Quando um ídolo sai pela porta dos fundos

De todas as saídas do Corinthians para o exterior, a de menor alarde foi a de Ralf. Diferentemente de Jadson, Love e Renato Augusto, o primeiro volante não teve sua negociação arrastada, concluindo de maneira rápida seu próximo passo na carreira, que será atuar no futebol chinês (Beijing Guoan, mesmo time de Renato Augusto).

Ralf era o atleta corintiano com maior tempo de casa, defendendo o clube desde 2010. O volante, que soma 352 partidas e nove gols pelo Alvinegro, ostenta o fato de nunca ter sido expulso com a camisa do clube, algo extremamente difícil para um volante de contenção. Também foi titular em todas as glórias e fracassos da história recente do Corinthians, como as conquistas do Mundial e da Libertadores de 2012 e dos Brasileirões de 2011 e 2015, assim como da vexatória eliminação na pré-Libertadores 2011 para o Tolima e a queda para o Boca Juniors, em 2013.

O volante foi um dos atletas que chegou a ficar mais de seis meses sem receber salários e direitos de imagem, atrasados devido a forte crise financeira do Corinthians. Em certo momento, foi reserva de Bruno Henrique, que estava em melhor forma. Mesmo assim, sem receber em dia e esquentando o banco, Ralf não reclamou publicamente e nunca desafiou a autoridade de Tite. Pelo contrário: seguiu trabalhando, recuperou a titularidade e ergueu a taça do Brasileirão 2015 como capitão.

Para selar sua ida ao futebol chinês, em provável última chance na carreira de lucrar com um bom salário, Ralf teve que pagar do próprio bolso uma multa no valor de U$ 1 milhão (cerca de R$ 4,1 milhões).

A diretoria corintiana poderia, em respeito aos serviços prestados por Ralf, isentá-lo de tal pagamento de taxa. Entretanto, além de cobrá-lo, o clube negou-lhe o direito de ter uma coletiva de imprensa para explicar sua saída e despedir-se do torcedor.

Lamentavelmente, Ralf é mais um ídolo que sai pela porta dos fundos de um clube brasileiro.

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Sobre Vinícius Deguar

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Jornalista de 23 anos e estudante de Comunicação Social na UNG/SP, escrevo para o Site Futebol na Veia desde novembro de 2015 e sou especializado no núcleo do futebol paulista, cobrindo principalmente o cotidiano dos quatro grandes do estado de São Paulo. Aprendi como um time deve jogar bola vendo o Barcelona holandês-catalão de Cruiff, Rijkaard, Davids, Overmars e cia. limitada. Possuo o futebol em minhas veias desde criança. Contato: viniciusdeguar@aim.com

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Vinícius Deguar
Jornalista de 23 anos e estudante de Comunicação Social na UNG/SP, escrevo para o Site Futebol na Veia desde novembro de 2015 e sou especializado no núcleo do futebol paulista, cobrindo principalmente o cotidiano dos quatro grandes do estado de São Paulo. Aprendi como um time deve jogar bola vendo o Barcelona holandês-catalão de Cruiff, Rijkaard, Davids, Overmars e cia. limitada. Possuo o futebol em minhas veias desde criança. Contato: viniciusdeguar@aim.com

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