Reinaldo e sua famosa comemoração

O ano era 1978. Reinaldo carregava a esperança de gols de uma Seleção Brasileira que chegava forte à Copa disputada na Argentina.

Artilheiro do Brasileirão de 1977, com 28 gols marcados, um recorde que seria quebrado apenas 20 anos depois, Reinaldo levou o Atlético-MG à final e, apesar de terminar o torneio invicto, o Galo perdeu o título na disputa de pênaltis para o São Paulo.

Naquela época, Reinaldo já mostrava ser um cidadão fora do comum. Influenciado pelo movimento dos Panteras Negras nos Estados Unidos, o atacante comemorava seus muitos gols com o punho cerrado e levantado ao alto, em claro protesto contra a opressão política da ditadura que governava o Brasil.

Reinaldo estava sob forte pressão para Copa do Mundo

O regime militar tinha forte influência na CBF. O presidente do Brasil, General Ernesto Geisel, alertou Reinaldo pouco antes da Copa do Mundo de que deveria deixar de lado sua comemoração.

Da mesma forma, vale lembrar que a Argentina, país sede, vivia sob um regime mais cruel e sangrento que o brasileiro.

Contudo, o Rei não deixou que isso o intimidasse. Após marcar o primeiro gol do Brasil na Copa, diante da Suécia, cerrou o punho direito para o mundo inteiro ver. Reinaldo sofreu retaliação e virou reserva até o fim do mundial.

Sem o craque, a Seleção Brasileira fez campanha modesta e ficou com o 3º lugar. Posteriormente, em 1982, já combalido por uma lesão no joelho, o artilheiro não conseguiu ir para a Copa do Mundo realizada na Espanha.

Mas, o gesto de Reinaldo ainda serve de exemplo para todas as pessoas que vivem ou que testemunham a opressão. Os que viram o melhor jogador da história do Galo jogar, certamente não esquecem dos gols e da celebração do Rei.

Viva Reinaldo! Viva a liberdade!

Foto destaque: Reprodução/oGol

Paulo Henrique Araújo
Apaixonado por futebol desde antes do que possa lembrar. Comentarista esportivo por amor e constante aprendiz do maior esporte do mundo.