Nesta segunda-feira (29), a coluna Parabéns ao Craque homenageia N'Golo Kanté, atual volante do Chelsea. Assim, o francês chamou as atenções para si na campanha do único título inglês do Leicester, na temporada 2015/16. Entretanto, para se transformar em um dos maiores meio-campistas da atualidade, o “baixinho” enfrentou grandes dificuldades, tanto na vida profissional quanto na pessoal.

Infância difícil em Paris

Nascido na capital francesa, filho de imigrantes de Mali, Kanté aprendeu a dar valor à vida desde pequeno. Assim, o menino sonhava em se tornar um grande jogador de futebol. Entretanto, suas condições financeiras não o ajudavam. Dessa maneira, logo aos sete anos de idade, o garoto iniciou sua trajetória de gari nas ruas de Paris. Todo o esforço era válido para ajudar seu pai a levar comida à mesa de sua família.

Em 1998, quando a Seleção da França conquistou a Copa do Mundo em cima do Brasil, as ruas da capital ficaram “cobertas” de lixo, decorrente da grande comemoração da torcida. Assim, enquanto boa parte da população comemorava, Kanté limpava os arredores dos estádios utilizados naquela edição de mundial.

Mas, logo cedo a vida começou a derrubar o pequeno N'Golo. Assim, com apenas 11 anos, o menino perdeu seu pai. A partir daí, a responsabilidade de ser o irmão mais velho e ajudar sua mãe criaram forças. Dessa maneira, o garoto seguia catando lixo nas ruas de Paris para auxiliar no sustento de sua família.

Primeiras oportunidades no mundo da bola

Após ver o grande sucesso da Seleção da França, N'Golo percebeu que os grandes nomes da equipe eram migrantes, como: Zidane, Thierry Henry e Patrick Viera. Assim, o jovem começou a acreditar em seu futuro no futebol. Dessa maneira, com os inúmeros clubes surgindo na periferia onde morava, Kanté ingressou nos juvenis do JS Suresnes.

Entretanto, o início de carreira não foi fácil para o francês. Desse modo, por conta de sua baixa estatura, o garoto era subestimado por seus companheiros de equipe. Mas, com o decorrer do tempo, uma de suas grandes características foi vindo à tona: a capacidade de desarmar seus adversários. Diante disso, com um exímio ladrão de bolas, seu time começou a ganhar títulos.

A infância humilde e sofrida fez com que Kanté crescesse tímido. Com isso, enquanto seus companheiros celebravam juntos as conquistas das taças, o garoto preferia curtir à distância.

Chegada de Kanté ao profissional

Disciplinado dentro de campo, o jovem era referência para seus colegas de time e motivo de orgulho para seu técnico. Dessa maneira, para recompensar seu grande trabalho, Kanté chamou atenção do US Boulogne em 2010, clube que atuava pela Segunda Divisão Francesa. Assim, o atleta acertou sua ida à equipe.

Não demorou muito para o volante despontar. Desse modo, defendeu o clube por duas temporadas até se transferir para o Caen, em 2013. Assim, em sua nova equipe, Kanté “carregava o piano” e dava aula de desarmes no meio-campo do time. Diante disso, Franck Silvestre, ex-atleta da Seleção Francesa, chegou a pedir a convocação do volante ainda naquela época.

Rumo à Inglaterra para fazer história

Sendo um dos principais jogadores do clube, o Caen correu para estender o vínculo do meio-campista. Assim, Kanté renovou contrato até o fim de 2018 com a equipe. Entretanto, nada segurava o grande avanço do volante no cenário mundial.

Em 2015, N'Golo se transferiu ao Leicester, clube de maior expressão. Entretanto, sem ser considerado candidato ao título da Premier League. Contudo, juntamente de Vardy e Mahrez, o volante fez história. A equipe era a quarta menos valiosa do Campeonato Inglês na época, e, consequentemente, colocada para brigar contra o rebaixamento.

Mas, no comando de Claudio Ranieri, o pequeno clube conquistou a Premier League com 23 vitórias, 12 empates e apenas três derrotas. Entre os pontos de equilíbrio da time estava Kanté. Assim, o “pequeno grande homem” foi um dos maiores ladrões de bolas daquela edição do torneio. Desse modo, fez parte da equipe do ano do Campeonato Inglês.

O título fez Kanté chegar ao ápice

Com as grande aparições na campanha do título, N'Golo foi visto com ótimos olhos por Didier Deschamps, técnico da França. Assim, o volante foi convocado para defender as cores de seu país na Eurocopa de 2016. A partir daí, Kanté garantiu sua vaga na equipe.

Além disso, diversos gigantes europeus chegaram a sondar o meio-campista. Dessa forma, o Chelsea venceu a corrida e desembolsou cerca de 35 milhões de euros para contar com o atleta em seu plantel. Novamente, o jogador passou a ter aparições impecáveis e foi o segundo maior ladrão de bolas da Premier League. Com isso, ajudou os Blues a conquistar o Campeonato Inglês.

Os títulos não pararam por aí. Nos anos seguintes, o Chelsea voltou a dominar as competições em que disputava. Assim, conquistou a Europa League e a Copa da Inglaterra.

O menino que catava lixo se tornou campeão mundial

Na Copa do Mundo de 2018, Didier Deschumps anunciou a convocação para o mundial. Novamente, Kanté estava na lista de convocados. Assim, juntamente com Pogba, a dupla tomou conta do meio de campo da França e, juntos, conquistaram o segundo título dos franceses na história.

Entretanto, como na época de menino, um aspecto voltou a ser pauta: a timidez de N'Golo. Durante a comemoração da conquista mundial, enquanto seus companheiros estavam em êxtase, Kanté sequer encostou no troféu. Após perceber a humildade do volante, N'Zonzi, atleta do plantel campeão, interviu a todos e entregou a taça ao meio-campista, para que pudesse desfrutar do momento.

Além do título mundial, Kanté fez parte da seleção daquela Copa do Mundo. Ademais, foi considerado o atleta francês do ano de 2018.

Vida longa a Kanté!

A história de N'Golo emociona os amantes da bola. Assim, após uma infância sofrida, lutando para deixar as ruas de Paris limpas, o lado humano de Kanté venceu os grandes golpes da vida. Dessa maneira, o volante é exemplo de dedicação para aqueles que, mesmo sem condições financeiras, sonham em um dia brilhar nos gramados europeus. Por conta disso, além de fazer parte dos melhores do mundo na atualidade, o atleta é visto como um dos grandes homens ligados ao futebol.

Foto Destaque: Reprodução/Getty Images

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Bruno Reis
Prazer! Sou Bruno Reis, de Santo André, ABC paulista. Desde 2001 vivo, choro e sorrio por futebol. Costumo dizer que este esporte nunca será qualquer um, ele muda e transforma vidas, como fez com a minha. Próximo do término do ensino médio, me senti perdido, me perguntava qual seria meu rumo a partir dali. Apesar de não ter dado certo dentro de campo, percebi que tinha chegado a hora de viver do futebol fora dos gramados, como jornalista. Hoje não me vejo longe dessa profissão, virou minha paixão. O que mais amo fazer é escrever e viver dele com todas as minhas forças.

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