Ralf é ídolo da torcida, mas será que precisa jogar até em partidas contra as equipes pequenas ou em casa?

O segunda passagem pelo clube, a primeira aconteceu entre 2010-2015. O status de ídolo é garantido. São mais de 420 jogos pelo clube do Parque São Jorge, apenas 9 gols marcados, mas muita raça e vontade demonstrada em campo. Mesmo assim, seu lugar de titular numa equipe com muitas falhas de saída de bola não pode ser intocável. Colocaremos alguns pontos que explicam seu lugar na escalação inicial e por que ela deve ser posta em xeque.

Peça chave de Carille

O treinador Fábio Carille é conhecido pelo seu forte sistema defensivo. Com isso, Ralf chegou no início de 2018 e não saiu do time. Sempre foi bom protetor das duplas de zaga da equipe, as bolas dificilmente com a defesa aberta. Líder de interceptações do Campeonato Brasileiro, os números mostram sua eficiência defensiva na competição.  Por isso, é jogador de confiança do técnico e para seu esquema tático. Até porque Manoel e Henrique nunca caíram nas graças da torcida e o paulista trouxe mais segurança aos atletas, e para parte dos torcedores. Além disso, Gil e o camisa 4 ainda estão se entrosando. Claramente isso dificulta a saída do primeiro volante dos onze iniciais.

Entrosamento

Desde quando chegou ao clube foram muitos companheiros de volância ao seu lado. A maioria com um papel de forte de saída e entrada na área. Para isso, o atleta segurava as pontas na subida de laterais e num possível contra-ataque que acontecesse em algum momento. Esse ano já foram seus companheiros: Richard, que hoje está no Vasco, Ramiro, o titular Júnior Urso e até Sornoza atuou ao lado dele. Com todos esses, a adaptação para se entrosar foi de certa facilidade, após alguns treinos e poucas partidas.  Sem esquecer, por exemplo toda a linha defensiva que fica a suas costas e os erros por entrosamento foram poucos ao passar dos anos. Todos no elenco tem confiança e sabem onde encontrar o camisa 15. porém, nem tudo são flores.

Saída de bola

Como todo volante no futebol moderno, a saída de bola é algo fundamental para ser da posição. Porém, Ralf está longe de ser um exímio jogador nesse quesito. Apesar do alto número de passes certos, muitos deles não ajudam na construção de jogadas do time. A maioria dos recebidos é dos zagueiros e a maioria dos passados são as laterais. Passes curtos ou sem objetividade muitas vezes. Em partidas, como a do CSA, sua função é mínima, pois o adversário retraído não vai ao ataque e a defesa não precisa ficar segura pelos 90 minutos. Logo, geralmente é substituído, como foi por Régis no fim de semana. A pergunta é: não cabe ao atleta já começar fora de campo, já que times vivem se configurando em casa contra o Corinthians?

Desde o início do ano, esse ponto é uma das principais deficiências do time. Foram várias tentativas de se conseguir uma melhora, mas até agora isso somado a dificuldade na criação complicam a vida do ataque corinthiano. Em meio a chutões, passes quebrados, lançamentos mal feitos, a escassez de gols se agrava no clube paulista. Como, o primeiro volante é peça, muitas vezes, insignificante nesse quebra-cabeça difícil de montar, a sua saída ainda não foi testada pelo treinador para começar jogando. Sempre deixar claro que essa troca não resolveria 100% dos problemas, mas pode ser um bom adianto.

Mudança de esquema tático e substitutos

Acabar com as convicções de um treinador teimoso é extremamente difícil. Ainda mais com a segurança e o papel de ídolo que um jogador desse tem. Complicado saber se acontecerá a mudança ou não. Porém, para matar dois leões numa matada só, trocar o Ralf por Gabriel não ajudaria muito, visto como foi a partida contra o Londrina, em que houve esta mudança. Agora, para entrada de Régis, Jadson, Sornoza ou até Boselli caberia uma mudança no 4-2-3-1 da equipe. O 4-1-4-1, 4-4-2, ou outra configuração para 4-3-3 seriam as melhores dos jogadores citados na função. O “intacto” da primeira volância se tornaria Júnior Urso, com esse papel de proteção, saída e chegada que os faz muito bem. Outra possibilidade, já com o camisa 15 é a de um possível 3-5-2, 3-4-3, dessa forma, onde a sua nova posição seria de zagueiro líbero.

No próximo domingo (21), o Corinthians enfrenta o Flamengo, na Arena Corinthians, às 16h pela 11° rodada do Campeonato Brasileiro. A presença do jogador é indispensável para marcar Diego, Arrascaeta e cia. Porém, em jogos que se sabe como o adversário vem para jogar retrancado e para dar poucos espaços. Sua titularidade precisa ser contestada como em partidas contra Goiás, Montevideo Wanderes e Avaí que acontecerão dentro um mês. Onde sua presença para construção ofensiva não ajuda e nem atrapalha o time. Há de se ver como Carille treinará e escalará os jogadores para esses jogos, principalmente dentro de casa, pois cada ponto no Nacional é importante, assim como a classificação para uma fase melhor da Sul-Americana. Como vimos, opções e motivos não faltam para fazer tais alterações.

 

 

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Guilherme Ribeiro
Sou Guilherme Ribeiro, 20, paulista da região do ABC. Ler e escrever é um hobby, para o esporte que é a minha paixão.

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