Passaporte Rússia é mais uma coluna do Futebol na Veia que apresentará curiosidades de todas as seleções que participarão da Copa do Mundo deste ano. Este é o quarto de sete textos sobre a Seleção Australiana.
A Austrália, terra dos cangurus, é um país localizado no continente da Oceania, o que sempre gera uma dúvida entre fãs de futebol, quando descobrem que a seleção joga e compete pela Confederação da Ásia (AFC). Entre política, economia, interesses e  diversos outros assuntos envolvidos nessa questão, a resposta mais plausível é: competitividade e desempenho.

O “GIGANTE” DA OCEANIA

Nem sempre os Socceroos jogaram pela Confederação Asiática. Sim, antigamente faziam parte da Confederação da Oceania (OFC), como é de se esperar. Entretanto, o futebol não é um esporte com forte desempenho no continente, diferente do rugby, por exemplo: a seleção neozelandeza de rugby foi premiada como a melhor do mundo por diversas vezesJá no futebol, a Austrália possui um nível muito superior aos outros times da Oceania. Como exemplo, tomemos os quatro títulos da Copa das Nações da OFC (1980, 1996, 2000 e 2004) e a maior goleada da história em uma partida internacional: os 31 x 0 contra a Samoa Americana.

Ainda assim, os Socceroos precisavam se encontrar diante de maiores desafios para melhorar seu desempenho e ganhar a oportunidade de enfrentar adversários mais fortes. Outro motivo para isso envolve a Copa do Mundo: a Confederação da Oceania é a única que não tem direito a uma vaga garantida no mundial, logo, era sempre necessário que a seleção campeã das eliminatórias disputasse a repescagem contra uma seleção de outra confederação. Por muitos anos após sua primeira Copa, em 1974, a Austrália fracassou em obter vagas, com destaque para 1994, quando venceu as eliminatórias oceânicas, bateu o Canadá, mas foi eliminada pela Argentina, na repescagem – sim, a seleção de Maradona precisou da repescagem -. Isso levou a Federação Australiana de Futebol a negociar uma mudança.

Argentina e Austrália na repescagem, em 1994 (Reprodução/Internet)

UMA NOVA FASE

Mas, afinal, é permitido a uma seleção “trocar de continente”? Sim, havendo consenso entre a Federação, a Confederação e a FIFA, é possível a mudança. Por unanimidade, em 2005, o Comitê Executivo da AFC aceitou a entrada dos australianos, com a justificativa de que a mudança faria bem à imagem da Ásia, graças ao desempenho esportivo e econômico do país dos cangurus, segundo o presidente da AFC, Mohammed Bin Hammam. 2006 foi o último ano dos Socceroos pela OFC, portanto, não saíram antes de realizar um último (grande) feito pela Oceania: conquistar uma vaga para a Copa do Mundo de 2006, após vencer o Uruguai na repescagem. Com a saída da Austrália, a Nova Zelândia se tornou a “gigante” da Oceania, mas não deixou de criticar a decisão da mudança, pois a imagem da OFC, considerada a mais fraca das confederações, pioraria ainda mais sem a seleção australiana.

Desde a entrada na AFC, a Austrália passou a enfrentar adversários mais fortes, como o Japão. Os clubes australianos obtiveram pouco desempenho na Liga dos Campeões da Ásia, mas o destaque de crescimento fica para a seleção que venceu sua primeira Copa da Ásia, em 2015. Além disso, desde a mudança, se classificou para todas as Copas do Mundo. Ficou em primeiro lugar nas eliminatórias em 2010 e em segundo lugar em 2014. Pela primeira vez a seleção garantia vaga para o mundial sem precisar da repescagem, um antigo sonho dos Socceroos se tornou realidade.

(Reprodução/Extra Online)
Giovani Buselli
Giovani Buselli, 22 anos, jornalista em formação pela FAPCOM, apaixonado por música e curioso pelas áreas esportivas e jurídicas. Paranaense, vivendo na cidade cinza paulista, me aproximei da comunicação por um antigo sonho de justiça e o amor pela escrita, presente em todo jornalista. Baterista nas horas vagas.

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