Xavi é o recordista de partidas pelo Barcelona (Foto destaque: Reprodução)

Técnico e brilhante. Gênio e dominante. Muitas palavras podem resumir o que Xavi Hernández foi em campo. Eleito pela France Football um dos 11 melhores jogadores de todos os tempos, ele é também um dos maiores a atuar por Barcelona e Espanha. Nesta-segunda-feira (25), a coluna Parabéns ao Craque deseja não apenas parabenizar o ex-jogador por seu 41º aniversário, como prestar homenagem às suas contribuições ao mundo do futebol.

Infância

Nascido em 1980, Xavi iniciou sua relação com a bola desde muito cedo. Aos cinco anos, jogava em uma escolinha de futebol, onde protagonizou uma história bem curiosa: quando somos crianças, geralmente não temos noções táticas e apenas corremos atrás da bola. Porém, Xavi ficava parado no meio do campo, o que era estranho para os pais que iam assistir aos jogos. Quando seu pai perguntou o porquê daquele comportamento, o menino respondeu:

“Porque se eu não estiver aqui, a bola não chegará até lá.”

Ou seja, mesmo com apenas cinco anos, ele já mostrava que era diferente da maioria.

Apesar de morar na Catalunha e ter relação com o futebol espanhol, o pequeno Xavi se encantou mesmo com o futebol praticado na Inglaterra. Suas maiores inspirações eram Paul GascoigneMatt Le Tissier John Barnes. A partir disso, e com ajuda de seu pai, o menino foi criando uma ligação cada vez maior com o esporte.

Apesar do porte físico desfavorável, o jovem de Terrassa se destacava por sua inteligência em campo (Foto: Divulgação/Barcelona)
Apesar do porte físico desfavorável, o jovem de Terrassa se destacava por sua inteligência em campo (Foto: Divulgação/Barcelona)

Base do Barcelona

Com seis anos, Oriol Tort, descobridor renomado de talentos do Barcelona, se encantou com o talento de Xavi. Porém, sua pouca altura e corpo frágil contavam contra o garoto. Como seu pai e ex-jogador, Joaquim Hernández, sabia que o menino tinha futuro, decidiu investir nele. Por isso, conversou com Tort e disse:

“O garoto é muito pequeno, mas vocês vão assinar com ele em breve.

Dito e feito. Cinco anos depois, em 1991, Xavi marcou três gols em um teste e o olheiro blaugrana não hesitou em enviar o jovem direto para as categorias de base do Barcelona, a famosa La Masia. Assim, o menino foi evoluindo, se destacando e, enfim, ganhou uma chance no Barça B, na temporada 1997–98.

Estreia no profissional

A estreia de Xavi veio em 1998, com apenas 18 anos. Na época, o técnico era o holandês Louis Van Gaal, e após chamar a atenção na base, o promissor meia ganhou uma chance de jogar na Supercopa da Espanha contra o Mallorca, ocorrida em 18 de agosto daquele ano.

Sem perder tempo, Xavi marcou seu primeiro gol com a camisa do Barcelona logo aos 16′. Entretanto, os culés tomaram a virada e também perderam o segundo jogo da competição, cuja taça ficou com a Ensaimada Mecanica.

Porém, nem tudo daquela temporada foi motivo de lamentação. Isso porque o Barcelona se sagrou campeão da La Liga 1998/99, e Xavi pôde participar de 17 partidas daquele time vencedor.

Quando tinha 19 anos, ele ficou perto de deixar o clube catalão e se transferir ao Milan. Seu pai concordou com a ideia, mas sua mãe afirmou efusivamente que se o filho deixasse Barcelona, pediria o divórcio. Felizmente para os torcedores culés, Xavi decidiu ficar e, se pudessem, agradeceriam à dona Maria Mercè Creus.

Posteriormente, o titular absoluto da posição, um tal de Pep Guardiola, sofreu uma sequência de lesões, o que deu mais chances a Xavi no time titular. A cada ano, o meia foi evoluindo e impressionando cada vez mais. Até que em 2001, Guardiola deixou o Barcelona, abrindo caminho para o jovem de 21 anos.

Como resultado, Xavi participou de quase todos os confrontos da La Liga 2001/02, e com sua importância no time mais clara do que neve, garantiu convocação para a Copa do Mundo de 2002.

Van Gaal é conhecido por ser um técnico exigente, e com o meia não foi diferente (Foto: Reprodução)
Van Gaal é conhecido por ser um técnico exigente, e com o meia não foi diferente (Foto: Reprodução)

Lesão e dúvidas

Em 2004/05, se tornou vice-capitão da equipe, que tinha Carles Puyol como dono da faixa. Tudo corria bem para o jogador oriundo de Terrassa, na Catalunha, até que na temporada seguinte, Xavi rompeu os ligamentos do joelho durante um treinamento. Resultado: ficou fora de combate por cinco meses, e voltou próximo da final da Champions, em que o Barcelona venceu o Arsenal por 2 x 1 no Stade de France, em Paris.

Após a grave lesão, muitos duvidavam que Xavi poderia voltar a atuar em alto nível. Entretanto, ele provou que todos estavam errados, graças a sua maturidade e personalidade. Assim, na temporada 2008/09, o Barça conquistou a tríplice coroa e, mais uma vez, Xavi foi brilhante.

Com 10 gols e 31 assistências, o meia foi essencial no jogo em equipe que o Barcelona pregava e que levou à conquista dos títulos. Ainda por cima, foi indicado ao prêmio Bola de Ouro de 2009, junto com Cristiano Ronaldo e Messi, que venceu a honraria.

Relação com Iniesta

Xavi estreou no profissional em 1998, mas só foi virar companheiro de Iniesta em 2002. A partir dali, uma das melhores duplas futebolísticas começou a ser formada. Isso porque um conseguia completar o outro, e a sintonia entre os dois dentro de campo era impressionante. Tanto que quando se fala de um, não se esquece o outro. Juntos, comandavam o meio de campo, e como bons maestros, regiam o jogo no ritmo que fosse necessário.

Xavi e Iniesta dividiram o campo por 13 anos (Foto: Reprodução/Getty Images)
Xavi e Iniesta dividiram o campo por 13 anos (Foto: Reprodução/Getty Images)

Guardiola

Quando se fala de Xavi, uma das primeiras coisas que vêm à mente é seu tempo jogando no Camp Nou. Sua inteligência, seus passes precisos, sua calma para controlar o jogo, tudo isso torna o ex-meia um dos melhores da história do clube e quem sabe até da posição. Não à toa, é ele quem mais vestiu a camisa do Barcelona na história.

Porém, muito de seu sucesso se deve a Pep Guardiola, técnico que comandou a equipe de 2008 a 2012. Com ele, Xavi venceu três edições de La Liga, duas Champions, entre outros títulos.

No primeiro ano, o meia poderia ter trocado o Barça pelo Bayern, mas Guardiola o convenceu de que ele era muito importante para o time e não poderia sair. Certamente, não há quem duvide de que o jogador foi fundamental para aquele time que encantou o mundo.

Peça-chave

Junto com Iniesta e Messi, ele resgatou um significado de futebol que tinha sido visto pela última vez na Holanda de Cruyff. O famoso “tiki-taka”, expressão que, aliás, não agrada Guardiola, fazia os adversários delirarem e maravilhava qualquer um que goste de assistir ao esporte.

Na estrutura da equipe de Pep, Xavi era o cérebro. Aquele que sabia onde a bola deveria ir e para quem passar. Sem ele, aquele Barcelona não teria conquistado tantas coisas. Iniesta não conseguiria costurar a marcação com seus dribles curtos sem antes receber um passe preciso de seu companheiro, e Messi não seria Messi se Xavi não achasse espaços de uma forma que facilitasse o trabalho do argentino.

Dito isso, podemos afirmar que o papel dele naquele time era indispensável e insubstituível. Até por isso, quando os três foram indicados para o Bola de Ouro da FIFA em 2010, não seria um absurdo dizer que Xavi poderia ter levado o prêmio.

O auge de Xavi ocorreu sob o comando de Guardiola (Foto: Reprodução)
O auge de Xavi ocorreu sob o comando de Guardiola (Foto: Reprodução)

Seleção Espanhola

Com a camisa da Fúria, Xavi fez 190 jogos, entre sub-17 e seleção principal. Estreou em 2000 no time de cima em um amistoso contra a Holanda. Entre suas conquistas, estão o Mundial Sub-20 de 1999, a medalha de prata nos Jogos Olímpicos de Sydney, a Eurocopa de 2012, além de, é claro, a Copa do Mundo de 2010, disputada na África do Sul.

No total, Xavi esteve em quatro Copas do Mundo, e para sempre será lembrado como um dos principais jogadores daquele grupo que venceu a única da história da seleção espanhola. Obviamente, ele estava presente na final, naquele jogo em que seu amigo de Barcelona, Andrés Iniesta, marcou o gol da vitória sobre a Holanda, a seleção contra a qual Xavi estreou como selecionado.

O camisa '8' foi campeão da Copa do Mundo em 2010 (Foto: Lluis Gene/AFP)
O camisa ‘8' foi campeão da Copa do Mundo em 2010 (Foto: Lluis Gene/AFP)

Curiosidades

Seu ex-companheiro de Espanha, o brasileiro naturalizado espanhol Marcos Senna, disse em entrevista à ESPN que ficava impressionado com o fato de Xavi não entrar no bobinho, já que nunca errava um passe. “Esse cara não vai entrar, caramba?”, se perguntava. Além disso, Senna afirmou que o camisa ‘8’ gostava de ‘tomar uma’ durante as celebrações.

Apesar de morar longe, sua ligação com a Catalunha continua mais forte do que nunca. Isso porque Xavi resolveu doar um milhão de euros (cerca de 6,6 milhões de reais) a um hospital em Barcelona para ajudar na luta contra o novo coronavírus.

Aposentadoria

Aproximadamente um mês após cair na fase de grupos com a Espanha na Copa de 2014, Xavi anunciou sua aposentadoria da seleção. Já por clubes, o meia decidiu pendurar as chuteiras em 20 de maio de 2019, sendo seu último time o Al-Sadd, equipe do Catar, onde é também embaixador da Copa do Mundo de 2022. No entanto, não podemos esquecer de sua despedida do Barcelona, mesmo que não seja uma aposentadoria.

Seu último jogo oficial com a camisa culé foi na final da Champions League de 2015, em que o Barça venceu a Juventus por 3 x 1. Antes disso, o clube fez uma homenagem na partida contra o Deportivo La Coruña, dando a oportunidade da torcida se despedir do jogador. Além disso, um ato oficial no dia 3 de junho, pouco antes do adeus final, serviu para reconhecer suas contribuições em campo.

Xavi treinador e possível futuro no Barça

Pouco depois de sua aposentadoria, Xavi foi anunciado como novo técnico do Al-Sadd. Desde então, o catalão comandou 56 jogos, em que venceu 34, empatou nove e perdeu 13. Influência de Guardiola ou não, o time catariano marcou 147 gols desde que Xavi chegou.

Muito se especula sobre o futuro dele como treinador do Barcelona. Porém, o próprio ex-jogador afirma que esse ainda não é o momento de discutir isso. Mas, fica claro que há ainda um carinho existente entre ele e o clube, e em algum momento, Xavi se tornará técnico dos Blaugranas.

A questão que fica é: será que teremos a oportunidade de vê-lo comandando seu antigo companheiro de time, Lionel Messi?

Xavi é um dos embaixadores da Copa do Mundo de 2022 no Catar (Foto: AFP)
Xavi é um dos embaixadores da Copa do Mundo de 2022 no Catar (Foto: AFP)

Foto destaque: Reprodução

Rafael Sant'Ana
Escolhi o jornalismo porque sou apaixonado por informação e esportes desde sempre. Tenho o sonho de exercer a profissão no exterior. Dedicação e interesse por estudar são algumas de minhas marcas.

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