Roberto Baggio: o craque mais isolado que o pênalti perdido

- Um grande meia que ficou na solidão após 1994
Roberto Baggio: a solidão do pênalti perdido

Em 18 de fevereiro de 1967 nascia em Caldogno, na Itália, Roberto Baggio, um célebre meia que ficou marcado pelo dia 17 de julho de 1994. Assim, a coluna Calciostoria conta essa semana a história e toda a solidão desse craque no pior momento da sua vida, ainda toda a trajetória da seleção até o fatídico dia.

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Eliminatórias

A Itália caiu em um grupo nem tão complicado com Suíça, Portugal, Escócia, Estônia e Malta. Logo na estreia uma pedreira contra os suíços em Cagliari. Os visitantes abriram 2 x 0 ainda na primeira etapa e complicaram a vida italiana. Após muito sufoco na segunda etapa, aos 83′ a zaga afastou mal e Baggio deu uma pancada para diminuir a vantagem. Aos 89′ ainda viu Eranio empatar a partida.

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Após um empate duro com a Escócia, a primeira vitória só veio contra Malta, fora de casa, e o meia teve grande contribuição dando assistência para o primeiro gol. Em seguida, se viu dois shows do camisa 10. Dois gols contra Portugal e ainda a abertura do placar e mais um passe para gol contra a seleção maltesa. Sendo assim, a equipe enfim se acertou e, além disso, Roberto Baggio vinha em grande fase.

A derrota contra a Suíça foi um golpe duro que colocou a Azzurra em maus lençóis. Dessa forma, veio dois jogos contra Estônia, que trouxeram os quatro pontos possíveis (a vitória valia dois pontos na época). Dos cinco gols marcados, o juventino fez três, sendo um de pênalti, e um golaço. Ainda assim teve de tocar para Mancini fechar o 3 x 0 na Itália.

Os portugueses bateram os suíços por 1 x 0 e perderam para os italianos, dessa forma, a seleção da bota passava em primeiro lugar com 16 pontos, sete vitórias, dois empates e uma derrota. Um detalhe é que o gol que colocou a Itália na liderança foi de Donadoni, após conseguir rebote de chute do nosso craque da semana.

O Melhor do Mundo

Na temporada 1992/93, foram 43 partidas, 30 gols e sete assistências. Um título de Champions League, com direito a dois gols na ida na virada contra o Borussia Dortmund.  Uma eliminação dolorosa contra o Torino na semifinal da Coppa Itália e um quinto lugar (bom para quem estava focado no continente) na Serie A TIM. Esse foi o ano que o consagrou como melhor jogador da FIFA e Bola de Ouro. Os maiores prêmios individuais que um jogador de futebol pode receber.

Na Ballon D'Or sua disputa foi com Bergkamp (Internazionale) e Eric Cantona (Manchester United). Já pela FIFA, Romário e Stoichkov, ambos do Barcelona, também entraram no páreo. Sendo assim, tudo isso e a boa fase da seleção colocavam ele e a Azzurra como uma das maiores favoritas ao título da Copa do Mundo de 1994.

Roberto Baggio e sua bola de Ouro em 1993
O craque e o troféu (WikiMediaCommons/Reprodução)

A Copa nos Estados Unidos

O ragazzo foi muito caçado na estreia com derrota para a Irlanda por 1 x 0. Assim, Roberto era dúvida para o jogo contra a pedra do sapato Noruega, que valia a classificação. Ele começou jogando, mas com a expulsão de Pagliuca, foi ele o escolhido para dar lugar ao goleiro reserva Marchegani. Algo que o craque não gostou e saiu gesticulando aos montes no banco. Ao menos, viu seu xará marcar o gol da vitória Azzurra.

No 1 a 1 sofrido com o México, a classificação veio. Ali o meia conseguiu fazer com sobras sua melhor apresentação na fase de grupos organizando o time, apesar dos três pontos não terem sido alcançados. E já diria o outro, deixou chegar…

A oitavas de final contra a Nigéria foi no sufoco e mostrou uma estrela brilhando. De virada, e com direito a empate aos 89′ e gol da vitória de pênalti na prorrogação, Baggio marcou os dois da classificação, que coroava toda a sua luta no tempo normal. Nas quartas, Dino abriu o placar, os espanhóis empataram, e o nosso 10 marcou aos 88′ para colocar os tri mundiais entre as quatro melhores seleções do mundo.

O final trágico

Primeiramente, ele deixou dois golaços no primeiro tempo contra a Bulgária que colocaram a Azzurra na final da Copa após 12 anos. A partida contra o Brasil não foi nada fácil. Na primeira etapa, os muitos lançamentos fizeram a bola pouco chegar no meio. No segundo tempo, Dunga e Mauro Silva não deixavam o 10 respirar. O cansaço da prorrogação era grande, pouco se movimentou, apesar de ter feito boas jogadas, mas sem os companheiros aproveitarem.

Nas penalidades, Baresi e Márcio Santos começaram errando. Após quatro cobranças definidas, Massaro perdeu a sua, em seguida, Dunga colocou a canarinho na frente. Então, Roberto Baggio poderia empatar o confronto ou dar o tetra ao adversário. Fez a mesma corrida que de quem já tinha seis gols de pênalti com aquela camisa. No entanto, a sua cobrança, dessa vez, não foi para o gol e sim rumo a arquibancada. Para felicidade brasileira e tristeza italiana.

A tristeza de um, a felicidade do outro
A tristeza de um, a felicidade do outro (Wp/Storiediclacio/Reprodução)

A solidão e as dores

O craque ficou desolado por bons minutos naquela marca da cal. Companheiros e Arrigo Sacchi chegam para abraçar o choroso camisa 10. Os quatro dias na fisioterapia após sentir dores na coxa contra a Bulgária foram por água abaixo. Toda sua família havia saído do país natal para ver a final. O mesmo disse que era seu maior combustível. No entanto, por um momento, nada disso valeu e a bola não entrou.

Perdão italiano? Não houve. Grande parte da torcida o criticou pelo pênalti, mas também pelo chute isolado aos 74 minutos. Em que o meia recebeu sozinho na grande área, dominou e mandou para fora. Imprensa e família chegaram a dizer que ele nunca foi totalmente feliz no futebol. Muito por causa dessa caluna deixada no Estados Unidos. Em entrevista a um canal italiano em 1998, o bianconeri disse o seguinte:

“Uma cicatriz que não posso esconder.Também porque você pode aceitar perder depois de um jogo muito disputado, mas não, isso é uma zombaria: com dez chutes no local, você joga quatro anos de sacrifícios. É como se eu tivesse escalado uma montanha e levado por uma avalanche a alguns passos do cume”.

Após a Copa, virou ídolo, marcou gols e ganhou títulos por outras equipes, porém, é marcado como aquele que errou a penalidade em 17 de julho de 1994, no Rose Bowl, em Pasadena.

Foto destaque: Storie di Calcio/Reprodução.

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Guilherme Ribeiro
Guilherme Ribeiro
Sou Guilherme Ribeiro, 20, paulista da região do ABC. Ler e escrever é um hobby, para o esporte que é a minha paixão.

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