Pelé no século passado. Portanto, o time teve a melhor campanha da primeira fase e melhor ataque novamente. No mata mata superou o MogiMirim por 2 x 0 nas quartas de finais. Nas semifinais bateu novamente o freguês São Paulo. Na decisão humilhou o Guarani com duas goleadas. A primeira por 3 x 0 e a segunda por 4 x 2, mostrando aos rivais que quem mandava no estado era o Peixe.

Em meio ao Paulistão, o clube alvinegro mandava bem na Libertadores, aplicando goleadas e criando expectativas de um possível bicampeonato seguido e um quarto título na história do clube. Após sofrer e passar nos pênaltis contra o Vélez, enfrentou o perigoso , de Tite. Ou seja, o jogo era visto como uma final antecipada por todos. Na ida, na Vila Belmiro, Emerson Sheik fez o único gol do jogo, enquanto, na volta, no Pacaembu, o Corinthians conseguiu segurar um empate em 1 x 1, dando fim ao sonho do tetra santista.

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2012: Última taça e adeus de Neymar no ano seguinte

Assim, depois da eliminação para o rival, o Santos decepcionou novamente no Campeonato Brasileiro, muito por ter que ceder Neymar às convocações da seleção brasileira. Mesmo assim, teriam uma chance única de conquistar mais um troféu: a Recopa Sul-Americana. Portanto, o adversário era a Universidad de Chile, e foi sem dificuldades para o clube alvinegro. Empate em 0 x 0 no Chile e vitória em casa por 2 x 0.

Este seria o último troféu que Neymar conquistaria no Santos. Isso porque no ano seguinte rumaria para o Barcelona em negociação polêmica e ainda perderia a chance de conquistar o inédito tetracampeonato paulista perdendo novamente para o Corinthians de Tite.

Assim, depois da saída de Neymar, o treinador Muricy Ramalho também deixou a equipe. Porém a torcida santista não tem do que reclamar. Esse time encantou com ingredientes que raramente vemos em clubes brasileiros: um craque fora de série, um bom e renomado treinador, além das boas peças entorno de ambos. Dessa maneira, foram inúmeras goleadas, recordes de gols, consecutivos melhores ataques, entre outras coisas.

E não poderia ser diferente, tinha que ser no Santos. O clube que foi abençoado com a geração de Pelé, Robinho e agora Neymar. Sorte do clube praiano, azar dos rivais!

Foto Reprodução: Reprodução/Santos FC

Mario Burato
Sou o Mario Burato, desde a infância sonho com o jornalismo esportivo, sou graduando em Ciências do Esporte na Unicamp, indo de encontro com minha paixão por futebol, basquete, todo esporte em si! Fiz alguns cursos extra-curriculares de jornalismo esportivo e amo escrever, assistir, comentar, qualquer que seja o esporte que esteja ocorrendo! Pretendo adicionar meus conhecimentos na área de ciências do esporte com jornalismo esportivo!

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