Revanche?

Nunca vi um jogador vir a público e admitir: “É revanche, sim. Eles nos derrotaram na vez passada e agora nós daremos o troco”. Não, isso não acontece. É preciso ter personalidade para prever uma coisa dessas, sobretudo em tempos de moralismo exacerbado, quando a preocupação em emitir opinião que soe desrespeitosa é maior que a vontade de agradar o torcedor.
 
É verdade que as circunstâncias não são as mesmas. Nenhum jogador olímpico – brasileiro ou alemão – esteve em campo no Mineiraço (Mineiratzen), naquele 8 de julho de 2014. O zagueiro Matthias Ginter, do Borussia Dortmund, fez parte do elenco tetracampeão, mas não jogou a semifinal. Neymar teria jogado, não fosse a fratura na vértebra após o duelo das quartas de final contra a Colômbia. Ninguém sabe se a história teria sido outra se ele tivesse jogado. Provavelmente, não. Em todos os casos, esta é uma desculpa da qual o craque sempre poderá se valer, embora pareça mesquinho justificar um vexame coletivo pela ausência individual.
 
De lá pra cá, o Brasil perdeu duas edições da Copa América e iniciou a campanha das eliminatórias de forma irregular (2V, 3E, 1D). A Alemanha não confirmou o favoritismo e foi eliminada na semifinal da Eurocopa pela anfitriã França, apesar de ter feito um bom torneio. Caiu três posições no ranking da Fifa – é a atual 4a colocada. O Brasil é o 9o; a Argentina lidera e o Chile, bicampeão da América, ocupa a quinta colocação, vai entender!
 
Apesar de os brasileiros desejarem apagar a goleada da memória, este fardo não ficará para trás. Será relembrado de tempos em tempos, principalmente quando a seleção enfrentar a Alemanha, ainda que não exista qualquer relação temporal entre os fatos, como é o caso do jogo de hoje. É natural também que aqueles que não fizeram parte do fiasco queiram se afastar dele, embora enalteçam as glórias passadas e aceitem de bom grado herdar o peso das cinco estrelas por eles não conquistadas.
 
Nenhuma vitória apaga fracassos anteriores. Redime, mas não apaga, salvo um (quase) impossível troco de 7 x 1. Como isso não irá acontecer, por que não acreditar que uma vitória sobre os alemães deixaria de ter um sabor vingativo? Se para a comissão técnica não tem, alguém negaria que seria mais especial do que derrotar, por exemplo, a Nigéria – que eliminou o Brasil em 1996 em circunstâncias muito parecidas com as atuais, exceto por ter sido em uma semifinal?
 
Há muito receito em aceitar revanches, talvez para aliviar a pressão de que, sendo revanche, o perdedor tem a obrigação de vencer. O Brasil tem. Por n motivos, dentre os quais o ouro inédito, claro, por que joga em casa, mas também para começar a pagar a conta que certamente levará bastante tempo para ser quitada.
Caio Araújo

Sobre Caio Araújo

Caio Araújo já escreveu 17 posts nesse site..

Bem, posso dizer que, como tantos outros jovens brasileiros, comecei a gostar de futebol bem cedo. No início, o meu barato era mais jogar do que assistir, por isso escolhi um time para torcer já mais velho. Depois estes papeis se inverteram, e, infelizmente, hoje jogo muito pouco. De uns tempos para cá - nos últimos cinco anos - passei a investir mais esforço para fazer da brincadeira de menino um ofício. Fiz alguns cursos na área, acompanhei as notícias com maior frequência e escrevi um pouco sobre esportes em geral, e não só futebol.

BetWarrior


Poliesportiva


Caio Araújo
Caio Araújo
Bem, posso dizer que, como tantos outros jovens brasileiros, comecei a gostar de futebol bem cedo. No início, o meu barato era mais jogar do que assistir, por isso escolhi um time para torcer já mais velho. Depois estes papeis se inverteram, e, infelizmente, hoje jogo muito pouco. De uns tempos para cá - nos últimos cinco anos - passei a investir mais esforço para fazer da brincadeira de menino um ofício. Fiz alguns cursos na área, acompanhei as notícias com maior frequência e escrevi um pouco sobre esportes em geral, e não só futebol.

    Artigos Relacionados

    Topo