Peaky Blinders - Conheça a Seleção Cigana: a família Shelby da vida real

A famosa série da BBC, Peaky Blinders, que conta a história de uma família criminosa e cigana, Shelby, de Birmingham, na Inglaterra, chegou em outubro de 2017 ao streaming da Netflix. Mas foi no final de 2019 que a série teve seu boom. Com visual peculiar, abordagem de religião, política, movimentos sociais e economia, o enredo ganhou o público. Com boas e sutis referências ao futebol britânico, o Futebol na Veia trouxe, na coluna Reino Unido pelo Futebola Seleção Cigana, a verdadeira família Shelby de Peaky Blinders, mas da vida real.

O primeiro Peaky Blinders do futebol

O primeiro cigano, ou famoso cigano, a se juntar ao time de futebol de seu país foi Rabbi “Raby” Howell, ou simplesmente Rab Howell, da Inglaterra. O pequeno zagueiro (também lateral-direito) do Sheffield United (altura 165 cm, peso 57 kg) vestiu pela primeira vez o famoso uniforme da Seleção Inglesa em 9 de março de 1895, em uma partida contra a Irlanda. Foi uma estreia vitoriosa. Os ingleses venceram por 9 x 0 e Howell marcou um gol. Sua segunda e última aparição se deu em uma vitória contra a Escócia quatro anos depois. Ele sempre teve orgulho de sua herança Romani (língua falada pelos ciganos).

À época, os jornais diziam: “Um cigano de nascimento, talvez deva parte de sua vitalidade inesgotável à sua afortunada linhagem. Certo é que nenhum homem é mais incansável que Howell”. Rab se mostrava um verdadeiro Peaky Blinders no quesito comportamento. Frequentemente entrava em conflito com a hierarquia do clube, que impunha rígidos códigos de conduta aos seus jogadores. Regularmente Howell aparecia perante o Comitê de Futebol sob a acusação de “má conduta”. Mas, feito um Shelby, revertia a situação e isso resultava numa oferta de aumento salarial e, no máximo, com uma solicitação de “consertar suas maneiras”.

Após cinco anos no Sheffield, se transferiu ao Liverpool, de maneira misteriosa, onde jogou por mais 68 partidas. Uma provável explicação para sua saída repentina é seu caso extraconjugal. Supostamente, teria montado outra família em Lancashire depois de partir para Liverpool. Tal escândalo na época vitoriana teria sido abafado. Por fim, três anos depois, mudou-se para Preston North End, onde sua carreira foi encerrada por causa de uma perna quebrada em 1903. Se tudo isso não faz de Rab Howell um Peaky Blinders do futebol, eu não sei o que faz!

https://twitter.com/fnvbr/status/1339617146083696641?s=20

Peaky Blinders – Conheça a Seleção Cigana: a família Shelby da vida real

A Seleção Cigana existe de verdade, mas não pode jogar em nenhum dos torneios da FIFA por não ser filiada a nenhuma confederação pertencente a FIFA. No entanto, é afiliada à ConIFA (Confederação de Futebol de Associações Independentes), e jogou na Copa Europeia ConIFA. Porém, como os jogadores profissionais são ciganos por raiz, costume, tradição, religião e não pátria, atuam pelas seleções de sua nacionalidade. Contudo, o FNV separou uma seleção composta por jogadores declaradamente ciganos. Entretanto, não vamos fugir da raia e linkaremos os jogadores aos personagens da série.

Seleção Cigana
Seleção Cigana

1 – Damir Kahriman

O nome pode não ser dos mais famosos, mas localmente tem sua importância. Damir Kahriman esteve entre os goleiros cotados para jogar a Copa do Mundo de 2010 e 2014 pela Sérvia. Porém, em 2010 não foi convocado e em 2014 sua Seleção não chegou à Copa. Mas foi figura constante em convocações entre 2008 e 2016. Contudo, fez apenas oito jogos pela Seleção.

Curiosamente, chegou à Seleção após chegar à final da Euro Sub-21 com a Sérvia, em 2007, sendo escolhido como melhor goleiro do torneio. Seu auge foi no Estrela Vermelha, entre 2014 e 2018, onde conquistou dois Campeonatos Sérvios. Kahriman claramente seria a tia dos Shelby, Polly Gray. Isso porque é o goleiro, quem dá segurança por trás da equipe, assim como Polly faz ao proteger sua família, principalmente na ausência de Thomas, o líder.

https://twitter.com/fnvbr/status/1339640050154401803?s=20

2 – Jesús Navas

Inicialmente como ponta-direita, mas cada vez mais se firmando como lateral-direito, Navas é conhecido do cenário atual do futebol. O espanhol passou uma era no Sevilla, foi para o Manchester City, ficou quatro anos (ganhou uma Premier League e duas Copas da Liga Inglesa), e voltou ao Sevilla, onde reencontrou seu melhor futebol e está até hoje.

Ganhou a Liga Europa por três vezes com o Sevilla, duas antes da saída e uma neste ano de 2020. Pela Seleção Espanhola foi campeão da Copa do Mundo de 2010 e da Euro 2012. Jesús Navas seria Finn Shelby, todos sabem que faz parte da família, mas é sempre mero coadjuvante.

https://twitter.com/fnvbr/status/1341821234724675590

3 – Siniša Mihajlović

Muito famoso pelas exímias cobranças de faltas e pênaltis, Siniša Mihajlović também tinha passes precisos e chutes potentes. O zagueiro sérvio, nascido na extinta Iugoslávia, começou no Vojvodina, mas teve grande sucesso no Estrela Vermelha, onde ganhou a Champions League de 1991 e o Mundial de Clubes.

Jogou também por Roma, Sampdoria, Lazio, onde ganhou a Copa e Supercopa da UEFA, duas Supercopas Italianas e uma Série A, encerrando a carreira na Internazionale, com mais títulos. Um dos maiores nomes da Sérvia, na série seria Bonnie Gold, filho de Aberama, com grande talento, precisão e técnica, mas no boxe, onde era cotado para ser campeão mundial, como foi Mihajlović no futebol.

https://twitter.com/fnvbr/status/1341823913362419713

4 – Rafael van der Vaart

Por falta de opções, tivemos que deslocar Rafael van der Vaart para a lateral-esquerda. O meio-campista canhoto foi deslocado no time assim como Esme Shelby Lee, a influenciadora esposa de John que teve de ser parte do acordo entre as famílias, Shelby e Lee, para se casar com John e levar paz para as famílias que viviam em guerra. Mas, ambos os lados são ciganos, como Rafael.

O meia holandês começou sua carreira no Ajax, onde se destacou, foi comparado a Johan Cruyff e ganhou até o Prêmio Golden Boy, de melhor jogador jovem em 2003. Teve passagens por Hamburgo, Real Madrid, Tottenham e Seleção Holandesa. Assim como Esme, van der Vaart também é esperto e influenciador, mas dentro de campo apenas. Assim como Esme, que era constantemente traída, amorosamente falando, na série, na vida real foi Rafael quem tomou a “facada nas costas”, por parte de sua esposa (já ex-esposa).

https://twitter.com/fnvbr/status/1341825237952983043?s=20

5 – Andrea Pirlo

Um dos melhores jogadores da história do futebol, Pirlo sempre jogou de terno, sendo elegante em campo e fora dele, além de extremamente inteligente, estratégico e técnico. Características perfeitas para um líder Shelby. Porém, sabemos que só um pode mandar no time e não seria Pirlinho. Tais detalhes o assemelham a Michael Gray, filho de Polly. O jovem que ajuda até a 5ª temporada, quando aparenta tornar-se vilão, um vira-casaca.

Não vamos dizer que Pirlo seja um vira-casaca como Michael, mas, passou por Internazionale, Milan e Juventus, as três maiores equipes da Itália. E chegou ao topo do mundo, como almeja Gray, ao vencer a Copa do Mundo de 2006. Só não é líder do time porque tem alguém com este poder de decisão maior que o dele.

https://twitter.com/fnvbr/status/1341826498844635136?s=20

6 – Ricardo Quaresma

Talvez um dos que mais carreguem a bandeira romani, o português Ricardo Quaresma é um atleta com muita qualidade, conhecido por ser o Rei das Trivelas, devido a usar muito tal habilidade. Passou por grandes clubes como Sporting, Barcelona, Porto, Internazionale, Chelsea, Besiktas e hoje está no Vitória de Guimarães.

É um jogador confiável e pau para toda obra, como Johnny Dogs. O meia havia marcado seu nome na história do futebol português ao vencer a Euro Sub-17 em 2000. Porém, em 2016, liderado por Cristiano Ronaldo, ganhou a Eurocopa, título inédito para a nação lusitana. Por outro lado, Dogs é um fiel escudeiro de Thomas Shelby.

https://twitter.com/fnvbr/status/1341828483698319360

7 – Éric Cantona

Maior jogador história do Manchester United, polêmico, habilidoso, Éric Cantona tem um ego do tamanho de um elefante, mas o Rei de Manchester, como se auto-denominou, chegou a rivalizar com nosso “Thomas Shelby” da lista, ironicamente. Vestiu a lendária camisa 7 dos Red Devils. Também esteve presente no último título inglês do Leeds United.

Antes de chegar a Inglaterra, ganhou dois Campeonatos Franceses com o Olympique de Marseille e uma Copa da França com o Montpellier. Na série seria Aberama Gold, um cigano que é um assassino cruel (aqui compararemos com a forma matadora de um atacante) e que chegou a competir em certo momento com Thomas Shelby.

https://twitter.com/fnvbr/status/1341830160862105609

8 – Gheorghe Hagi

Maior nome do futebol romeno, Hagi era um jogador de grande habilidade nos dribles com a perna esquerda e um espírito de liderança notório, tais quais lhe rendaram o apelido de Maradona dos Cárpatos (região da Romênia). Só do que foi dito já temos características semelhantes a Ada Thorne, nascida Shelby, uma exímia estrategista, inteligente, líder nata e, curiosamente, de esquerda, lutando contra o governo fascista da série.

Hagi foi bem sucedido no futebol, chegando a jogar por Real Madrid e Barcelona, ganhando uma Copa da España em cada um deles. No Steaua București, da sua terra natal, foi tricampeão romeno, bicampeão da Copa Romena e ainda levou uma Supertaça Europeia. Pelo Galatasaray foi tetracampeão nacional, bi da Copa da Turquia e da Supertaça. Venceu também a Taça e Supertaça da UEFA. De um país com pouca tradição, saiu Hagi, assim como numa família de criminosos, saiu a honesta Ada.

https://twitter.com/fnvbr/status/1341831351952093184

9 – Telmo Zarra

Um dos menos conhecidos da nossa lista é Telmo Zarra. Mas, de fato, na Espanha esse matador não passou batido. Ídolo do Athletic Bilbao, é o maior artilheiro da história do clube com 332 gols. Foi artilheiro da La Liga por seis vezes, anotando 251 gols, recorde que permaneceu por mais de 60 anos, sendo quebrado por Lionel Messi. Seus 81 gols na Copa do Rei permanecem um recorde. Jogou apenas 20 vezes pela Seleção Espanhola, anotando incríveis 20 gols.

Este matador era de colocar a bola para dentro, não se fazendo um gênio cerebral. Assim como John Shelby, que era mais impulsivo, de agir. Um verdadeiro matador. Mas, assim como Zarra, John era muito leal. Ele à família, enquanto Telmo ao Bilbao. Ambos são falecidos (na série o ator e na vida real o jogador).

https://twitter.com/fnvbr/status/1341832459390955524

10 – Zlatan Ibrahimović

Ninguém poderia comandar essa Seleção Cigana se não o gigante, Zlatan Ibrahimović. Este ciganão egocêntrico, narcisista e mortal, é o nosso icônico Thomas Shelby da vida real. Polêmico, mas líder nato. Estrela, mas do tipo que resolve, independente da idade que tem. Por onde passam, ambos chamam a atenção.

Com mais de 500 gols na carreira, Ibra dispensa apresentações, assim como Thomas Shelby, um herói de guerra, condecorado, respeitado e que, cada vez mais, ganha respeito com o passar dos anos. Zlatan é um atacante muito debochado, assim como Thomas, mas não fica apenas nas palavras, realmente faz acontecer. Ninguém melhor para liderar esta Seleção Cigana.

https://twitter.com/fnvbr/status/1341834549312053257

11 – Hristo Stoichkov

Por fim, mais um matador para este forte ataque. Hristo Stoichkov foi um búlgaro lendário, um dos melhores jogadores de sua geração. Foi duas vezes eleito segundo melhor jogador do mundo (1992 e 1994) pela FIFA e melhor do mundo pela France Football em 1994. Pelo CSKA Sofia, em 1990, recebeu a Chuteira de Ouro da Europa. No mesmo ano foi para o Barcelona, onde ganhou o apelido de El Pistolero.

Daí, com tal alcunha, já vem a primeira semelhança com Arthur Shelby Jr. O braço direito de Thomas Shelby é o responsável pela artilharia dos Shelbys (entenda como quiser). Stoichkov foi artilheiro da Copa do Mundo de 1994, enquanto Arthur foi herói de guerra. Ambos tem uma incrível habilidade para matar, um usa os pés, o outro as mãos, mas o destino sempre é resolver problemas.

https://twitter.com/fnvbr/status/1341836544403976195

Foto destaque: Edição / Eric Filardi

Eric Filardi
Quando pequeno quis ser jogador. O sonho de criança passou. Uma vida nova se anseia. Bem-vindo ao melhor site de futebol. Bem-vindo ao Futebol na Veia. Sou Eric Filardi, paulistano de 27 anos, criado em Taboão da Serra, jornalista pós-graduado em Jornalismo Esportivo e apaixonado por futebol. Como todo jornalista amo escrever. Como todo brasileiro amo futebol. Tenho meu clube e minhas preferências, mas viso o profissionalismo e a imparcialidade, sem deixar de lado a criatividade. Sou Tricolor, Peixe, Palestra e Timão. Sou da Colina, Glorioso, Flu e Mengão. Sou brasileiro, hermano, francês e italiano. Sou Ghiggia, Paolo Rossi, Caniggia e Zidane. Sou Alemanha dos 7 x 1, mas que o povo não se engane. Também sou Ronaldo, Romário, Zico, Garrincha e Pelé. Sou Bundesliga, MLS, Eredivisie e Premier. Sou das várzeas e dos terrões. Sou Clássico das Multidões. Sou Sul, Nordeste, Amazônia e Pantanal. Sou Galo, Raposa, Bavi e Grenal. Sou Ásia e África. Sou Barça e Real. Sou as Américas, a Europa, sou o mundo em geral. Sou a festa nas arquibancadas que o estádio incendeia: sou Futebol na Veia.
https://bit.ly/EricFilardi

Artigos Relacionados