FC St. Pauli v Hamburger SV - Second Bundesliga

Fundado em 1910, no bairro de Hamburgo, o Sankt Pauli não possui grandes conquistas dentro de campo, porém é reconhecido por uma cultura única sendo bastante popular na Alemanha e em outros países. Foi o primeiro time a expulsar nazistas, fascistas e machistas. Além disso, tem caveiras, bandeiras do Che Guevara e já contou com um presidente homossexual. Uma entidade que vai contra todo o futebol moderno e o glamour de clubes de ponta. Além de que,  busca os direitos de todas as pessoas, o divertimento e o prazer pelo esporte.

REVOLUÇÃO NOS ANOS 1980

O Sankt Pauli era um clube normal até a metade dos anos 1980, quando houve mudança da região de seu estádio para uma área próxima a Reeperbahn, região mundialmente por conhecida por ser o centro da vida noturna da cidade. Logo começaram a surgir torcedores e, com eles, várias ideias que iriam construir uma identidade exclusiva do clube. Posteriormente, os torcedores adotaram o símbolo não oficial da caveira com ossos cruzados para o clube.

O clube implantou ideais políticos de esquerda e expulsou todos os adeptos de ideologias totalitárias (nazistas, fascistas e neonazistas), que inspiraram muitos hooligans pela Europa. Assim, o clube continuou o crescimento nos anos 1990 e começaram a surgir apelidos como Die Freibeuter der Liga (Os Piratas da Liga) e das Freudenhaus der Liga (O Bordel da Liga, ou literalmente Casa da Alegria).

A GRANDEZA DO SANKT PAULI

Uma ação marcante do clube, em conjunto com os torcedores, foi a campanha “Viva com água de Sankt Pauli” (que teve como missão melhorar o abastecimento de água potável nos países em desenvolvimento). O projeto começou após um incidente em Cuba, em 2005. Hoje, mais de 150 creches tem dispensadores de água potável, em Havana. Assim, alcançando países subdesenvolvidos. O time virou referência do punk e seus subgêneros, influenciando várias bandas pelo mundo, principalmente pela visão libertária e revolucionária. A famosa banda Bad Religion jogou um amistoso de caridade contra o terceiro time do St Pauli em 2000.

O clube, em todos os jogos, entra ao som da música “Hells Bells”, do AC/DC, e a cada gol marcado os torcedores com guitarras e amplificadores tocam “Song 2”, do Blur. São adeptos apaixonados. Na década de 1980 a média de público era de 1.600 pessoas, já em 1990 aumentou para 20.000. Assim, se mantém até os dias atuais, superando clubes da 2 Bundesliga e alguns da primeira divisão.

Uma grande curiosidade consiste no fato de que o clube teve abertamente o primeiro presidente de futebol homossexual, chamado Corny Littmann. Com o aumento da homofobia, a entidade hasteou há pouco tempo uma bandeira em favor a causa LGBT. Assim, o clube ainda apoia os refugiados, tema quente na Europa. E por fim, são respeitosos com o clube e não vaiam os jogadores, não há ameaça ao clube nem ao adversário. Além disso, imitam o ritmo de batida de palmas (tradição entre alguns clubes alemães) para sentirem-se em casa.

MAIS DA HISTÓRIA DO CLUBE

Há aproximadamente 200 fã-clubes do Sankt Pauli certificados, muitos deles fora da Alemanha. O maior fã-clube fora da Alemanha é a torcida El Grano, de Valladolid, na Espanha. Outro orgulho consiste no fato de ser o clube alemão com o maior número de mulheres em sua torcida. Por outro lado, foi nesse lugar que os Beatles fizeram a primeira apresentação internacional, em 1961.

Tradicional bairro boêmio de Hamburgo, cidade com 1,7 milhões de habitantes, St. Pauli é sinal de largados, prostituição, tráfico e tudo aquilo que a sociedade condena (mas muitos gostam). Contudo, apesar de ser um clube rebelde contra o futebol moderno, essa instituição está longe de ficar despercebida no sentido de estar ligada com os princípios sociais, culturais e políticos, além de possuir uma série de artigos fundamentais elaborado pelos dirigentes em 2009.

Assim, o time consolida-se no imaginário das pessoas como um clube que luta pela igualdade e respeito. Entretanto, dentro de campo não possui tantos títulos de expressão, porém fora dele mostra a união pelo esporte e amor pelas pessoas. O Sankt Pauli une as pessoas além do futebol, mas reúne com o propósito de fazer o bem e mostrar que os direitos devem ser respeitados.

 

Foto Destaque: Reprodução/Getty Images

Nicollas Almeida
Escolhi o jornalismo porque queria contar histórias, participará dela também. Já estagiei na assessoria de imprensa de um órgão do governo do Rio de Janeiro. Fiz trabalhos voluntários no meio religioso e político, participei de um programa de debate na rádio na faculdade.

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