Precisando reverter a vantagem dos iranianos do Persepolis, amanhã (23), terça-feira, às 12h (horário de Brasília), os qataris do Al-Sadd terão de desafiar a história e fazer o que não foi feito em seis anos: derrotar Persepolis em uma partida continental no Estádio Azadi. Afinal, em 1º de maio de 2012 foi a última vez que os gigantes ​​iranianos foram derrotados na competição do AFC, quando perderam por 1 x 0 para o Al Hilal, da Arábia Saudita. Desde então, o Artesh-e-Sorkh ficou invicto em 15 partidas em três campanhas separadas, vencendo dez delas, incluindo as cinco que jogou no Azadi este ano.

Persepolis

Os homens de Branko Ivankovic parecem ter aprendido a lição da derrota por 3 x 1 frente ao Al-Sadd na segunda rodada da fase de grupos, pois construíam o seu plano de jogo em torno de uma defesa firme. Eles cederam a posse aos qataris e preferiram a eficiência, ao jogar por uma bola. Foi uma aposta arriscada e vencedora, pois, além de apenas 32% de posse de bola, tiveram apenas dois chutes ao gol rival e sofreram um massacre com 16 chutes e seis em sua meta, além de mais do dobro de passes trocados dos qataris: 527 x 260.

Apesar de todo o sucesso no seu país, com um recorde de 11 títulos iranianos, o Persepolis não teve muita alegria no cenário continental, ao contrário dos arquirrivais e bicampeões asiáticos Esteghlal Tehran. Depois de cair na mesma fase no ano passado, quando foram eliminados pelo Al Hilal, o clube de Teerã não terá falta de motivação para ir à final pela primeira vez em sua história. No papel, pode parecer que Branko Ivankovic não tem tanta qualidade e estrelas à sua disposição se comparado a seu homólogo do Al Sadd, Jesualdo Ferreira, mas Persépolis tem o hábito de provar que seu grupo é maior do que as individualidades do adversário.

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Os locais tem um goleiro que é um dos melhores da Ásia, Alireza Beiranvand. Depois de uma memorável Copa do Mundo da FIFA, onde fez parte do heróico time iraniano que quase chegou à fase eliminatória e até mesmo salvou um pênalti contra Cristiano Ronaldo, o arqueiro está com sua reputação alta e foi um dos fatores cruciais para segurar o forte ataque qatari no jogo de ida. O capitão Jalal Hosseini continua a ser uma figura inspiradora no coração da defesa aos 36 anos de idade. Além disso, o ataque tem dois atacantes que dão dores de cabeça as defesas, com Ali Alipour e Godwin Mensha, combinando oito dos 16 gols do seu time na Champions nesta temporada.

“Eles sabem como é importante chegarmos à final e que têm uma grande chance, mas estou ciente de que, se não chegarmos à final, as reações serão como se não tivéssemos feito nada. Repito que as equipes que chegam às semifinais estão de parabéns. O último campeão, o Al Hilal, nem chegou à fase de grupos. Estamos muito orgulhosos dos nossos jogadores. Queremos aproveitar o jogo amanhã e deixar nossos fãs e famílias felizes. Convido todos para assistir ao jogo para desfrutar de um belo show. De acordo com as informações que tenho, e não sei se está correto, Persepolis nunca jogou no Estádio Azadi nas semifinais da Ásia. Então, amanhã, eu espero um belo show no campo e também nas arquibancadas, falou o técnico Branko Ivankovic.

Provável escalação: Alireza Beiranvand; Rabikhah, Hosseini, Khalilzadeh e Shayan Mosleh; Nourollahi, Siamak Nemati e Resan; Mensah, Alishah e Ali Alipour. Técnico: Branko Ivanković.

Al-Sadd

Mas, mesmo diante do retrospecto de favorito em casa, se tem uma equipe com qualidade suficiente para quebrar a invencibilidade de seis anos dos iranianos casa é o Al-Sadd. A equipe tem qualidade em todo o campo, mas é impossível não olhar para o lendário maestro espanhol Xavi, que está tentando se tornar o primeiro jogador a vencer a Liga dos Campeões na Europa e na Ásia. Considerado um dos melhores meio-campistas centrais de todos os tempos, com exímia visão de jogo, distribuindo passes precisos e com um controle de bola absurdo, o meio-campista ainda não tem este título. O espanhol já tem um gol e quatro assistências nesta competição.

O principal beneficiário das formas criativas de Xavi no último terço é o atacante argelino Bagdá Bounedjah, artilheiro da competição com 12 gols. Porém, o time é bem completo e tem outras estrelas que podem definir a partida. Akram Afif é um jovem atacante qatari, rápido, ambidestro e habilidoso. Além deles, o meio-campo tem a excelente capacidade de combate, com forte marcação e roubadas de bola do espanhol Gabi.

O técnico português do Al-Sadd, Jesualdo Ferreira, acredita que o Al-Sadd criará uma história se conseguir reverter o déficit de um gol contra, pois a equipe do Qatar, que venceu a competição em 2011, foi melhor na primeira partida em Doha, mas perdeu em casa pela primeira vez na atual campanha, depois que um pênalti de Ali Alipour:

“Fomos a melhor equipe na primeira partida, mas eles venceram o jogo. Queremos estar na final e não temos outra opção a não ser derrotar Persépolis. A partida de amanhã será difícil para ambas as equipes e nossos jogadores sabem que devem lutar até o apito final. Espero que as decisões do árbitro não sejam contra nós. Quando a partida começar, faremos tudo o que pudermos para vencer, é por isso que estamos aqui, é muito simples, e o Persépolis também quer vencer”.

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Provável escalação: Barsham; Ismail, Ró-Ró, Khoukhi e Hassan; Gabi, Jung Woo-Young e Xavi; Aboubaker Essa (Ali Asad), Baghdad Bounedjah e Akram Afif. Técnico: Jesualdo Ferreira.

Retrospecto

Antes do primeiro embate, as equipes já haviam se enfrentado uma outra vez, também nesta Champions League, pela fase de grupos, quando cada um venceu em sua casa. No Qatar, vitória do Al-Sadd por 3 x 1. No Irã, vitória do Persepolis por 1 x 0. Neste grupo C, o Persepolis se classificou em 1º lugar, após vencer o próprio adversário na última partida da fase de grupos e roubar a liderança dos qataris, que avançaram, mas na 2ª posição.

Eric Filardi
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