Pame de Armas é goleira no Danubio-URU

Pame de Armas, goleira do Danubio, do Uruguai concedeu entrevista ao Futebol Na Veia. Diversos assuntos foram tratados, entre eles o empoderamento feminino no futebol. Nesta terceira parte, a atleta conta sobre sua carreira e suas características em campo.

A relação com o futebol sempre existiu. Basicamente, desde quando nasceu, Pame sempre esteve com a bola nos pés. E sua carreira começou quando jogava bola com seu irmão em uma praça. Dessa maneira, em 2010, quando tinha apenas 12 anos, uma garota apareceu por lá e disse que seu pai era técnico no time feminino do Bella Vista.

“Naquele mesmo ano, fomos ao clube para realizar atividades e havia um campeonato de futebol de cinco que estava sendo disputado. Eu me aproximei de um homem que sabia que era treinador de futebol no River Plate. Ele me perguntou se eu estava interessada em jogar. Obviamente eu concordei e estava entrando em Bella Vista” conta Pame.

PASSAGEM PELO RIVER PLATE

Na sequência, teve a experiência no River Plate-URU. Clube no qual se sentiu muito confortável. Além disso, a atmosfera e o ambiente familiar foram fatores determinantes para que Pame de Armas deixasse o Bella Vista. No entanto, por conta da idade, ainda não poderia jogar oficialmente. Mas seguiu treinando durante o ano inteiro. Entretanto, o desmanche do time feminino do River fez com que novas oportunidades surgissem.

“Comecei a ter mais oportunidade até que peguei um carinho enorme pelo gol. Continuei treinando por um ano inteiro até completar 13 anos. Mas aconteceu que o River não queria mais futebol feminino, então ficamos sem time. Passamos seis meses ou mais treinando juntos, mas continuamos sem time até que um projeto dos andarilhos de Montevidéu saiu. Eu estive neste clube de 2011 a 2013. Participamos quatro vezes dos campeonatos juvenis”.

No Montevidéu, fez parte da categoria sub-17, em 2013, e a chance de viajar pela América do Sul. Ao passo que em 2014, passou a treinar no Bella Vista e neste mesmo ano foi campeão da Taça de Prata. Posteriormente, em 2018, sua passagem pelo Liverpool-URU. Todavia, teve que deixar o clube no meio do ano, devido aos problemas no cronograma de estudos.

APOIO DA FAMÍLIA

No início, Pame de Armas não teve o apoio da família. Afinal, seus pais achavam que era um capricho porque via o irmão jogar. Contudo, com o tempo eles perceberam que ela realmente gostava. E agora são seus fãs número um, vão a todas as partidas. Inclusive, sua mãe está sempre a acompanhando com a câmera.

“Meus pais apoiam a mim e a meu irmão em tudo. Não só no futebol, mas em todas as coisas que fazemos. Eles estão muito presentes. Em relação aos horários de estudos e trabalhos, às vezes é complicado. Temos que cuidar das refeições, descansar, e são coisas que devem ser organizadas em conjunto. Sempre tentando dar o máximo para poder render, sem descuidar nunca das responsabilidades com o estudo”, disse.

JOGOS MARCANTES

Quando perguntada sobre qual foi o jogo mais importante de sua carreira, Pame afirma que é difícil responder, pois sempre dá seu melhor em cada partida. E relembra o duelo contra o Peñarol. Já que, além de retornar de uma lesão, foi o primeiro jogo na Bolívia, após quase dois meses. Aliás, essa partida é uma das que ela usa para analisar, ver o que foi bom e o que precisa melhorar.

“Porque eu estou aprendendo constantemente. Então, eu sinto que todos os jogos foram notáveis. Alguns talvez, obviamente, com mais erros do que outros, com mais coisas ruins do que outros, mas sinto que sempre consigo tirar algo de tudo. Algo para continuar melhorando, sem dúvida. Com jogos ruins, você aprende muito mais do que jogos bons. Porque você faz com que eles não aconteçam novamente em um jogo. Bem, talvez você não veja tantos erros, mas você vê tudo o que melhorou, sem dúvida. Tenho que aprender dia a dia, até o dia em que me aposentar quero continuar aprendendo futebol”.

PASSAGEM PELA SELEÇÃO

Pame teve a oportunidade de defender a seleção em 2013, na categoria sub-17. Segundo a goleira, foi uma experiência inesquecível, que adoraria repetir um dia. Sobretudo, define como uma das coisas mais bonitas que podem acontecer a um atleta. Assim, voltar a seleção é um de seus objetivos. E também o sonho de todo jogador.

INFLUÊNCIAS DA VIDA PESSOAL

Segundo Pame de Armas, as pessoas que conheceu são uma das coisas mais importantes. Graças ao futebol, conquistou amigas e experiências inesquecíveis. Além de experiências vividas juntamente com as companheiras de time e a equipe técnica. Sem contar os valores conquistados, como o respeito.

“Eles aparecem em muitas áreas da vida, não apenas no futebol, mas há muitas coisas que aprendi com ele. O futebol tem uma grande influência para mim. Inclusive, minha vida pessoal é algo que está sempre presente. Eu digo que as pessoas que me conhecem, tanto do lado de fora, quanto no trabalho, percebem que o esporte está no sangue, que é algo que sempre está presente em mim. Sempre que tenho a oportunidade de falar sobre futebol, digo, sem dúvida, que é uma parte de mim, é um estilo de vida”.

OUTRAS POSIÇÕES ALÉM DO GOL

Antes de começar no gol, Pame teve a oportunidade de jogar na frente. Quando tinha apenas 12 anos, e não podia jogar ainda, o então técnico do River fez com que ela mudasse de categoria. Em seguida, o técnico foi conversar com ela e disse que tinha condições de assumir o gol devido à altura. Por certo, poderia ter um bom desempenho. E até hoje a goleira agradece ao comandante. Nesse sentido, começou a treinar mais duro no gol e atualmente não se vê em outra posição que não embaixo das traves.

PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS

A goleira define seu modo de ser em geral como um de seus pontos fortes. Uma vez que tem presença no campo e não tem medo de falar as coisas importantes. Dessa forma, está sempre evoluindo. Tais características vão além das quatro linhas. E fala também sobre a função de um goleiro.

“Acho que o goleiro deve estar sempre à frente, dizendo para onde avançar. Porque, se ele perde a fé, o time desmorona. É uma responsabilidade estar no gol, mas eu amo isso, eu gosto disso. Tento manter o grupo em harmonia, tentando integrá-los bem”.

A jogadora também está aperfeiçoando suas habilidades com os pés. Ainda segundo ela, o goleiro é uma peça fundamental, muito completa. Em comparação com outras partes técnicas, o talento com os pés ainda precisa ser melhorado.

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Cuánto falta para volver al ruedo? ⚽⚫⚪

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Foto destaque: Divulgação / Danubio Femenino.

Jéssica Albuquerque
Sou formada em Letras e atualmente curso Jornalismo. Sempre gostei de ler e de escrever, o que me levou a seguir nessas áreas.

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