Platini

Não é novidade que a França é tradicionalmente um celeiro de grandes craques que fizeram história e encantaram o mundo com seu futebol. Com dribles plásticos, finalizações precisas e muitos gols, Michel Platini foi uma dessas estrelas que, de vez em quando, surgem e encantam uma legião de fãs do esporte bretão. Por isso, a coluna Além dos Bleus de hoje é dedicada a ele, o Rei da França, considerado um dos maiores jogadores do século XX.

Filho de imigrantes italianos, Michel François Platini nasceu em Joeuf no dia 21 de junho de 1955. Desde cedo ele mostrava ser um talentoso meio-campista, de tal forma que chamava a atenção em torneios locais. Contudo, seu sonho de se tornar um jogador quase não se concretizou. Isso se deve ao fato de que, em 1971, após Platini fazer seu primeiro teste no Metz – seu time de coração -, o clube optou por dispensá-lo devido a limitações físicas. Exames apontavam que o craque tinha baixa capacidade pulmonar e cardíaca.

No entanto, o sonho de Platini continuava vivo, o que o levou a tentar uma nova chance no Nancy, clube da segunda divisão francesa. Pela equipe, ele não só conquistou a Division 2 na temporada 1974/75, mas também foi campeão da Copa da França em 1977/78. Seu desempenho nos Chardons o levou a disputar a Copa do Mundo de 1978 e, no ano seguinte, a se transferir para o Saint-Étienne, por onde levantou a taça da Division 1 em 1980/81, a 10ª da história dos Vert et Blanc, que até hoje detém o maior número de títulos nacionais no país.

SUCESSO NA TERRA DOS PAIS

Embora tenha brilhado em solo francês, Platini passou a ter ainda mais projeção na terra de seus pais, a Itália. Devido a sua grande passagem pelo Saint-Étienne, o meia chamou a atenção da Juventus, para onde se transferiu em 1982. Foi atuando pela Velha Senhora que ele conquistou, nos anos de 1983, 1984 e 1985, a Bola de Ouro, prêmio que elege o melhor jogador do mundo.

Além dos prêmios individuais, Platini colecionou títulos pela Juventus. Ao todo, foram sete taças em cinco anos no clube, dentre elas a da Champions League, da Serie A duas vezes e a da Copa Intercontinental. Nessa época, o meia também viveu sua fase mais goleadora da carreira e conquistou quatro artilharias pela equipe.

Nas temporadas de 1982/83, 1983/84 e 1984/85, foi o artilheiro do campeonato italiano, com 16, 20 e 18 gols marcados  respectivamente. Junto a isso, o meio-campista também foi o maior goleador da Liga dos Campeões em 1984/85, com sete tentos anotados.

SELEÇÃO FRANCESA

Também na década de 80, Platini brilhou pela seleção francesa e a levou a um patamar inédito até então. Sendo o principal jogador do time, ele levou os Bleus a duas semifinais de Copa do Mundo, em 1982 e 1986. Além disso, em 1984 o craque deu ao país seu primeiro título da Eurocopa, a primeira conquista de grande expressão na história da França. Junto a taça do torneio continental, o meia também foi premiado com a artilharia da competição, com nove gols marcados em cinco jogos. 

CARREIRA ALÉM DAS QUATRO LINHAS

Em 1987, aos 32 anos, Platini decidiu pendurar as chuteiras em razão de problemas físicos que enfrentava. No entanto, o agora ex-jogador não abandonaria o futebol. Um ano depois, ele assumia o cargo de treinador da seleção francesa, posto que ocupou por quatro anos. Em 1992, após cair na primeira fase da Eurocopa, foi demitido do comando técnico dos Bleus.

Depois do fracasso como treinador, Platini tornou-se dirigente. Sua primeira experiência na área administrativa do esporte foi quando participou do Comitê Organizador da Copa do Mundo de 1998, realizada na França. Em 2007, o ex-meia foi eleito presidente da UEFA, e ficou no cargo até 2016, quando foi banido do futebol por quatro anos após um escândalo de corrupção. Mais recentemente, em 2019, Platini foi preso em Paris acusado de fraudes na eleição do Catar como sede da Copa do Mundo de 2022.

Ainda que os escândalos de corrupção tenham manchado a imagem do astro, sua história dentro das quatro linhas permanece ilibada. Certamente, Platini foi um grande jogador que encantou e inspirou milhares de amantes do esporte mais popular do planeta e, por isso, merece ter seu nome citado entre os grandes craques de todos os tempos.

Foto Destaque: Reprodução/FIFA

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Victor Barreto

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