Nesta semana, a coluna Lado B do Futebol traz uma entrevista feita com o ex-jogador Daniel Sabino Martins. Embora seja brasileiro, o atual educador físico, e que busca uma oportunidade em ser treinador nos contou o motivo pelo qual o levou a se naturalizar Guinéu-Equatorial. Quando questionado sobre isso, Daniel conta que foi cotado a servir a Seleção Brasileira, todavia, não foi convocado.

“O que me levou a me naturalizar Guinéu-Equatorial é porque eu tive duas chances, eu fui cotado duas vezes para servir a Seleção Brasileira num momento bom da minha carreira”.

Nesta época, ainda atuava no Brasil. Porém, afirmou que para ter oportunidade de vestir a camisa do Brasil, era necessário que houvesse amizade de empresários com técnico. Desta forma, isso acabou atrapalhando esta possível ida do ex-atleta ao penta campeão mundial.

“Por algum motivo né, que chegaram aos meus ouvidos. Na época, a Seleção Brasileira tinha muita amizade, muitos contatos de empresários com o técnico da seleção, para levar. E a parte financeira também. Surgiu rumores que teria que ter uma coligação melhor, uma amizade mais forte entre o treinador e os empresários”.

Ademais, completou que quando encontrou Vanderlei Luxemburgo, o treinador afirmou que gostaria de contar com o futebol de Daniel. Mesmo assim, isto não ocorreu, e foi ai que houve a mudança de naturalização.

COPA CEMAC E APOSENTADORIA

Aos 33 anos, depois de anunciar sua aposentadoria, Daniel recebeu oportunidade de jogar a copa Cemac, com a seleção Guinéu-Equatorial. Este torneio englobou todas às seleções africanas. Sobre isto, foi debatido se houve um arrependimento de ter se aposentado e sua passagem pela África.

“Sobre eu me sentir arrependido de ter me aposentado cedo. Não me sinto arrependido. Eu poderia ter jogado muito mais, mas a verdade que eu sai daqui e fui para à África, teve aquela oportunidade de me naturalizar africano”. Além do mais, completou dizendo que o Santo André tentou o contratar, contudo, ele decidiu ir para lá.

“Fui Campeão com a equipe de Guiné. A equipe nunca tinha ganhado um amistoso la. Cheguei, joguei la no meio-campo , fiz gol e voltei com título da copa Cemac, de seleções. É uma copa interna africana. E até hoje lá eu sou ídolo”.

VALORIZAÇÃO

O ex-desportista também nos contou sobre como se sentiu valorizado no país africano. Ele afirma que tinha uma expectativa alta de ser chamado a atuar pela seleção do seu país origem. Mas, como não foi possível, demonstra hoje toda sua gratidão por ter ido à seleção de Guinéu, afirmando que lá foi muito bem recebido e tratado.

“Infelizmente quando você não é valorizado no seu país, é valorizado em outro. Com certeza, eu chamei à atenção de alguma forma de uma outra seleção e outro país. E isso mais uma vez prova que eu tinha potencial para jogar na seleção. Infelizmente, por algum motivo obscuro que eu não sei, não fui para a Seleção Brasileira”.

COSTUMES AFRICANOS

Sobre isto, Daniel afirma que, apesar de todas dificuldades enfrentadas, por falta de investimento, a alegria predomina no país. Ademais, a maneira pela qual os moradores recebem os visitantes também é um grande ponto importante.

“O que levo dos africanos são o carinho, o afeto, o amor, as danças. O africano é muito alegre, um povo que gosta de dançar e mostrar sua natureza. É isso que guardo no meu coração e trago até hoje”

Entretanto, há alguns pontos negativos que ele observou na época em que ele viveu por lá. Como não havia semáforos, o trânsito lá era bem bagunçado. A pobreza também predominava a região. Segundo ele, hoje a cidade está numa situação muito melhor do que antes, uma melhora grande.

SELEÇÕES

Geralmente, os times e às seleções africanas possuem uma força tão grande. Perguntado sobre esse assunto, Daniel comenta que acredita sim, que no futuro elas possam ganhar mais visibilidade e uma força maior para competir com outros grandes.

“As seleções africanas têm um grande potencial, jogadores espetaculares que se transferem bem cedo para a Europa. Pra falar a verdade, se você pegar a seleção da França, todos são africanos. Então, o que falta para que uma seleção africana seja uma potência é estrutura. A França naturalizou a maioria dos africanos dali, deu estrutura para eles. Alimentação, salário muito bom, condição para os caras treinarem e colocou treinadores capazes alí. E eles foram campeões”.

Relembre a história de Daniel Sabino Martins!
Relembre a história de Daniel Sabino Martins!

Foto: Arquivo Pessoal

Foto destaque: Reprodução/Arquivo Pessoal

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Lucas de Lima Barão
Atualmente, estou no 6º semestre de jornalismo pela Universidade Nove de Julho. Tenho vontade de trabalhar com jornalismo esportivo, entretanto, não descarto abrir portas para outros caminhos. Ganhei um prêmio de melhor trabalho jornalístico no 5 semestre, onde meu grupo e eu produzimos um site. Estou em busca de encontrar oportunidades no mercado de trabalho.

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