A problematização dos treinadores

Dizem que em solo brasileiro, seja na seleção nacional ou nos clubes, nunca teremos um treinador com trabalho tão duradouro quanto ao de Sir Alex Ferguson, que esteve à frente do Manchester United por mais de 25 anos ou Arséne Wenger, que comanda o Arsenal por quase duas décadas. Nem mesmo algum trabalho semelhante ao do competente Jürgen Klopp, treinador do Borussia Dortmund de 2008 ao primeiro semestre de 2015, parece ser possível.

Oswaldo de Oliveira e Levir Culpi foram as penúltimas “vítimas” da dança infernal dos treinadores brasileiros. O primeiro foi demitido após o Flamengo despencar na tabela e abandonar a briga pela Libertadores. Já Levir, aos prantos e visivelmente emocionado, foi desligado do Atlético Mineiro após conquistar a Copa do Brasil e a Recopa Sul-Americana de 2014 além de levar o clube ao vice-campeonato brasileiro deste ano. Campeonato, inclusive, que contabilizou nada menos que 35 demissões, absoluto recorde negativo. Apenas o campeão Corinthians promoveu a manutenção de seu técnico do começo ao fim do ano.

Muitos bons profissionais caíram, com ou sem justiça. Milton Mendes, demitido pelo Atlético-PR. Doriva, desligado por Vasco e depois São Paulo. Diego Aguirre, derrubado do Inter. Marcelo Oliveira, do Cruzeiro. A lista é longa e implacável.

Não que os clubes sejam sempre os responsáveis. Em abril, Muricy Ramalho deixou São Paulo por motivos de saúde, em comum acordo com a já conturbada diretoria. Já Mano Menezes abandonou o Cruzeiro devido proposta milionária do futebol chinês. A Raposa não só contava com sua permanência como também sonhava com um planejamento de médio à longo prazo, com pelo menos 3 anos de contrato para o gaúcho.

Seja por falta de paciência ou ânsia por resultados proveniente de nossa cultura imediatista, o alto número de demissões de técnicos precisa ser reduzido. Assim como os recentes escândalos na alta cúpula da CBF precisam de esclarecimento, a questão dos técnicos deve ser revista pelos cartolas e dirigentes dos clubes. Mais demissões apenas prejudicam os cofres dos já endividados clubes.

E principalmente o espetáculo.

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Sobre Vinícius Deguar

Vinícius Deguar já escreveu 26 posts nesse site..

Jornalista de 23 anos e estudante de Comunicação Social na UNG/SP, escrevo para o Site Futebol na Veia desde novembro de 2015 e sou especializado no núcleo do futebol paulista, cobrindo principalmente o cotidiano dos quatro grandes do estado de São Paulo. Aprendi como um time deve jogar bola vendo o Barcelona holandês-catalão de Cruiff, Rijkaard, Davids, Overmars e cia. limitada. Possuo o futebol em minhas veias desde criança. Contato: viniciusdeguar@aim.com

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Vinícius Deguar
Jornalista de 23 anos e estudante de Comunicação Social na UNG/SP, escrevo para o Site Futebol na Veia desde novembro de 2015 e sou especializado no núcleo do futebol paulista, cobrindo principalmente o cotidiano dos quatro grandes do estado de São Paulo. Aprendi como um time deve jogar bola vendo o Barcelona holandês-catalão de Cruiff, Rijkaard, Davids, Overmars e cia. limitada. Possuo o futebol em minhas veias desde criança. Contato: viniciusdeguar@aim.com

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