Passaporte Rússia – Pela primeira vez na história, a Ásia se torna palco do Mundial

- Apesar das diferenças políticas, Coreia do Sul e Japão foram os países escolhidos para sediar a Copa do Mundo de 2002 simultaneamente
Passaporte Rússia - Pela primeira vez na história, a Ásia se torna palco do Mundial

Passaporte Rússia é mais uma coluna do Futebol na Veia que apresentará curiosidades de todas as seleções que participarão da Copa do Mundo deste ano. Este é o quarto de sete textos sobre a Seleção da Coreia do Sul, que foi país sede da competição em 2002.

Até então, apenas países das Américas e da Europa eram escolhidos como sedes. Mas a realização de um torneio a nível mundial como este na Ásia era um anseio antigo das próprias nações asiáticas e seus dirigentes locais. O futebol japonês e sul-coreano despertava cada vez mais atenção do público e também da FIFA, que viu grande possibilidade de mudança em relação ao local do evento.

Inédito!

Coreia do Sul e Japão eram os principais concorrentes a se tornarem país sede e para não desagradar nenhum deles, a Federação sugeriu que os países apresentassem uma única candidatura. Há 16 anos e pela primeira vez na história de Copas do Mundo, o evento aconteceu na Ásia e em dois países ao mesmo tempo. Coreia do Sul e Japão foram os anfitriões para as outras 30 seleções participantes e os responsáveis pela décima sétima edição do Mundial.

Na época, os anfitriões Coreia do Sul e Japão mais a campeã da edição anterior França estavam classificadas automaticamente, restavam 29 vagas para 199 equipes disputarem. Foram 12 vagas destinadas às seleções da UEFA, cinco para a CAF, duas para AFC e quatro para as da CONMEBOL CONCACAF. As duas últimas vagas restantes foram disputadas por playoffs entre AFC e UEFA e entre CONMENBOL e OFC. Os classificados:

 Brasil Brasil Bandeira da Alemanha Alemanha Flag of Turkey.svg Turquia Flag of South Korea.svg Coreia do Sul Flag of Spain.svg Espanha Flag of England.svg Inglaterra Flag of Senegal.svg Senegal

 Flag of the United States.svg Estados Unidos Flag of Japan.svg Japão Flag of Denmark.svg Dinamarca Flag of Mexico.svg México Flag of Ireland.svg Irlanda Flag of Sweden.svg Suécia  Flag of Belgium (civil).svg Bélgica Flag of Italy.svg Itália

Flag of Paraguay.svg Paraguai Bandeira da África do Sul África do Sul Flag of Argentina.svg Argentina Flag of Costa Rica (state).svg Costa Rica Flag of Cameroon.svg Camarões Flag of Portugal.svg Portugal Flag of Russia.svg Rússia Bandeira da Croácia Croácia

Flag of Ecuador.svg Equador Flag of Poland.svg Polônia Flag of Uruguay.svg Uruguai Flag of Nigeria.svg Nigéria Bandeira da França França Flag of Tunisia.svg Tunísia Flag of Slovenia.svg Eslovênia Flag of the People's Republic of China.svg China Flag of Saudi Arabia.svg Arábia Saudita

Desafios

Como países sedes, o desafio nem seria em relação à recepção do evento, mas, sim, à visibilidade no meio futebolístico. Por um lado a Seleção Japonesa já era bem consolidada e a responsabilidade, então, seria voltada à Sul-Coreana, que ainda era uma desconhecida neste cenário.

Vale lembrar que a relação entre os governos das duas seleções estava estremecida devido à reminiscência da ocupação colonial japonesa na península coreana. Foram quase seis anos entre a notícia e o preparo. De 1996 a 2002, Coreia do Sul e Japão deixaram suas diferenças políticas de lado para se unir em prol de um marco histórico.

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(Reprodução/En.tengrinews.kz)

Cerimônia de abertura

Na cerimônia de abertura, realizada na Coreia do Sul, os temas “paz, segurança, amizade e gentileza” foram pautadas nos discursos das suas seleções. “O mundo inteiro vai se tornar um só, indiferentemente das raças e religiões, através dos jogos de futebol”, disse Kim Dae-Jungo, presidente sul-coreano da época, para o mundo.

Uma organização conjunta e inédita que contabilizou:

  • US$ 5 bilhões em construção e reforma de estádios, sendo que US$ 8 milhões foram destinadas à cerimônia;
  • 1,3 bilhão de francos suíços de lucro da FIFA com venda de direitos;
  • 196 países e 19 territórios / 28,8 bilhões de telespectadores

Modernidade e beleza impressionaram, assim como a mostra de paz. Agora, é hora de mostrar o desenvolvimento em campo.

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(Reprodução/sportswizz.com)

Coreia do Sul jogou mais do que esperado

Ao longo dos jogos, Japão teve um desempenho razoável e a Coreia do Sul superou expectativas. Além da vantagem de ser país sede e ter o impulso da própria torcida, a Seleção parece ter ganhado alguns empurrões vindos da arbitragem. Não que seja impossível ganhar das seleções da Polônia, de Portugal, da Itália e da Espanha, mas devido às campanhas anteriores, alguns questionaram este enredo. Isso porque mesmo com nomes de peso como Park Ji-Sung, Ahn Jung-Hwan e Seol Ki-Hyeon, que representavam a Seleção Sul-Coreana, a arbitragem pendia a errar a favor dos sul-coreanos.

Como nas oitavas de final a Coreia do Sul perdia para a Itália e aos 43′ do segundo tempo, gol sul-coreano. Na prorrogação, expulsão de Totti em um lance controverso. Pouco depois e em condição legal, Tommasi correu para fazer o gol, mas a arbitragem marcou impedimento. Um gol na morte súbita eliminou a tricampeã mundial da Copa do Mundo, passando os Tigres Asiáticos para as semi-finais.

Reprodução/Gettyimages
Reprodução/Gettyimages

Independentemente dos comentários, a Coreia do Sul tornou-se o primeiro país asiático a ficar entre os quatro melhores do mundo e fez sua melhor campanha na trajetória de Mundiais.

Quatro anos depois, a expectativa era repetir o feito de 2002. Venceu o primeiro jogo, empatou o segundo e foi derrotado no último, que a impediu de prosseguir na competição. Em 2010 chegou às quartas de final e em 2014 não passou da primeira fase. Agora em 2018, da mesma forma que ainda mantém os feitos materiais preservados em seu país, os sul-coreanos querem mostrar que são capazes de ter o mesmo resultado satisfatório assim como tiveram 16 anos atrás.

(Reprodução/Estadão Esportes)
(Reprodução/Estadão Esportes)

Beatriz do Vale

Sobre Beatriz do Vale

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Comunicativa desde pequena, graduada em Rádio e TV e também em Jornalismo pela FIAM, e pós-graduada pela Cásper Líbero. Tudo o que envolva pesquisa, escrita, locução, entrevista e criação, busco me aprimorar e fazer o melhor. Futebol na Veia surgiu sem qualquer pretensão e, hoje, me proporciona uma verdadeira imersão neste mundo esportivo, com ensinamentos pessoais e profissionais a cada dia. Sou paulistana, 30 anos, não sou parente do Luciano, mas vou experimentando...

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