Resultado heroico não engana: 9 erros graves de Dunga na seleção

A cabeça de Dunga estava a prêmio antes do duelo contra o Paraguai no Defensores Del Chaco. Uma derrota certamente o derrubaria. Quando os paraguaios fizeram 2×0, a queda já comemorada como consolo pelos torcedores. Mas o Brasil renasceu. Na alma, suado, no último minuto, o empate veio com Daniel Alves e salvou a pele do técnico carrancudo. O resultado com gosto de vitória chegou graças à raça dos jogadores e a ousadia de Dunga em sacar os dois volantes. O placar, porém, não pode esconder alguns equívocos do treinador que deixaram a seleção em 6º lugar nas eliminatórias. Veja os nove erros.

1) Padrão tático

O time não apresenta consistência na formação tática. Falta objetividade e triangulações, os jogadores atuam muito “soltos”. A carência maior de solidez é na defesa, onde muitos espaços são proporcionados ao adversário.

2) Volantes

Nenhuma das grandes seleções do mundo possui dois volantes com a marcação como principal característica. Se Luiz Gustavo é o homem de confiança na cabeça de área, Fernandinho não pode atuar. O meio campo fica pesado. Poderia ser um meia ou um volante leve, com boa chegada ao ataque.

3) Bola parada

É essencial a definição de um batedor oficial nas bolas paradas. No elenco atual, Willian é o mais preparado, mas vem dividindo a função com Douglas Costa – que é totalmente ineficaz no quesito. Nenhuma bola do jogador do Bayern de Munique chega na cabeça dos atacantes brasileiros. É desperdício na certa. Completo amadorismo cada vez um jogador diferente bater a falta, ainda mais na ausência de um especialista.

4) Zaga

David Luiz não pode ser mais convocado e o Brasil deve buscar um perfil de zagueiro oposto ao atleta midiático do PSG. Os defensores precisam ser sérios e ter o chutão como recurso. Zagueiro metido a craque não serve para a seleção brasileira. Para fazer a diferença, tem muito talento do meio pra frente. Não são necessários lançamentos teatrais e arrancadas irresponsáveis.

5) Posicionamento de Neymar

Neymar não é armador. Não adianta insistir com ele na posição que não renderá o seu máximo. Com o craque do time não tem que inventar: joga aonde é melhor. E todos sabem, o Barcelona sabe, Neymar atua na ponta esquerda do campo. É ali que ele atua com genialidade.

6) Douglas Costa

É pertinente esse “erro” vir logo após o posicionamento de Neymar, pois não tem lugar para Douglas Costa na equipe titular. Ele atua na mesma posição do craque do time. Fazer o quê? É um bom reserva para o camisa 10, mas só isso. Seu nome vem sendo projetado com extremo exagero só porque está atuando bem no Bayern de Guardiola. Acontece que lá o esquema é bem montado e tem uma faixa do campo só para ele. Douglas faz bem feito o que lhe é pedido, mas é limitado tecnicamente. Sua principal jogada é correr em linha reta e cruzar para a área – muitas vezes apenas “chutar”. Não tem traquejo, é um canhoto duro, grosso mesmo, que muitas vezes perde o controle da bola por correr demais (o exemplo mais recente foi ontem).

7) Goleiro

A seleção precisa de um goleiro experiente e não um garoto em ascensão. Alisson deveria estar no grupo, mas como terceiro reserva. É triste saber da coincidência de logo após ser chamado pela primeira já ser vendido ao Roma. Se for apenas pensando no campo, um jogador com experiência deveria ser convocado, para suportar a pressão, os momentos adversos e passar confiança e tranquilidade ao time. Um goleiro de 23 anos não impõe respeito aos adversários e não tem moral para dar bronca em defesa de seleção.

8) Hulk

Na Copa do Mundo de 2014, Hulk provou que não tem personalidade para jogar no Brasil. Sumiu em campo e mostrou extremo nervosismo em momentos decisivos. Tropeçou na bola e tremeu as pernas. Sua qualidade técnica é bastante questionável, já que seu principal recurso é o chute forte com a perna esquerda. É um bom jogador, mas não ao nível de seleção. O primeiro gol do Brasil ontem saiu de um de seus chutes, mas e a finalização bizarra para o lado contrário do gol? Não há como defender. Há atacantes muito melhores na seleção olímpica.

9) Capitão

Neymar não serve para ser o capitão. É um garoto. Além disso, não tem nem de longe o perfil de líder. A faixa deve ser de um jogador com espírito de liderança, que oriente o time. O melhor para o momento é Miranda, mas a seleção está carente desse perfil.

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Victor Rocha
Jornalista, fanático por futebol e fascinado pela parte técnica e tática do esporte. Dono do blog Rebatida e passagem de dois anos no Portal R7, escrevendo sobre música, cinema e esportes. Acompanhe também meu blog: http://rebatida.blogspot.com.br

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