Em todos os lugares do mundo, quando se fala em futebol, há um clássico. Ora sendo de rivais locais, ora de grandeza, todo país em que a bola rola pelos gramados, existe um Derby. Na Alemanha não é diferente, aliás, é no país germânico que a palavra é usada da melhor forma.

Geograficamente, o território alemão foi “criado” para clássicos, com times muito próximos (territorialmente) uns dos outros. Entretanto, nenhum confronto prende mais a atenção do que Borussia Dortmund e Schalke 04. Com apenas 30km separando duas das principais equipes do país, e um rio interligando-as, não se pode esperar nada menos do que uma guerra.

Placa na cidade de Gelsenkirchen mostrando as direções da Veltins Arena (estádio do Schalke), e a cidade do maior rival. (Foto: GettyImages)

Antes de falarmos do jogo, vamos à história das equipes. Além da proximidade das cidades, o ano de criação de ambas é muito próximo, sendo o Schalke de 1904, enquanto o Dortmund de 1909. Os azuis reais foram criados por estudantes, já os auri-negros, por um grupo de jovens católicos, na antiga Prussia. Inclusive, o nome Borussia remete à extinta região, muito conhecida no século 19.

Se em campo há diferenças gritantes, historicamente (e também gritante) há semelhanças. A cidade de Gelsenkirchen foi fundada por trabalhadores de indústrias mineradoras. Do mesmo modo em que Dortmund abrigava trabalhadores de empresas de aço. Logo, a mão operária sempre foi presente na vida das duas equipes.

Mas, os triunfos ficavam apenas de um lado: o dos mineradores. De 1936 até 1942, os azuis conquistaram sete títulos, atraindo a atenção de um personagem bastante conhecido historicamente: Adolf Hitler. Inclusive, há relatos de que a equipe de Gelsenkirchen recebeu ajuda financeira do partido alemão, na época, se tornando ainda mais poderoso.

Jogadores do Schalke fazendo a famosa saudação nazista.

Se por um lado, um time tinha apoio do líder da nação, do outro nem tanto. Após a instauração do nazismo na Alemanha, muitas instituições tiveram que ser comandadas pelo exército e por Hitler. Contudo, os prussianos não “arredaram o pé”, batendo de frente contra o poder. Infelizmente, a luta foi em vão, fazendo com que a Gestapo (polícia secreta nazista) assassinasse boa parte dos fundadores, controlando, assim, a equipe.

Após o fim da guerra, e com o país devastado, o poder e o dinheiro que o Schalke tinha, foi perdido. Ou seja, era o “início do fim” de um comando azul, nas pelejas germânicas. Foi ai que, em 1947, o primeiro título viria a Dortmund. Os auri-negros venceram os azuis reais por 3 x 2 e conquistaram seu primeiro torneio, a Copa da Vestafália. Dando início ali, à uma das maiores rivalidades mundiais.

Borussia Dortmund em 1947, ano em que conquistou seu primeiro título.

A vitória fez com que a hegemonia azul saísse da Alemanha, apimentando ainda mais o confronto. De lá pra cá, internacionalmente, os amarelos e pretos foram superiores. Além de vencer a Champions League, também foi o primeiro time alemão a conquistar um torneio europeu. Enquanto o lado azul, ainda está na fila para conquistar a Europa.

Borussia levantando a taça da UEFA Champions League, em 1997. 

Realmente, não é uma partida qualquer. Há muita coisa em jogo. Dignidade, hegemonia e o comando da região. O Revierderby, claramente, é a mãe de todos os clássicos. O ódio é tanto, que torcedores preferem vencer o clássico a ser campeão. A questão deixa de ser futebol, e vira obsessão.

RETROSPECTO 

Se pudéssemos definir o confronto em uma palavra, com certeza seria o equilíbrio. Isso se deve pois até em números de títulos as equipes são próximas. Ao todo, o Schalke conquistou 19 títulos, contra 20 do Borussia. Nos confrontos ainda mais, com 32 vitórias ao Dortmund, 31 aos azuis reais e 29 empates.

Igor Tonetti
Amante do maior espetáculo da Terra, da maravilha, que não é considerada umas das sete mundias, mas, se nela estivesse, seria a principal. Como todo brasileiro, a paixão pelo futebol vem de berço. Sem muito sucesso com os pés, decidi trilhar meu caminho através das mãos, só que, ao invés de luvas, uso apenas papel e caneta. Busco sempre informar, sem medo de mostrar minha opinião e, também sem medo, de mudar quando assim for necessário.

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