O Santos foi derrotado pelo Cruzeiro, na Vila Belmiro, na noite desta quarta-feira, na primeira partida das quartas de final da Copa do Brasil. Foi o primeiro jogo de Cuca à frente do time paulista, um dia após comandar o primeiro treino. Durante a partida, o Peixe alternou bons e maus momentos, o que certamente dará subsídios para o treinador lapidar sua equipe no pouco tempo que terá para treiná-la nesta maratona de jogos em agosto.

A primeira decisão acertada de Cuca foi reforçar o meio-campo. Há quem diga que o sistema com quatro atacantes só não foi utilizado porque Eduardo Sasha estava lesionado. Porém, a trajetória do técnico revela uma predileção por esquemas compactos, equilibrados, sobretudo, na defesa. Espera-se, então, que, nos próximos jogos, o setor de criação siga com três ou quatro jogadores, visto que Bryan Ruiz e Carlos Sánchez chegam com status de titulares.

O segundo ponto a ser destacado foi a iniciativa de colocar Victor Ferraz ”por dentro”, na segunda etapa. Exausto, Renato deixou o campo. Daniel Guedes assumiu a lateral, e o camisa 4 reforçou a faixa central. Além de explorar uma herança de Dorival Júnior, que dava liberdade para que Ferraz atuasse desta forma, Cuca inovou. Como está impregnada na cultura brasileira o ”resultadismo”, substituições óbvias, que não acrescentam nada em termos táticos, são extremamente comuns.

O QUE CUCA PRECISA MELHORAR

O ponto negativo e principal desafio do novo treinador é devolver a eficácia da equipe. Nos últimos jogos, o Santos até criou, teve volume, mas não teve a capacidade de fazer gols. Após a Copa do Mundo, o Peixe marcou 2 gols em cinco jogos. Passou em branco, inclusive, contra Chapecoense e América-MG.

Neste sentido, é obrigação de Cuca diminuir o número de cruzamentos despretensiosos para a grande área adversária. Contra o Cruzeiro, foram 24. Desses, 20 foram errados, segundo o portal Footstats. Além disso, treinar a pontaria dos jogadores também ajudará a encontrar o caminho das vitórias. O Santos finalizou nove vezes, nesta quarta-feira, mas apenas duas bolas foram ao gol de Fábio. Contra o América-MG, 24 das 30 finalizações foram erradas.

Seria leviano criticar Cuca, neste momento. O treinador encontrou terra arrasada na Vila Belmiro, fruto da incompetência de uma diretoria que perdeu o prazo para inscrever os tão esperados reforços. Além disso, alguns jogadores não estão em sua melhor fase. Mesmo assim, já foi possível ver uma equipe diferente daquela consolidada pela herança prejudicial de Jair Ventura. A troca de passes improdutiva entre os zagueiros, por exemplo, ocorreu em menor número no duelo pela Copa do Brasil.

Cuca tem muito trabalho pela frente e, na atual circunstância, nem mesmo a presença de Ruiz, Sánchez ou González deve facilitar sua vida. Contudo, seus trabalhos dirigindo Atlético-MG e Palmeiras são um alento para o torcedor santista. Aliás, não há motivo para desespero, se o Santos for eliminado da Copa do Brasil – a não ser o fato do torneio pagar a exorbitante quantia de R$ 50 milhões ao campeão. Neste momento, respeitar a camisa histórica que se veste e evitar um inédito rebaixamento são as únicas prioridades.

André Siqueira Cardoso
Sou André Siqueira Cardoso, tenho 21 anos. Aluno de jornalismo da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP), atualmente trabalho em VEJA, com a cobertura do noticiário político. Apaixonado por esportes, jogador de futebol até hoje, tenho o sonho de cobrir uma Copa do Mundo.

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