A Coluna Lado B do futebol, como bem sabemos, é voltada para jogadores, clubes e competições que marcam presença em países exóticos. Entretanto, hoje contaremos a história de Salifyaji Mugala, um jovem zambiano de apenas 18 anos e como foi sua trajetória até “A terra do Tio Sam”.

Salifyaji nasceu na Zâmbia, um território localizado no centro-sul do continente africano. Contudo, quando ainda era pequeno, o pai recebeu uma proposta de emprego na África do Sul. Então, sem pestanejar, a família deixou o país conhecido por ter uma das economias mais pobres do planeta. Partiram para o segundo país mais rico do continente, atrás apenas da Nigéria.

O atleta é conhecido entre os amigos por “Diesel”, devido a rapidez e agilidade no campo. Porém, quem o apelidou assim, foi o falecido avô que também jogava futebol na Zâmbia. Segundo Sali, ele era muito esperto e rápido com a bola. Claramente características herdadas pelo neto.

O início de um sonho

Antes de mais nada, Diesel contou um pouco sobre o início de sua paixão pelo futebol. “Comecei aos cinco anos jogando bola no quintal de casa. Meus pais me compraram uma bola e virei a criança mais feliz da região. Eu brincava o dia inteiro.”

Aos seis anos entrou para o clube da cidade que morava, Germiston, uma província de Gauteng. Aos nove, era o artilheiro do time com 45 gols na conta e chegou a ser considerado o jogador do ano. Alguns anos depois, enquanto participava de um torneio local, se destacou e chamou a atenção de um treinador norte-americano.

“Antes de vir para os EUA, eu estava prestes a assinar um contrato profissional com uma equipe da Zâmbia, mas tive que fazer uma jogada inteligente. Eu tive que sentar com os meus pais e decidir se o melhor era eu continuar estudando na África e jogar futebol por lazer ou ir me profissionalizar.”

A VIDA NA AMÉRICA DO NORTE

Chegou aos Estados Unidos sozinho com apenas 17 anos. Por consequência sofreu em dobro os impactos da mudança. O atleta relatou que o idioma era o mais difícil de tudo, mas que teve que se adaptar e hoje enfim domina a língua. Já a alimentação, ele cozinha sozinho e come principalmente a refeição africana que está acostumado. Entretanto, a cultura ainda é um aspecto que causa estranheza e que ele declara ser difícil de se adaptar.

“O futebol da Zâmbia é duro e muito físico, você precisa ter coração para jogar futebol nesse país. Na África do Sul é mais tática e uso do cérebro, os jogadores não se destacam por altura ou musculatura. Nos EUA é mais rápido, muito físico e áspero, você só precisa ser inteligente.” contou Diesel

A maior saudade de Sali é a família, conversa com eles apenas pelo WhatsApp devido a distância. “Na maioria das vezes em uma chamada e, às vezes em vídeo quando tenho crédito suficiente”. Disse que não se sente tão sozinho porque recentemente conheceu pessoas generosas que o apoiam e ajudam no que precisar.

A PAIXÃO PELO FUTEBOL

O jogador tem como ídolo o camisa 10 do Liverpool, Sadio Mané, disse que admira muito a humildade do senegalense. Aliás, seu maior sonho é jogar na Europa, principalmente na Inglaterra ou Alemanha, destacando o Manchester United.

Apesar de sua carreira profissional ser recente, Mugala relembra com orgulho a convocação para a seleção Sub-20 da Zâmbia, sua terra natal. Destaca também o título que recebeu de melhor jogador e melhor goleador em seu primeiro ano nos EUA. Perguntado sobre o futebol brasileiro, o atleta contou que assiste e ama os jogos do Flamengo. “Pelé e o Ronaldinho, são os melhores jogadores da história do futebol no Brasil.”

Foto: Salifyaji Mugala/Arquivo Pessoal

COPA DO MUNDO DE 2010

A África do Sul no ano de 2010 sediou pela primeira vez no continente africano uma edição da Copa do Mundo. Nove cidades receberam as partidas, em dez estádios diferentes. A vitória foi da Espanha, que disputou a final com a Holanda, e ganhou de 1 x 0 na prorrogação. A Seleção Africana perdeu a vaga na fase de grupos, onde o Uruguai e o México avançaram.

“Foi muito bom sediar uma copa. Eu fui em um jogo no Soccer City, o jogo era África do Sul x México. O estádio estava lotado, tinha mais de 80 mil pessoas. Foi uma atmosfera muito agradável e eu realmente amei. O gol de Tshabalala foi memorável“, relembrou o jogador

OS DIAS ATUAIS

O adolescente promissor, até o mês de abril integrava o time colegial Admiral Farragut Academy, localizado em St. Petersburg, na Flórida. Entretanto, recentemente foi aceito com 100% de bolsa na Berth University, uma universidade cristã em Indiana. Além de continuar jogando futebol, cursará “Exercise Science”, que no Brasil equivale ao curso de Educação Física.

Inegavelmente, a situação dos EUA em relação a pandemia é extremamente preocupante. O país lidera os casos de contaminação e mortes pelo novo coronavírus. Sali declarou que ninguém estava preparado para isso e que não esperavam que o vírus tomasse essa proporção. Por consequência da quarentena, o atleta recebe treinos do preparador físico todos os dias para manter a forma.

Foto Destaque: Salifyaji Mugala/ Arquivo Pessoal

Giovanna Monteiro
Giovanna Monteiro
Cursando o 4º semestre de Jornalismo na Universidade Anhembi Morumbi, apaixonada por esportes desde os 7 anos e hoje com a cabeça e o coração encaminhados ao Jornalismo Esportivo.

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