Primeiramente, o Brasil já pode ser caracterizado por um país que demora demais para dar o primeiro passo. Apenas em 2010 o povo brasileiro teve sua primeira presidente mulher, Dilma Roussef. Agora, em 2021, os torcedores da Seleção Brasileira de Futebol Feminino tem a primeira técnica. Portanto, o Rasgando o Verbo traz Pia Mariane Sundhage, treinadora sueca de 61 anos e lésbica.

Em 2019, após a Copa do Mundo de Futebol Feminino, foi anunciada como treinadora da Seleção Brasileira de Futebol Feminino, tornou-se a primeira estrangeira a assumir o comando do time. Pia assumiu a seleção em julho, e desde então soma 13 jogos, oito vitórias, quatro empates e uma derrota. Com ela no comando, o Brasil ocupa a 8° posição no ranking das seleções.

A princípio, a reação dos torcedores com a notícia de ter uma mulher comandando o time feminino, foi ótima. Porém, talvez os brasileiros, no começo, tivessem preferido alguém de casa. Mas, não demorou muito, Pia conquistou o carinho da dos torcedores da seleção brasileira.

Todos amam Pia

Em entrevista à UOL São Paulo, Pia disse: “me chame de Pelé“. A treinadora é fã do rei do futebol brasileiro, e quer muito levar a seleção feminina ao ouro olímpico.

De antemão, os brasileiros são conhecidos por serem simpáticos e calorosos. Parece que Pia, só é sueca na certidão. Há pouco mais de um ano no comando da Seleção Feminina, a técnica admite amar o calor e as músicas de Alceu Valença. Meses atrás, até viralizou nas redes em um vídeo em que canta “Anunciação” do cantor pernambucano, e em outro momento, dançando “Cheia de Manias” do grupo Raça Negra.

Apesar de falar pouco português, tem um olhar firme e um rosto que transmite confiança e sabedoria. Um prato cheio pra se inspirar.

Ademais, não somente pelo fato de trabalhar com o futebol feminino, Pia sempre faz questão de reconhecer o quanto ele vem crescendo. Ela afirma que quando nasceu, não tinha nem espaço pra bola estar nos pés de uma mulher, mas que sentia que um dia, sairiam gols dos pés dela. Hoje em dia, ela se orgulha de o futebol feminino começar a ser visto de forma equivalente a sua grandiosidade.

Desde que soube sobre a seleção brasileira estar sem treinador, Pia já ouvia boatos sobre uma possível proposta. Logo depois, o que era boato se tornou realidade. De acordo com a entrevista, ela disse que:

“Começou com um boato. As pessoas me perguntavam ‘você vai se mudar para o Brasil?'. E eu ficava ‘mas do que você está falando?'. Porque eu treinava a seleção sub-16 na Suécia e era isso. Até que recebi uma ligação do Marco Aurélio Cunha, que falou sobre a vaga e me perguntou se eu tinha interesse. Eu disse que sim sem nem perguntar mais nada, porque se você recebe uma proposta do país do futebol, tem que dizer sim.

“Trabalhar no Brasil é um sonho distante”

A sueca trata o país com muito carinho, demonstra amor e respeito pela história que o Brasil tem no futebol. Pia já passou por times da Suécia, Itália e Estados Unidos. Mas quem diria, que aqui seria o seu sonho de criança? Estar a frente do futebol feminino brasileiro parecia um sonho muito distante, mas que ela adorou ter realizado.

Acima de tudo, quando fala em Brasil, qualquer estrangeiro pensa automaticamente em duas coisas: calor e carnaval. Para Pia, a palavra que melhor define o país seria calor. Isso se deve ao fato não somente do clima quente na maioria das regiões e na maior parte do ano, mas ao calor humano, a alegria.

O brasileiro já passa por poucas e boas no futebol, e atualmente, o futebol feminino em especial tem sido motivo de muita alegria. Ter a frente da Seleção Feminina alguém como Pia, generosa, experiente e alegre, é um refresco muito bom.

Para finalizar, uma fala da treinadora rebatendo o jogador Zatlan Ibrahimovic, que pode ser estendida à todos os campos da vida para as mulheres brasileiras que sonham com o futuro no futebol:

“É muito triste para o futebol sueco quando o capitão da seleção do país [Suécia] coloca as coisas dessa forma. Outro dia ele disse que nós somos fantásticas, e agora diz isso? Parece contraditório. Penso que ele está totalmente errado. Entendo quando ele diz que o futebol masculino gera mais dinheiro e tem mais exposição, mas é uma questão de respeito. Nós fazemos a mesma atividade, jogamos futebol.” PiaSundhage, em entrevista a TV sueca STV (2013).

Foto Destaque: Reprodução/ CBF 

Cler Santos
Cler Santos
Eu escolhi jornalismo pois além de muito faladeira, semrpe fui uma leitora voraz. Um belo dia vendo Globo Repórter, eu disse a minha mãe que queria viajar muito como a Glória Maria, e ela me disse " então tem que ser jornalista ". É meu objetivo desde então. Já tive experiência de escrever no jornal da escola, estive sempre entre os primeiros lugares nos campeonatos de texto. Em jornalismo mesmo, participei como redatora voluntária para o site " dicas de jornalismo " por cerca de 1 mês na editoria de cultura, em que escrevi sobre mulheres negras, público LGBTQIA+ e veganismo negro. Além disso, já entrevistei e escrevi sobre o radialista de esportes Emerson Pancieri, E a jornalista do MGTV, Cláudia Mourão. Produzi 2 podcasts em grupo, um sobre um time de rugby paraolímpico, e outro sobre semiótica, jornalismo e o caso de Mariana Ferrer. Por fim, participei de uma propaganda sobre a importância do jornalismo para a comunidade com a âncora do MGTV Aline Aguiar.

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