Portugal campeão: o herói improvável e a coroação de um ídolo

França e Portugal entraram em campo para decidir a Eurocopa em solo francês. Didier Deschamps de um lado, Fernando Santos do outro. Griezmann de um lado, Cristiano Ronaldo do outro. Nos minutos iniciais, nada além do esperado: o time francês foi para cima, encurralou a seleção portuguesa no campo defensivo e só não saiu na frente do placar graças a Rui Patrício, que viveu tarde iluminada.

Aos sete minutos, porém, o inesperado: Cristiano Ronaldo recebeu na ponta esquerda, dominou, mas sofreu uma entrada forte do meio-campista Payet. O capitão português contorcia-se no gramado, o semblante era de dor. A lesão era nítida. O líder da seleção portuguesa desabou no gramado, chorando. No telão do estádio, uma imagem de repercussão mundial: lágrimas de quem não gostaria de sair e abandonar sua equipe. Lágrimas de quem veste a camisa de seu país com amor e tem fome de conquistas.

Cristiano Ronaldo bem que tentou voltar. Em seu joelho direito, uma proteção. Mas em uma arrancada, aos vinte e três minutos, o gajo caiu novamente. Era esse o golpe final. De maca, o camisa sete saiu ovacionado por franceses e portugueses.

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O primeiro tempo deixou a desejar. Após a pressão inicial, a França parou de criar. Portugal nada criou. Rui Patrício salvou o time luso e Sissoko era o melhor em campo.

Na segunda etapa, os Bleus mostraram-se apáticos e, por conta disso, Portugal cresceu no jogo. Griezmann teve a chance, aos vinte minutos, mas não marcou. Giroud tentou, mas parou em Rui Patrício. A resposta portuguesa veio com Nani, que cruzou e obrigou Lloris a afastar parcialmente, e Quaresma, que finalizou de voleio, mas nas mãos do arqueiro francês.

Aos 33 minutos da etapa complementar, Renato Sanches – um dos melhores jogadores dessa Eurocopa – deu lugar ao atacante Eder. Mas deixemos o atacante para daqui a pouco. Nos acréscimos, Gignac recebeu dentro da área, deixou Pepe no chão e bateu na saída de Rui Patrício. A bola, caprichosamente, bateu na trave. Hora de um dos clichês mais conhecidos no futebol: sorte de campeão.

Após o final do segundo tempo, Cristiano Ronaldo voltou ao gramado e cumpriu seu papel de líder: abraçou os jogadores e procurou incentivá-los. A emoção e a ansiedade eram visíveis no rosto do craque.

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Durante a prorrogação, um cenário totalmente diferente do início da partida. A França acuou-se em seu campo de defesa e Portugal passou a mandar no jogo. Aos dois minutos do segundo tempo da prorrogação, Raphael Guerreiro cobrou uma falta com maestria, mas a bola tocou no travessão. No minuto seguinte, portugueses ao redor do mundo soltaram o grito entalado na garganta há anos: Eder, na força física, ganhou de Koscielny, ajeitou o corpo e disparou com a perna direita da intermediária do ataque português. A bola foi no canto direito de Lloris, que se esticou, mas não conseguiu evitar o gol.

Eder, atacante que entrou e mudou o jogo para Portugal. Jogando como pivô entre os defensores franceses, deu suporte aos ataques da equipe de Fernando Santos. Eder, o atacante que não marcava gols há três meses. Eder, o herói improvável.

Portugal's forward Eder (2nd L) celebrates with Portugal's midfielder William Carvalho (3rd R), Portugal's defender Pepe (2nd R) and Portugal's midfielder Joao Mario (R) the team's first goal during the Euro 2016 final football match between France and Portugal at the Stade de France in Saint-Denis, north of Paris, on July 10, 2016. / AFP PHOTO / FRANCK FIFE

A França estava entregue. Portugal vivia um sonho. Das arquibancadas, a torcida lusa gritava o nome de Cristiano Ronaldo. Portugal se segurou nos minutos finais e sagrou-se campeão da Eurocopa. Após o apito final, as câmeras focalizaram Cristiano Ronaldo, que visivelmente emocionado, não conseguiu segurar o choro. Em 2014, contra o Atlético de Madrid, jogou lesionado, mas foi campeão. Em 2016, contra o mesmo rival, também lesionado, outro título. Ainda neste ano, outra lesão. Desta vez, Cristiano deixou o campo, mesmo contra sua vontade. Mais uma vez, um título.

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Cristiano Ronaldo escreveu seu nome na história. Foi ele o responsável por erguer a taça de um título inédito para seu país. O gajo não escondia de ninguém a vontade de ser campeão vestindo a camisa de seu país. Em 2004, quando ainda era coadjuvante e sua seleção foi derrotada pela Grécia na final, lágrimas de decepção, de tristeza. Em 2016, como protagonista e capitão, lágrimas de emoção, de realização.

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André Siqueira Cardoso
André Siqueira Cardoso
Sou André Siqueira Cardoso, tenho 21 anos. Aluno de jornalismo da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP), atualmente trabalho em VEJA, com a cobertura do noticiário político. Apaixonado por esportes, jogador de futebol até hoje, tenho o sonho de cobrir uma Copa do Mundo.

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