Passaporte Rússia – O “azarão” do Mundial

- Conheça o retrospecto do Panamá em Copas do Mundo

O Passaporte Rússia é mais uma coluna do Futebol na Veia que apresentará curiosidades de todas as seleções que participarão da Copa do Mundo deste ano. Este é o primeiro de sete textos sobre a Seleção Panamenha desta edição. Confira como é a história dos Canaleros.

Alcanzamos por fin la victoria”, é o que diz o primeiro verso do Himno Istmeño, ou Hino do Istmo, em português. De fato, alcançaram finalmente! a vitória. A seleção do Panamá leva seu país a disputar uma Copa do Mundo pela primeira vez na história em 2018. A seleção panamenha, que é conhecida como Los Canaleros em alusão ao grande Canal do Panamá, passou raspando da classificação para a Copa do Mundo de 2014 ao perder a vaga para o México. No entanto, alcançou a glória inédita classificando-se para a disputa na Rússia, após uma vitória por 2×1 sobre a Costa Rica. A classificação ficou marcada por muita festa no país com direito a feriado nacional.

LA MAREA ROJA' 

La Marea Roja’, significa em português ‘Maré Vermelha’ e tornou-se o apelido oficial da torcida da Seleção Panamenha. ‘La Marea Roja’ nasceu no ano de 2000, durante as eliminatórias para a Copa do Mundo Coréia / Japão (2002). Quando as partidas aconteciam no Panamá, os torcedores, ao demostrarem a paixão pela seleção, tomavam as ruas vestidos com o uniforme oficial da seleção, cuja cor é vermelha. Formava-se assim, um “mar vermelho’. ‘Um mar de gente’. Pouco a pouco, o nome atraiu fãs, o público, a mídia e grandes empresas estavam usando em suas propagandas para a Copa do Mundo (2002). Desde então, ‘La Marea Roja’ se tornou referência aos torcedores e à seleção do Panamá.

A torcida da seleção do Panamá é apelidada por La Marea Roja (PHOTO/Gazeta Esportiva)

PASSAPORTE RÚSSIA – A HISTÓRIA DA SELEÇÃO PANAMENHA EM COPAS DO MUNDO

Disputando as Eliminatórias desde 1978, o Panamá não passava de um figurante na região, bem abaixo de seus principais vizinhos da América Central. Tanto que a primeira aparição na fase final do qualificatório da Concacaf aconteceu apenas rumo à Copa de 2006, no entanto sem grandes chances de classificação. Uma época em que também os panamenhos começaram a se tornar frequentes, foi na Copa Ouro, voltando a disputá-la após 12 anos em 2005 e chegando ao vice-campeonato, derrotados pelos Estados Unidos nos pênaltis durante a final. Um sinal do que seria construído ao longo da década seguinte. Se Jorge Dely Valdés ainda era o medalhão daquele time, também já estava presente parte da geração que viajará à Rússia.

Os resultados na Copa Ouro seguiram notáveis. O Panamá não se ausentou do torneio desde então e chegaria a ser vice-campeão mais uma vez, em outro revés para os americanos, em 2013. Já nas Eliminatórias, depois de caírem precocemente no torneio de 2010, eliminados ainda nas preliminares por El Salvador, a Copa de 2014 já pintou no horizonte. Os panamenhos sobreviveram em um grupo parelho na terceira fase e ficaram a uma vitória (e dois gols de saldo) de alcançar a repescagem. O excesso de empates, cinco em dez rodadas, atrapalhou bastante. Mas o algoz, mais uma vez, foram os Estados Unidos. Na última rodada, até os 47 do segundo tempo, a equipe vencia o US Team por 2 a 1 e poderia tirar o México da Copa se marcasse mais um gol. Pois os americanos ainda arrancaram a virada por 3 a 2, em resultado doloroso para os Panamenhos.

ELIMINATÓRIAS RÚSSIA 2018

O Panamá sabia que a Copa de 2018 seria a última oportunidade para tantos ídolos da seleção composta por jogadores experientes. Jaime Penedo, Román Torres, Felipe Baloy, Gabriel Gómez, Blas Pérez e Luis Tejada já chegaram todos à casa dos 30 anos, a maioria à beira da aposentadoria. Era mesmo agora ou nunca. A confirmação no hexagonal final veio com certa tranquilidade. Mas não seria tão simples se impor, considerando os adversários pela frente: cinco seleções com experiência em Copas do Mundo. Os panamenhos precisavam mudar a história nos frequentes confrontos diretos.

Seleção do Panamá no dia histórico que garantiu a vaga para a Copa do Mundo na Rússia em 2018 (PHOTO / iG Esporte)

Não foi uma campanha brilhante do Panamá, longe disso. Logo na primeira rodada, os Canaleros conquistaram um resultado fundamental contra Honduras, batendo os anfitriões no caldeirão de San Pedro Sula por 1 a 0. Depois, ainda conseguiram arrancar um empate sobre o México. Mas não empolgaram tanto na sequência. O excesso de empates mais uma vez era um entrave. O ponto é que a competição extremamente parelha permitia sonhar. E a segunda vitória, que só veio na antepenúltima rodada, batendo Trinidad e Tobago, voltava a tornar a Copa do Mundo uma ambição real. Tinham uma ótima oportunidade, enfrentando o cambaleante Estados Unidos em Orlando. Uma noite que acabaria em enorme frustração.

A noite do dia 10 de outubro de 2017, é uma data que ficará guardada na memória de todos os panamenhos e entrará para a história do futebol mundial. Foi neste dia que ‘La Marea Roja’, apelido oficial da seleção do Panamá, conquistou a classificação inédita para a Copa da Rússia 2018. Com a emocionante vitória por 2 a 1, de virada, sobre a Costa Rica, somada à surpreendente derrota por 2 a 1 dos Estados Unidos para o já eliminado Trinidad & Tobago, o Panamá carimbou seu passaporte para disputar a Copa do Mundo pela primeira vez em sua história.

ROMAN TORRES: HERÓI DA CLASSIFICAÇÃO 

Roman Torres marcou gol da classificação panamenha à Copa. Foto: Carlos Lemos/Reuters

Roman Torres escreveu de vez seu nome na história do futebol panamenho ao ser o herói da primeira classificação do país para uma Copa do Mundo. Capitão da seleção, o zagueiro 32 anos agora mira voos mais altos no Mundial, e não se dá por satisfeito apenas com a vaga para ir à Rússia. A tarefa do Panamá, no entanto, não será nada fácil, afinal, a equipe enfrenta duas potências europeias na primeira fase. Os panamenhos caíram no Grupo G da Copa, ao lado de Tunísia, Inglaterra e Bélgica, adversária da estreia no dia 18 de junho, em Sochi.

TÉCNICO HERNÁN DARIO GÓMEZ

Treinador do Panamá, Hernán Dario, classificou três seleções diferentes para a Copa (PHOTO / Yahoo Esportes)

Ex-volante, o colombiano teve passagens por dois grandes clubes de seu país: Independiente Medellín e Atlético Nacional. Aposentou-se em 1984 e iniciou sua carreira no “outro lado” do futebol sendo auxiliar do famoso técnico Francisco Maturana – juntos, eles conquistaram a Copa Libertadores de 1989 pelo Atlético Nacional. Após Maturana ser contratado pela seleção da Colômbia, Gómez assumiu a equipe alviverde, conquistando um Campeonato Colombiano e uma Copa Interamericana. Depois disso, iniciou uma série de passagens por seleções: Colômbia (1995 a 1998), Equador (1999 a 2004) e Guatemala (2006 a 2008) – no Equador, aliás, fez história ao levar o país pela primeira vez para uma Copa, em 2002. Em seguida, retornou ao futebol de clubes para assumir o Santa Fe, entre 2008 e 2009, mas acabou tendo mais uma passagem pela seleção colombiana na sequência. Trabalhou ainda no Independiente Medellín, entre 2013 e 2014, antes de assumir a seleção do Panamá, fazendo um grande trabalho e conseguindo a inédita classificação para o Mundial da Rússia.Fora de campo, Hernán ficou conhecido por um episódio lamentável: em 2011, enquanto treinador da seleção da Colômbia, ele agrediu uma mulher em um bar de Bogotá. No dia seguinte, pediu desculpas públicas, mas disse que continuaria à frente da equipe. Contudo, após pressão de mídia e dos patrocinadores, ele acabou pedindo demissão e ficou seis meses desempregado.

Fábio Pires

Sobre Fábio Pires

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Fábio Pires tem 20 anos, está cursando o 4° ano de Jornalismo pela Universidade do Estado de Mato Grosso. Apaixonado pelo jornalismo esportivo, vê por meio da futura profissão uma maneira de trabalhar com o que realmente gosta. Tem experiência nas áreas de assessoria de comunicação e imprensa, produção em telejornalismo, novas mídias, fotografia, fotojornalismo, produção de charge e opinião ilustrada.

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Fábio Pires tem 20 anos, está cursando o 4° ano de Jornalismo pela Universidade do Estado de Mato Grosso. Apaixonado pelo jornalismo esportivo, vê por meio da futura profissão uma maneira de trabalhar com o que realmente gosta. Tem experiência nas áreas de assessoria de comunicação e imprensa, produção em telejornalismo, novas mídias, fotografia, fotojornalismo, produção de charge e opinião ilustrada.

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