Pelé 81: Vida longa ao Rei

Ninguém marcou tantos gols na carreira. Ninguém foi mais completo, mais jogador e mais profissional. Também ninguém conquistou três Copas do Mundo. Ninguém fez tanta gente sorrir, ninguém. Além disso, ninguém jamais chegou perto das façanhas e do encanto de Pelé (e nem vai), pois como disse o seu ex-companheiro Pepe: ”Não é da terra, veio de outra galáxia”. Assim, mudou a própria evolução tática do futebol, já que por sua causa foram criadas funções até então inexistentes, como, por exemplo, o cabeça-de-área. Desse modo, neste sábado (23), a coluna Parabéns ao Craque homenageia o maior de todos.

TRAJETÓRIA

Foram 1.283 gols, sendo 11 vezes artilheiro do Campeonato Paulista (1957-1965, 1969 e 1973) e três do Brasileirão (1961 e 1963-1964), além de maior artilheiro da Seleção Brasileira, com 77 gols. Assim, o futebol de Pelé era de uma objetividade sem igual, não permitindo enfeites ou firulas. Driblar, é claro que driblava. E como! Mas sempre em direção ao gol.

Ambidestro, chutava com perfeição, tinha ótima visão de jogo, cabeceava de olhos arregalados e, antes de a bola chegar, já sabia como tratá-la. Se tentavam derrubá-lo, seguia firme, cabeça erguida. Tinha uma musculatura formidável, tanto que, apesar de inúmeras botinadas de zagueiros, deitou-se em uma mesa de cirurgia somente aos 58 anos, devido a um problema no joelho direito.

Nota 10 em todos os fundamentos. Pelé, sim, nasceu sabendo. De futebol, de humildade, de garra e obsessão pela vitória sempre. Juntou tudo isso de uma vez só na Copa de 1970, principalmente na decisão, 4 x 1 contra a Seleção Italiana.

No primeiro gol pela Canarinho, o cruzamento veio lá em cima e, para complicar, estava bem marcado. Mas subiu igual a um foguete, olhou a bola nos olhos e lhe deu uma pancada para o fundo das redes. Assim, no terceiro, quando ela chegou, já havia feito a jogada mentalmente umas dez vezes – ou seja, dar um toque de cabeça preciso antes de Jairzinho, livre no meio da área.

Por fim, no quarto gol, apenas ouviu a corrida de Carlos Alberto Torres pela direita, passando-lhe a bola com muito afeto, carinho e no ponto certo. Brasil tricampeão, gramado invadido e os súditos deixaram o Rei quase pelado. Já no Peixe, foi hexa do Brasileirão e bicampeão da Libertadores.

“Posso ser um novo Di Stéfano, mas não posso ser um novo Pelé, o único que ultrapassa os limites da lógica”, disse Johan Cruyff, craque da Holanda, a Laranja Mecânica, na Copa de 1974.

Foto Destaque: Reprodução/Luiz Paulo Machado/Revista Placar

Renan Silva
26 anos, natural de Osasco. Graduado em Jornalismo pelas Faculdades Integradas Rio Branco. Apaixonado por Esportes e Rock n Roll, durante a infância jogou Futebol de Salão e na adolescência praticou Artes Marciais. Sempre teve gosto pela leitura, sendo um fã assíduo das revistas TATAME e PLACAR (da qual possui coleção até hoje).