Passaporte Rússia – A Seleção “bebê”, mas que já fez história

- Conheça o retrospecto da Croácia em Copas do Mundo

O Passaporte Rússia é mais uma coluna do Futebol na Veia que apresentará curiosidades de todas as seleções que participarão da Copa do Mundo deste ano. Este é o primeiro de sete textos sobre a Seleção Croata desta edição. Confira como é a história dos Vatreni.

A história da Croácia nas Copas começa em 1930, mas de forma “indireta”. Isto porque o país era parte da antiga Iugoslávia (que deu origem a Croácia, Bósnia e Herzegovina, Eslovênia, Macedônia, Montenegro, Sérvia e Kosovo) até 1991, quando se tornou um país independente. A primeira Copa que a Croácia disputou como um país independente foi a de 1998, conquistando um histórico 3º lugar.

Passaporte Rússia – A história da Seleção Croata em Copas do Mundo

Iugoslávia

1930

A primeira Copa do Mundo, disputada no Uruguai, foi a única da história que não teve eliminatórias. Argentina, Bélgica, Bolívia, Brasil, Chile, Estados Unidos, França, Iugoslávia, México, Paraguai, Peru, Romênia e Uruguai foram convidados pela FIFA. Foi a Copa com o maior número de representantes sul-americanos, com sete. A participação europeia estava sendo dificultada pela distância entre o continente e a sede da competição. Na Iugoslávia, havia dúvidas sobre a participação, já que os croatas decidiram boicotar a seleção nacional, mas o rei Alexandre I evitou que isso acontecesse.

Os iugoslavos foram o time mais jovem da Copa, com uma idade média de 21 anos, formando o Grupo 2 com Brasil e Bolívia. Após a sua primeira partida, na vitória por 2 x 1 contra a Canarinha, eles receberam um novo apelido da imprensa uruguaia: “The Ich-es” ou “Ichachos”, referindo-se à maioria dos sobrenomes dos jogadores que acabavam com o sufixo “-ić” ou “-vić”, algo muito comum nos sobrenomes do país. Contra a Bolívia, uma goleada por 4 x 0 classificou os europeus para a semifinal. Entretanto, a sorte da Iugoslávia acabou quando enfrentaram o Uruguai. Os sul-americanos golearam por 6 x 1 e avançaram para a final, faturando a primeira Copa diante da Argentina e confirmando o favoritismo dos donos da casa, após ser bicampeão olímpico de futebol em 1924 e 1928.

Goleiro Milovan Jaksic na derrota contra o Brasil por 2 x 0 (Foto: Reprodução/FIFA)

1950

Após não se classificar em duas edições e a pausa devido a Segunda Guerra Mundial, a Iugoslávia retornou a Copa em 1950, disputada em solo nacional. Mesmo com um bom desempenho, não conseguiu avançar no Grupo 1, divido com Suíça, México e Brasil. Os dois primeiros não foram páreos para a Iugoslávia, que venceu por 3 x 0 e 4 x 1, respectivamente. Entretanto, perdeu por 2 x 0 para a Seleção Amarelinha, que posteriormente perderia a final de virada para o Uruguai, por 2 x 1, no episódio conhecido como “Maracanaço”.

Vitória por 3 x 0 diante da Suíça (Foto: Reprodução/FIFA)

1954 e 1958

Nestas duas edições, a Iugoslávia teve uma mesma “pedrinha no sapato”: a Alemanha Ocidental. Em 1954, mais uma vez enfrentando o Brasil na fase de grupos (Grupo 1), a Iugoslávia empatou por 1 x 1 contra a “Canarinho” e venceu a França por 1 x 0, avançando às quartas de final. Entretanto, foi eliminada ao perder por 2 x 0 para a Alemanha Ocidental, que seria campeã da edição.

Vitória contra a França por 1 x 0 (Foto: Reprodução/FIFA)

No ano em que o Brasil conquistou sua primeira Copa, ao menos a Iugoslávia não nos enfrentou. Pelo Grupo 2, os europeus estrearam com empate por 1 x 1 diante da Escócia, bateram a forte França de Fontaine (artilheiro desta edição com 13 gols, recorde até hoje) por 3 x 2 e empataram por 3 x 3 com o Paraguai, chegando novamente ao mata-mata. Entretanto, mais uma vez a Alemanha Ocidental eliminou a Iugoslávia nas quartas de final, vencendo por 1 x 0.

Empate por 1 x 1 contra a Escócia (Foto: Reprodução/FIFA)

 1962

Além do bicampeonato brasileiro, esta Copa marcou a melhor colocação da história da Iugoslávia.  No Grupo 1, a Iugoslávia estreou com derrota para a União Soviética por 2 x 0, mas se recuperou ganhando por 3 x 1 e goleando a Colômbia por 5 x 0. Pela terceira Copa seguida a Iugoslávia enfrentou a Alemanha Ocidental nas quartas de final, mas desta vez levou a melhor e venceu por 1 x 0. A final estava mais perto do que nunca, porém a Iugoslávia não foi capaz de superar a Tchecoslováquia, sendo derrotada por 3 x 1. Na disputa de 3º colocado, perdeu para o Chile por 1 x 0, terminando a Copa na 4º posição.

Defesa do goleiro iugoslavo Soskic na derrota para o Chile por 1 x 0 (Foto: Reprodução/FIFA)

1974

Após duas edições ausente, a Iugoslávia retornava a Copa para cair no Grupo 2, mais uma vez enfrentando o Brasil. Na estreia contra a “Canarinho”, um fraco empate por 0 x 0. No segundo jogo, uma das maiores goleadas da história da competição: 9 x 0 diante do Zaire, com três gols de Dušan Bajević (atualmente treinador do clube grego AEK Atenas). O empate por 1 x 1 contra a Escócia foi suficiente para classificar a Iugoslávia na primeira posição do grupo. A segunda fase foi novamente dividida, entre Grupos A e B, formados pelos dois melhores de cada grupo da fase anterior. Neste formato, o primeiro de cada grupo avançaria a final, enquanto o segundo disputaria o 3º lugar. A Iugoslávia caiu no grupo B e terminou em último, sem somar sequer um ponto: 2 x 0 para a Alemanha Ocidental (que seria campeã diante da Holanda), 2 x 1 para a Polônia e 2 x 1 para a Suécia.

Seleção da Iugoslávia de 1974 (Foto: Reprodução/FIFA)

1982

Após não se classificar para a edição de 1978, a Iugoslávia voltou a Copa para formar o Grupo E. Ao empatar por 0 x 0 contra a Irlanda do Norte, perder por 2 x 1 para a Espanha e bater a Honduras por 1 x 0, a Iugoslávia sequer passou da fase de grupos.

Seleção da Iugoslávia de 1982 (Foto: Reprodução/FIFA)

1990

Após não se classificar para a Copa de 1986, a Iugoslávia mostrou um bom desempenho em 1990. No Grupo D, a estreia foi diante de seu maior carrasco, e o resultado seguiu o retrospecto: 4 x 1 para a Alemanha Ocidental (que seria campeã contra a Argentina), com dois gols de Lothar Matthäus. Nos outros dois jogos da fase de grupos obteve duas vitórias: 1 x 0 contra a Colômbia e 4 x 1 diante dos Emirados Árabes. Nas oitavas de final bateu a Espanha por 2 x 1 na prorrogação, mas nas quartas foi eliminada pela Argentina nos pênaltis.

Seleção de Iugoslávia de 1990 (Foto: Reprodução/FIFA)

1994

A partir de 1990 começou o processo de desintegração da Iugoslávia. Países como Croácia, Macedônia e Eslovênia foram os primeiros a conquistarem a independência. Entretanto, a FIFA proibiu a participação da Iugoslávia e os países gerados por estarem em conflitos armados.

1998

Croácia e Iugoslávia na Copa de 1998

Esta foi a última Copa da Iugoslávia (representada por Sérvia e Montenegro) e a primeira da Croácia. A Iugoslávia avançou para o mata-mata no Grupo F, após vencer o Irã por 1 x 0, empatar com a Alemanha por 2 x 2 e bater os Estados Unidos por 1 x 0. Entretanto, sua trajetória nas Copas se encerrou ao ser eliminada pela Holanda nas oitavas de final, perdendo por 2 x 1.

Seleção da Iugoslávia de 1998 (Foto: Reprodução/FIFA)

Já a Croácia teve um melhor desempenho. Após ter feito uma boa Eurocopa em 1996, a seleção caiu no Grupo H em 1998. A estreia foi uma vitória por 3 x 1 contra a Jamaica, depois bateu o Japão por 1 x 0 e terminou a fase de grupos perdendo por  1x 0 diante da Argentina, o que não interferiu na classificação croata. O grande jogador da Croácia era o atacante Davor Šuker (na época atuava pelo Sevilha, e ainda teve passagens por Real Madrid e Arsenal), que foi o artilheiro desta Copa com seis gols.

Nas oitavas de final, Šuker garantiu a classificação contra a Romênia marcando o único tento da partida. Nas quartas, a memória do retrospecto ruim contra a Alemanha em Copas era eminente, mas não interferiu. Šuker comandou a vitória Croata por 3 x 0 anotando o dele. Em uma semifinal fortíssima, a Croácia enfrentou a França de Zinédine Zidane, enquanto do outro lado Brasil e Holanda disputavam a vaga na final. Šuker abriu o placar contra os donos da casa, mas o sonho croata de vencer a Copa chegou ao fim com Thuram. O lateral esquerdo marcou os dois gols da virada francesa, que posteriormente seria campeã contra o Brasil. Levando em conta a forma que a “Canarinho” jogou na final, não seria nenhum exagero dizer que a Croácia teria chances reais de ganhar o título. Na disputa de 3º colocado, a seleção fez a festa ao bater a Holanda por 2 x 1, com mais um gol de Šuker.

Croácia conquista o 3º lugar em 1998 (Foto: Reprodução/FIFA

2002 e 2006

Após a euforia causa pela Croácia em 1998, as duas Copas seguintes não chegaram perto do desempenho obtido na estreia, tendo ficado na fase de grupos nas duas ocasiões. No ano do pentacampeonato brasileiro, a Croácia caiu no Grupo G, perdendo para o México por 1 x 0, ganhando da Itália por 2 x 1 e sendo derrotada pelo Equador por 1 x 0.

Seleção da Croácia de 2002 (Foto: Reprodução/FIFA)

Já em 2006, a Croácia ficou no Grupo F. Com gol de Kaká, o Brasil saiu vitorioso do confronto. Após os empates por 0 x 0 contra o Japão e 2 x 2 diante da Austrália, a Croácia se despediu da Copa.

Kaká finaliza contra a Croácia em 2006 (Foto: Reprodução/FIFA)

2014

Após ficar ausente da edição de 2010, a Croácia veio ao Brasil disputar a Copa de 2014. No Grupo A, fez sua estreia contra os donos da casa, e perdeu por 3 x 1 de virada. Na segunda partida bateu Camarões por 4 x 0 e posteriormente foi derrotada por 3 x 1 para o México, novamente não passando pela fase de grupos.

Oscar disputa bola contra jogadores croatas (Foto: Reprodução/FIFA)
Guilherme Papa

Sobre Guilherme Papa

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Guilherme Papa é estudante, de 21 anos, da turma do 5º semestre de Jornalismo da Universidade Metodista de São Paulo. Completamente louco por futebol, tem como objetivo transmitir informações do mundo da bola da melhor maneira possível.

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