Goleiro é quem joga um jogo coletivo, quase que de forma individual. Um time com um jogador a menos é um time com algum desfalque. Mas um time sem um goleiro não é nada. Definir o melhor goleiro da história recente é uma tarefa árdua, mas aqui está uma tentativa.

Ser goleiro é estar em posição ambígua, por hora herói, mas n’outra vilão. Amado e odiado. O que eles devem fazer: impedir que a bola entre no gol. O que eles realmente fazem: desafiam todas as leis da física para impedir que a bola entre no gol. Os históricos dos melhores goleiros não mentem, defender em nome de uma nação não é apenas questão de gol. É sobretudo, honra.

Defender um clube de tanta importância como o Real Madrid, jogar pelo Juventus ou pelo Bayer de Munique. Sim, é sobre eles, Casillas, Buffon e Neuer. Além da data de nascimento que comprovam a experiência incontestável, já na casa dos 30, são goleiros que merecerem todos os títulos que conquistaram até aqui.

Comecemos por Casillas, nomeado pela Fifa como o melhor goleiro por 4 anos consecutivos, de 2008 a 2012. Iker Casillas, de 34 anos é espanhol de naturalidade e também nasceu em campos espanhóis, no Real Madrid, foi formado nas categorias de base do clube quando tinha somente 18 anos.

Casillas tem um lindo histórico de títulos com clube do merengue, estão entre eles, três Liga dos Campeões, um Mundial de Clubes da Fifa, duas Supercopas da Europa, cinco Campeonatos Espanhóis, duas Copas do Rei e quatro Supercopas da Espanha. E ainda carrega o título de Bicampeão da Europa e Copa do Mundo de 2010.

Vestiu a mesma camisa por muito tempo, pois manteve-se goleiro no Real por 25 anos. Uns dizem que a relação reciproca do amor pelo clube e o amor do clube com Casillas que o manteve. As más línguas justificavam a permanência perdurável com o salário que recebia.

Mas, chegou a hora de dar tchau e Casillas anunciou abertamente que sua saída do Real se deu por renovação de possibilidades, e assinou contrato com Porto até junho de 2017. Com rendimento abaixo do esperado, a imprensa não poupou as críticas em relação ao nomeado agora, ex-melhor goleiro do mundo. Casillas foi considerado o pivô da eliminação da equipe portuguesa da Champions. Foi hora de ser vilão. E o declínio não se justifica com a idade, já que Buffon, com compreensíveis 38 anos exerce uma performance excepcional.

Buffon, que foi considerado pela Federação Internacional de História e Estatística do Futebol (IFFHS) o melhor goleiro nos últimos 25 anos. Já participou de cinco Copas do Mundo e começou a carreira quando ainda deveria desfrutar da infância, com apenas 13 anos, Gianluigi Buffon já estava nas categorias de base do Parma.

Quebrou o recorde com 974 minutos consecutivos sem sofrer qualquer gol na Serie A, mas não é só de recordes com a rede intacta que o goleiro fez história. A transferência para o Juventus, seu atual clube, custou aos cofres italianos uma quantia a cerca de 45 milhões de euros, superando qualquer outro valor para transferência de um goleiro.

Buffon teve azar em questões de saúde física durante sua carreira, como quando quebrou a mão na Euro 2000, num amistoso, quando já era goleiro titular e teve que esquentar o banco. Ou na Copa do Mundo de 2010, deparou-se com um problema no ciático e não voltou a jogar nesse torneiro. Mas guerreiro sempre que em campo, com agilidade e preparo impressionantes, como na Copa do Mundo de 2006 o ídolo consagrou sua fama de guarda-rede, sofrendo apenas dois gols.

Sem dúvidas Gigi mostra um goleiro emotivo, em cenas que não fez questão de segurar as lágrimas quando a derrota, vez ou outra, pegou o clube. É desesperador ver Buffon não acreditar quando uma bola entra em sua rede, mas o futebol nem sempre é justo, até para os heróis.

Justo como não deixar um clube, se o bom filho não a casa torna, o excepcional simplesmente não sai de casa. É o caso de Neuer, 30 anos, que defende no Bayern de Munique por toda sua carreira. Com reflexos rápidos e habilidades que coloca não só na defesa, mas também em jogo. Literalmente.  Conquistou a terceira posição entre os melhores jogadores do mundo em 2014. Sim, um goleiro com prêmio de melhor jogador do mundo.

Manuel Peter Neuer tem um jeito único de defender, sem ficar prostrado nas traves e também distribui passes. Foi assim que conquistou a arquibancada e tornou-se um goleiro popular. Mais herói talvez do que Casillas e Buffon. Defendeu o histórico 7×1 entre Alemanha e Brasil e foi titular na Copa do Mundo 2014, tetracampeão mundial e exibe a Luva de Ouro na prateleira.

A paixão por futebol começou cedo, com apenas 2 anos de idade Neuer já brincava com as bolas nos pés. Não é só um rostinho bonito, carrega títulos como Liga dos Campeões 2012-2013, e melhor goleiro do mundo 2013-2014-2015.

Definir o melhor goleiro da história recente é uma tarefa árdua e, sem dúvidas, também sem resposta. Não há como olhar unicamente para gols defendidos e esquecer das gramas que, ocasionalmente, engoliram, das derrotas que sofreram, mas que de alguma forma, fortaleceram para futuras estratégias.

O zagueiro, ou volante, ou médio ou a ponta podem falhar, só o goleiro tem de ser: infalível. E custe o que custar. A grama sempre mais desgastada na área no gol, e o julgamento, quando de vilão, muitas vezes sem parâmetros justos com goleiros como esses, Casillas, Buffon e Neuer, porque existe a necessidade, totalmente dispensável, de comparativos, que generaliza algo que não se pode fundir. Cada um é excelente de sua maneira.

Sejamos justos para entender o conjunto de qualidades do que torna cada um, excepcionais goleiros, e o que, individualmente, faz Casillas, Buffon e Neuer dividirem o título de O Melhor Goleiro, e deixar para trás o conceito injustode, se um goleiro defende tudo é o herói. Se não consegue pegar uma finalização um pouco mais difícil, torna-se o vilão.

Aqui foi apenas uma tentativa, mais justa do que os goleiros estão acostumados. Mas fique à vontade para decidir (aliás, se conseguir me avise) entre herói e vilão, melhor ou pior. O que se pode definir é que, um time sem goleiro não é nada. Que goleiro é feito também dos gols que toma e de pênaltis que perde. Casillas, Buffon e Neuer já foram tanto heróis quanto vilões, mas que por hora, estão apenas entre os melhores do mundo.

Leticia Soares
Letícia Soares, 21 partidas completas pela vida. Estudante de jornalismo, que já estudou gastronomia e que ama também áreas da psicologia. O que isso tudo tem em comum? Nada. Simplesmente descobriu a paixão pelo futebol por um ex-namorado que era fanático pelo jogo. O relacionamento teve fim, mas o amor pela bola, continua prosperando a cada partida que assiste.

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