Passaporte Rússia – Caminho japonês até a Copa

- Mesmo com classificação antecipada a Copa, mundial deve ser complicado para os Samurais Azuis
Passaporte Rússia - Caminho japonês até a Copa

Passaporte Rússia é mais uma coluna do Futebol na Veia que apresentará curiosidades de todas as seleções que participarão da Copa do Mundo deste ano. Este é o terceiro de sete textos sobre a Seleção Inglesa. Confira como os ingleses chegaram nesta edição.

A seleção japonesa é sempre uma das favoritas em competições asiáticas, porém à nível mundial, ainda deixa muito a desejar. Mas, os samurais japoneses estão a caminho da Rússia para mais uma Copa do Mundo.

O caminho nas eliminatórias não foi tão complicado. No grupo E com Síria, Singapura, Afeganistão e Camboja. O Japão em 8 jogos teve 7 vitórias e 1 empate, com 27 gols marcados e nenhum sofrido. Isso na segunda fase, porque na primeira participaram apenas as seleções menos ranqueadas.

Na terceira fase, o Japão caiu no grupo com: Arábia Saudita, Austrália, Emirados Árabes Unidos, Iraque e Tailândia. Foram 10 jogos, com 6 vitórias, 2 empates e 2 derrotas. Marcaram 17 gols e sofreram apenas 7. Neste grupo, além do Japão, também se classificaram: a Arábia Saudita de forma direta e a Austrália para repescagem internacional.

Durante as eliminatórias, o técnico bósnio Vahid Halilhodzic da seleção japonesa teve um desfalque sério nos últimos amistosos, Shinji Kagawa, que estava lesionado e não pode ser utilizado.

Com os principais jogadores fora, a atenção e responsabilidade ficaram por conta do goleiro Eiji Kawashima do Metz-FRA, o lateral direito Yuto Nagatomo e o experiente atacante Keisuke Honda e após as derrotas nos amistosos, o treinador não resistiu à má fase vivida pela seleção e foi demitido. Assumiu Akira Nishino, que era o diretor técnico da JFA.

Com tantos desfalques durante as eliminatórias, a classificação foi um pouco mais sofrida do que se poderia imaginar no início da competição, embora tenha tido um ótimo começo, ao longo dos jogos, o nível técnico das outras seleções foi melhorando e até um determinado momento os japoneses tiveram a vaga direta ao mundial ameaçada.

Mas no fim, os Samurais venceram quando tinham que vencer e asseguraram o lugar no Mundial com um jogo de antecedência ao derrotar a Austrália em Saitama. Terminou como líder do grupo, mas só um ponto à frente de sauditas e australianos. Mais um tropeço e teria ido para a repescagem.

Keisuke Honda carregou a seleção japonesa nas costas de 2010 a 2016. Foi o craque que chamava a responsabilidade e decidia jogos. Antes dele, havia Shunsuke Nakamura. Antes, surgiu Hidetoshi Nakata. Hoje o Japão não tem mais alguém assim. Honda ainda tinha a companhia de Shinji Kagawa e Shinji Okazaki como estrelas do time, mas os três caíram de produção vertiginosamente ao mesmo tempo.

Mas no final do ano passado eles já não eram mais titulares absolutos. Aos poucos perderam a titularidade e, no fim deste ano, deixaram de ser convocados pela primeira vez, os três ficaram de fora de uma mesma convocação.

O que não seria um problema tão grande se os substitutos respondessem à altura. Yuya Osako fez por merecer a posição de Okazaki. As boas atuações de Yuya Kubo não deram opção a Halilhodzic além de deixar Honda no banco. Hiroshi Kiyotake surgia como melhor alternativa para o lugar do apático Kagawa. Todos começaram o ano em alta, mas hoje não dá para dizer que estão em um bom momento.

Mas agora para a Copa da Rússia, os japoneses contam com os gols de Honda, Kagawa e companhia, esperando repetir sua melhor campanha em copas, quando chegaram às oitavas de final em 2002 e 2010. Ou, quem sabe, surpreender e chegar mais longe. Porém, com essa troca de treinador às vésperas da maior competição futebolística do mundo, o desafio será maior.

AMISTOSOS

Já os amistosos, em vez de servir como base para melhorar a equipe, escancararam as deficiências. Não houve uma atuação realmente boa em nenhum deles. Em casa, um empate morno com a Síria, 1 a 1, uma vitória sofrida contra a Nova Zelândia 2 a 1 e um empate conquistado nos acréscimos contra o Haiti 3 a 3. Resultados preocupantes por ser contra seleções que não estarão na Copa do Mundo.

Na excursão para a Europa em novembro que marcou a estreia do novo uniforme, derrotas para Brasil 1 a 3 e Bélgica 0 a 1. Nenhum desastre em termos de resultado, mas o Japão foi completamente dominado contra o Brasil e teve sorte de não ser goleado. Fez um bom segundo tempo, mas a partida já estava decidida e o Brasil, com vários reservas desentrosados, jogou em ritmo de treino. Contra a Bélgica, o desempenho melhorou e a defesa foi bem na maior parte do jogo, mas um erro de Yoshida definiu a vitória belga.

 

Neymar comemora gol contra o Japão em amistoso. (Reprodução – ESPN)

PREOCUPAÇÕES PARA O MUNDIAL

Em abril desse ano o futebol japonês foi pego de surpresa com a notícia relâmpago da demissão do técnico Vahid Halilhodžić, O técnico comandou o Japão durante quase três anos, desde a sua chegada ao país em março de 2015.

Ele conseguiu classificar a seleção japonesa para a Copa do Mundo da Rússia de 2018, a sexta classificação seguida dos Samurais Azuis.

Ao justificar a demissão, o presidente da JFA, Kozo Tashima, citou problemas de “comunicação” do comandante com os jogadores e disse que os atletas da seleção também perderam a confiança em Halilhodzic.

E destacou ainda que a entidade “não teve outra escolha” que não fosse promover algum membro que já fazia parte da entidade para o cargo, tendo em vista o fato de que a Copa do Mundo está muito próxima de começar.

E o escolhido para substituir Halilhodzic, Akira Nishino já dirigiu a equipe japonesa do Gamba Osaka e também a seleção olímpica do seu país nos Jogos de Atlanta, em 1996.

Demissão

Demitido após ter sido contratado em março de 2015, menos de um ano após levar a Argélia às oitavas de final da Copa de 2014, Halilhodzic caiu agora no Japão depois de ter amargado um empate por 1 a 1 com o Mali e uma derrota por 2 a 1 para a Ucrânia, no final do mês passado, em amistosos de preparação para o próximo Mundial.

Essa é a primeira vez na história da seleção japonesa que um técnico é afastado do cargo poucos meses antes da Copa do Mundo e faltando um mês para o início do mundial será interessante ver como a Associação Japonesa de Futebol resolverá a crise que se instaurou na seleção e pode afetar diretamente o desempenho da seleção dentro de campo.

E a menos de um mês para o início do mundial, a situação não é nada animadora e muito precisa ser feito para que o objetivo mínimo de passar de fase no Mundial da Rússia seja alcançado.

Dentre os maiores problemas está o ataque, já que não tem mais uma grande referência, com isso o time não consegue ser envolvente e criar muitas chances de gol. A defesa também tem cometido erros demais. Mais preocupante é que Yoshida, por mais que jogue bem por 89 minutos, tem sempre cometido erros cruciais.

Por outro lado, Tomoaki Makino impressionou na campanha do título do Urawa na ACL e nas últimas apresentações com a Hinomaru e ganhou um lugar na zaga japonesa.

Vahid Halilhodžić, demito em abril de 2018, após divergências com atletas e dirigentes. (Reprodução – Gazeta Esportiva)
Akira Nishino, anunciado como técnico japonês para o mundial da Rússia. (Reprodução – UOL)

O GRUPO DA COPA – DOS MALES, O MENOR

O sorteio da Copa do Mundo poderia ter jogado a pá de cal na esperança de uma boa Copa, já que as possibilidades de um “grupo da morte” eram grandes. No fim das contas, a sorte foi generosa com o País do Sol Nascente, que enfrentará Colômbia, Senegal e Polônia no Mundial da Rússia.

Mesmo assim a seleção japonesa é o menos favorita a avançar. Atualmente, não é melhor que nenhuma dessas seleções, mas a diferença entre eles não é grande. O grupo é um dos mais equilibrados. Isso porque não há nenhum bicho-papão e com chances de passar para todos os quatro.

Mas a esperança pode ser o retrospecto e o bom desempenho bom nos jogos mais importantes, apesar de quase todos os jogos em 2017, a seleção tenha apresentado um desempenho razoável ou péssimo, houve dois jogos em especial em que o Japão jogou muito bem e no caso foram logo os dois mais importantes, os chamados jogos de “tudo ou nada”, em que até um empate complicaria a situação nas Eliminatórias.

A estreia do Japão é no dia, 19 de junho, ás 9:00, contra a Colômbia, depois no dia 24, ás 12:00, enfrenta o Senegal e encerra sua participação no dia 28 de junho, contra a Polônia, jogo marcado para ás 11:00.

Andreas Borges

Sobre Andreas Borges

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Andreas Borges, 24 anos, estudante do último semestre de Jornalismo na Universidade de Ribeirão Preto e estagiário na rádio CBN. Louco por esportes principalmente futebol e desde pequeno acompanha os mais variados campeonatos ao redor do mundo. Procura entender como os fatores extra campo influenciam no rendimento de um time dentro de um jogo ou campeonato, também é apaixonado por analise tática e gestão esportiva. Fã do futebol de Cristiano Ronaldo, defende que Messi e CR7 não tem comparação por terem estilos diferentes e tem uma opção clara pela formação 4-4-2 diamante.

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