Passaporte Rússia – Análise dos convocados: Senegal

O Passaporte Rússia é mais uma coluna do Futebol na Veia que apresenta curiosidades de todas as seleções participantes da Copa do Mundo deste ano. Este é o sexto de sete textos sobre a Seleção de Senegal. Neste capítulo serão apresentadas algumas das principais características dos convocados dos Leões Africanos.

GOLEIROS

Abdoulaye Diallo (Stade Rennais-FRA): o camisa 1 da Seleção Senegalesa é titular do técnico Aliou Cissé, porém, não tem o mesmo reconhecimento no seu clube, o Rennes da França. Aos 26 anos de idade, Diallo chega à Copa como um dos líderes do elenco. Pela Seleção, estreou em março de 2015, na vitória de 2 a 1 em amistoso com Gana. Até agora, foram 15 jogos pela seleção que se classificou em primeiro lugar do grupo nas Eliminatórias Africanas. Com 1,89m de altura, o goleirão conta com a boa estatura e agilidade para fazer bonito na meta senegalesa.

Embora seja reserva no seu clube, o goleiro é titular na seleção (Divulgação/Facebook da Seleção de Senegal)
Embora seja reserva no seu clube, o goleiro é titular na seleção (Divulgação/Facebook da Seleção de Senegal)

Khadim Ndiaye (Horoya AC-GUI): embora parte do elenco desde 2009 e titular durante as vitórias decisivas de seu país sobre Cabo Verde e África do Sul durante as eliminatórias, Ndiaye não convenceu no quesito segurança, muito por causa das suas tentativas erradas de sair jogando e por correr riscos desnecessários. Outro motivo da não titularidade pode ser porque ele joga futebol na Guiné, que não é uma das principais ligas da África. Apesar disso, o técnico Cissé revela confiança no seu camisa 16 para a Copa. Com 33 anos é o mais experiente dos três goleiros lembrados pelo treinador.

Alfred Gomis (S.P.A.L-ITA):  um dos três irmãos, junto com Lys e Maurice, que são goleiros profissionais na Itália, o país onde foram criados. Alfred jogou para no sub-21 da Azzurra antes de optar pelo Senegal. Ele viaja para a Copa do Mundo depois de uma temporada lutando contra o rebaixamento da Serie A com o SPAL por empréstimo do Torino, clube ao qual ele está ligado desde a infância. É o mais jovem goleiro convocado por Senegal e só fez uma partida pela seleção.

DEFENSORES

Saliou Ciss (Valenciennes-FRA): o lateral esquerdo de 28 anos começou a carreira no desconhecido Diambars no Senegal. Ciss atualmente joga no Valenciennes, clube a segunda divisão da França. Além da lateral, ele pode jogar no meio campo, o que faz dele um curinga na equipe do técnico Cissé. É um desconhecido a nível mundial, mas teve seus quinze minutos de fama em 2015, após reagir a um cartão vermelho com uma birra no gramado.

Kalidou Koulibaly (Napoli-ITA): esse é o grande nome da defesa de Senegal. O jogador de 26 anos está entre os melhores defensores do futebol europeu. Ele fez uma boa temporada com o Napoli e despertou interesse de gigantes como o Barcelona. Koulibaly pode jogar em qualquer posição da defesa, mas rende melhor na zaga central, onde sua firmeza lhe rendeu o apelido de “O Muro”. Ele nasceu na França e fez vários jogos para a seleção sub-20, mas escolheu atuar por Senegal a partir de 2015. Isso foi uma surpresa para Didier Deschamps, técnico francês que disse em 2016 que pensava em convocá-lo para a equipe principal da França. Na época, Koulibaly declarou que havia escolhido Senegal de coração e não estava arrependido. O zagueiro de 1,87m chega com moral na Copa, tendo disputado 23 jogos pela seleção africana.

Kara Mbodji (Anderlecht-BEL): o zagueirão de 1,92m de altura é um dos mais queridos do elenco senegalês. É tão valorizado pelos seus companheiros que Sadio Mané, craque do time, se ofereceu para pagar a sua operação quando lesionou o joelho, em dezembro de 2017. Mbodji se estabeleceu como um dos melhores jogadores defensivos da Liga Jupiler, na Bélgica, atuando pelo Anderlecht, desde 2015. Com a seleção, são 51 jogos e 5 gols marcados. A relação dele com a mídia de seu país é que não é lá tão amistosa. Ele já declarou, recentemente, que os jornalistas estavam inventando declarações do seu treinador no clube para manchar a sua reputação.

Youssouf Sabaly (Bordeaux-FRA): outro jogador que fez a sua base na seleção francesa e escolheu Senegal para defender na principal. Jogando ao lado de Paul Pogba e Samuel Umtiti, venceu a Copa do Mundo Sub-20 em 2013, pela França. Sabaly, que é lateral direito, fez sua estreia em novembro de 2017 e suas principais características são as subidas e cruzamentos na área. Ainda tem a versatilidade como arma, pois também pode jogar na lateral esquerda, se for preciso. O jovem de 25 anos atua pelo Bordeaux, da França e espera na Copa a grande chance de evoluir no futebol francês.

Lamine Gassama (Alanyaspor-TUR): outro nome rodado na seleção senegalesa. Lamine está desde 2011 na seleção, mas não é titular. Jogou no Lyon da França e atualmente disputa a primeira divisão na Turquia, pelo Alanyaspor. O lateral direito de 28 anos disputou até agora 34 jogos pela sua seleção, mas provavelmente não será utilizado por Cissé como primeira opção, principalmente pela boa fase de Sabaly.

Moussa Wagué (K.A.S Eupen-BEL): mais um lateral direito! Com apenas 8 jogos pela seleção, Wagué é mais uma opção pela direita. Ele fez sua estreia em um amistoso contra a Nigéria, em março de 2017 e atuou em alguns jogos das Eliminatórias. Joga pelo modesto KAS Eupen, da Bélgica e só deve atuar em caso de lesão dos seus companheiros.

Zagueiro foi eleito melhor jogador defensivo do Senegal (Divulgação/Seleção Senegalesa de Futebol)
Kara Mbodji foi eleito melhor jogador defensivo do Senegal (Divulgação/Seleção Senegalesa de Futebol)

MEIAS

Pape Alioune Ndiaye (Stoke City-ING): estudou direito e gestão antes de se tornar profissional na capital do seu país. Talvez seja o jogador mais emblemático e representativo da seleção senegalesa, o que não lhe garante a titularidade. Experiente, 27 anos, atuou no Galatasaray, da Turquia e nesta temporada disputou a Premier Ligue pelo rebaixado Stoke City. Na Copa, terá um papel de conselheiro dos mais jovens e poderá ter chances de entrar no time no decorrer da competição.

Idrissa Gana Gueye (Everton-ING): 28 anos, 58 jogos e 1 gol pela seleção. O volante fez sua estreia pelo Senegal em 2011 e chega à Copa como titular. Aliás, quando ele joga bem, o Senegal joga bem, já que tem sido o coração do meio-campo. Sua principal característica é o desarme e passe rápido, o que deixa os atacantes em boas condições. Atualmente no Everton, da Inglaterra, Gueye terminou a Premier League em oitavo lugar com seu clube.

Salif Sané (AS Nancy-FRA): outro jogador coringa no time do técnico Cissé. O volante de 27 anos tem como principais qualidades a firmeza na proteção dos zagueiros, bem como a versatilidade que lhe permitiu jogar no lado direito ou na defesa central durante a preparação para o Munidal. Os 1,96m de altura também impressionam. Nascido na França, ele sempre deixou claro que queria seguir os passos de seu irmão mais velho, Lamine, e representar o Senegal. Lamine, que também comandou o país, jogou ao lado de Salif no início da carreira do irmão. Atualmente, Salif joga no Hannover 96, da primeira divisão alemã. Pela seleção, são 19 jogos.

Cheikhou Kouyaté (West Ham United-ING): Apesar de ser o capitão de seu país, o meia do West Ham é alvo de críticas frequentes dos torcedores, alguns dos quais se queixam de que não é tão dinâmico quanto costumava ser. Mas, Aliou Cissé sempre encontrou um lugar para ele, geralmente como volante. Depois que a final 23 foi anunciada, ele disse: “Vamos nos preparar bem para agradar o povo senegalês. Queremos escrever nossa própria história”. Desde 2012, quando estreou, já são 46 jogos e 2 gols.

Cheikh Ndoye (Angers-FRA): uma presença discreta no plantel, apesar de sua estatura gigante de 1,92m. Ndoye é um jogador confiável, mas raramente um titular de Cissé. Após atuar por muito tempo nas ligas francesas, ele se mudou para a Inglaterra, para atuar pelo Birmingham no ano passado. Teve problemas de adaptação ao novo país, reconhecidas por ele mesmo, e fez uma temporada irregular com o time. Ainda sim, é titular e aos 32 anos um dos mais experientes do time de Senegal. Ao todo, são 23 jogos e 3 gols por seu país.

Alfred Ndiaye (Volverwampton Wanderes-ING): um ex-capitão da França com menos de 19 anos, Ndiaye fez seu nome em Nancy antes de se mudar para a Turquia e depois para o Sunderland, da Inglaterra. Com a mudança de treinador, perdeu espaço no clube inglês e se transferiu por empréstimo para o Wolverhampton, onde conquistou o título da segunda divisão e o acesso Premier League. Na Rússia, provavelmente terá que se contentar com um lugar no banco de reservas.

Pape Alioune Ndiaye se tornou o atleta mais popular do Senegal (Reprodução/Galsenfoot)
Pape Alioune Ndiaye se tornou o atleta mais popular do Senegal (Reprodução/Galsenfoot)

ATACANTES

Moussa Sow (Fermebaçe-TUR): o jogador de 32 anos é um dos membros mais velhos do plantel de Senegal. Ele nunca confirmou o potencial que tinha, quando despontou como artilheiro da Ligue 1 francesa, em 2011. Ele passou os últimos anos jogando futebol nos Emirados Árabes Unidos antes de tentar uma mudança de empréstimo para o Bursaspor, da Turquia, em um esforço para convencer Aliou Cissé que ele ainda poderia fazer um trabalho em alto nível. Funcionou. 50 jogos e 18 gols é o resumo da sua história com a seleção.

Mame Biram Diouf (Stoke City-ING): o atacante de 30 anos leva o sobrenome do melhor jogador da inesquecível geração de 2002. Mas nem de longe fez o mesmo sucesso que o compatriota. Mame Diouf, inclusive, foi ridicularizado em sua terra natal depois da campanha na Copa das Nações Africanas de 2017, na qual ele não foi nada bem. Porém, reconquistou a confiança dos torcedores com algumas exibições nas eliminatórias da Copa do Mundo e terá que demonstrar sua determinação novamente na Rússia. Jogou a última temporada pelo rebaixado Stoke City, da Inglaterra, e chega na Copa com 46 jogos e 10 gols por Senegal.

Sadio Mané (Liverpool-ING): a estrela do time é sem dúvida a grande esperança do povo senegalês em repetir aquela histórica campanha de 2002. Mané é reconhecido por causa de sua qualidade, mas também é uma inspiração fora do campo por causa de como ele usa sua riqueza para oferecer oportunidades aos outros. No início deste ano, ele comprometeu cerca de 200 mil libras para financiar a construção de uma escola secundária em sua aldeia natal de Bambaly, localizada em uma parte remota e desprivilegiada do sul do Senegal. Filho de um imame, ele deixou Bambaly em sua adolescência para se juntar à academia Generation Foot, em Dakar, antes de se mudar para Metz, em 2012. Hoje, é uma das estrelas do futebol inglês, atuando pelo Liverpool.

Embora jovem, com apenas 26 anos é um dos que mais atuou por Senegal. São 51 jogos e 14 gols. Rápido, habilidoso e com a pontaria afiada na última temporada, Mané chega à Copa cheio de confiança e com olhares de todo o mundo, inclusive dos adversários.

Moussa Konaté (Amiens-FRA): esse chega à Rússia em alta, tendo marcado dois gols do seu time, o Amiens,  contra o campeão PSG, na Ligue 1. Com fama de incansável e lutador, suas características fazem dele um dos homens de confiança de Aliou Cissé. Joga pela ponta direita e certamente será uma das apostas da seleção para superar os adversários. Já fez 26 partidas e tem 9 gols pela seleção.

Diafra Sakho (Rennes-FRA): o atacante nunca foi capaz de ganhar um lugar definitivo entre os titulares de seu país, mesmo quando ele estava no auge de sua carreira, durante seus primeiros dias no West Ham. Ele se mudou para Rennes em janeiro e na seleção marcou dois na campanha de classificação para o Mundial. Não deve começar como titular, já que só jogou 9 partidas pela seleção, marcando 3 gols.

Ismaila Sarr (Rennes-FRA): o jogador mais jovem a aparecer na Taça das Nações Africanas de 2017. Estreou no ano anterior como substituto de Sadio Mané, com quem foi comparado. A dupla se formou na mesma academia no Senegal e compartilhou qualidades semelhantes, como a habilidade e a velocidade. Sarr também joga pelo Rennes e é uma opção do técnico de Senegal pelo lado direito do ataque. Pela seleção, 13 jogos e 2 gols.

Mbaye Niang (Torino-ITA): identificado desde cedo como um prodígio, esperava-se que Niang se tornasse uma estrela para a França, onde ele nasceu. Mas a indisciplina e o fracasso em cumprir seu potencial levaram a sua carreira a parar e ele causou pouco impacto durante um empréstimo no Watford em 2016-17. Aceitou jogar por Senegal, embora sua escolha tenha sido criticada por alguns meios de comunicação senegaleses que duvidavam da sua lealdade, já que ele havia recusado convites anteriores. O jovem de 23 ainda não marcou gols pela sua seleção, já que é ainda é pouco utilizado, tendo somente 4 jogos.

Keita Baldé (Monaco-FRA): nascido na Espanha, o período de Baldé na academia de Barcelona chegou ao fim quando ele foi emprestado aos 15 anos como punição por uma brincadeira na qual ele colocou cubos de gelo na cama de um companheiro de equipe. Quando o Barcelona tentou trazê-lo de volta, ele recusou, começou sua carreira profissional na Lazio, da Itália. No ano passado, transferiu-se para o Mônaco por 22,5 milhões de libras. Rápido e habilidoso com objetividade, ele pode ser devastador, mas a inconsistência é um problema que preocupa. Se chegar na Copa com a cabeça no lugar, pode se juntar à Mané e formar um ataque perigoso. Fez 16 jogos e 3 gols por Senegal.

Mané é a estrela do time a principal esperança do Senegal (Divulgação/Senegal)
Mané é a estrela do time a principal esperança do Senegal (Divulgação/Senegal)
Guilherme Bonissate
Jornalista desde 2008. Mineiro, natural de Ubá/MG. Botafoguense, apaixonado por esportes especialmente o futebol. Iniciou no jornalismo em jornal impresso, como estagiário. Passou por agência de publicidade, assessoria de comunicação e editora especializada. Na área esportiva atuou como colunista de site e revistas na cidade de Ubá. Foi repórter e apresentador no programa Resenha Uai, na Web TV Uai. Atualmente trabalha na TV Integração, afiliada Globo em Juiz de Fora/MG.

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