Caiu o último invicto no Brasileirão. O tabu manteve-se intacto. Estas foram duas das principais consequências do choque-rei entre Palmeiras e São Paulo, que se enfrentaram pela nona rodada do campeonato. Com dois gols de Willian e um de Dudu, os donos da casa venceram de virada o Tricolor, que balançou as redes em gol contra de Edu Dracena – a arbitragem creditou o gol a Marcos Guilherme.

Com a vitória, o alviverde, que vinha de duas derrotas, alcançou a quinta colocação. Manteve a sina de não perder para o rival no Allianz Parque. Em contrapartida, o time comandado por Diego Aguirre perdeu a oportunidade de dormir na liderança do campeonato – com a derrota, o São Paulo dome na vice-liderança, mas pode ser ultrapassado por Corinthians e Fluminense, que jogam nesse domingo.

1º tempo

O Palmeiras entrou em campo sem Lucas Lima, cada vez mais apático, como já vinha sendo no Santos. Em seu lugar, Moisés assumiu a armação da equipe e herdou a braçadeira de Dudu. Escolhas coerentes do então pressionado Roger Machado.

Com a bola rolando, durante boa parte da primeira etapa, prevaleceu o equilíbrio, mas sem grandes chances criadas. Com bastante ímpeto, as duas equipes não pareciam dispostas a perder divididas. O primeiro gol da partida foi marcado por Marcos Guilherme, embora o toque para o fundo das redes tenha sido de Edu Dracena. A jogada se iniciou com um lateral longo de Reinaldo, que arremessou na direção da área alviverde. O zagueiro palmeirense atrasou mal e o Tricolor saiu na frente.

Marcos Guilherme abafou Jaílson, mas o gol foi contra (Reprodução/Globo Esporte)

Com o fim do primeiro tempo, a torcida palmeirense vaiou a equipe. Com razão. O time repetia a partida apática feita contra o Cruzeiro. Sidão não correu nenhum perigo. As jogadas de Dudu e Keno sucumbiram às linhas compactas do time de Aguirre.

2º tempo

O Tricolor voltou para a segunda etapa sem Hudson, que, ao lado de Jucilei, tomaram conta do meio-campo na primeira metade do jogo. Sem outra alternativa, os donos da casa partiram para cima. O empate, então, não demorou para sair: aos nove minutos, Keno recebeu de Moisés, foi à linha de fundo e cruzou rasteiro. Sidão falhou e soltou a bola no pé de Willian, que empurrou para o gol. Empate justo, já que os visitantes contentavam-se em se fechar na defesa.

Keno deu lugar ao jovem Hyoran, cada vez mais solto com a camisa verde.

A virada veio aos 21, em um gol irregular. Hyoran dividiu com Militão, a bola subiu e sobrou para Willian, que, de primeira, emendou um lindo sem pulo. Bola no ângulo direito de Sidão. Virada e explosão nas arquibancadas do Allianz Parque.

Três minutos depois, a derradeira pá de cal. Em contra-ataque letal, o excelente Moisés achou Hyoran aberto pela direita. O talentoso meia acionou Dudu, que entrava na diagonal pela esquerda. De cabeça, o camisa 7 ampliou a vantagem. O Palmeiras se aproveitou do apagão são paulino para virar o jogo.

Dudu decretou a vitória do Verdão e extravasou na comemoração (Reprodução/Globo Esporte)

Coincidência ou não, o Verdão tomou conta do meio-capo após a entrada de Petros. Aguirre até tentou mudar a cara do time. Mas de nada adiantou. Destaca-se a entrada do jovem Paulinho Boia, que não sentiu a pressão e jogou bem por cerca de 15 minutos. Daí em diante, nenhuma novidade.

Vitória importantíssima do Palmeiras.

Análise do jogo

No primeiro tempo, o São Paulo seguiu a cartilha do futebol copero de Aguirre. Com linhas compactas, o time não correu riscos. A passividade do Palmeiras irritou, com razão, o torcedor. Incomodava a falta de criatividade do melhor elenco da América Latina. Não à toa, a torcida vaiou a equipe no final do primeiro tempo.

Na etapa complementar, o Tricolor abdicou do jogo ofensivo. Por isso, trouxe o Verdão para o seu campo. Com Jucilei sobrecarregado, o São Paulo perdeu o meio-campo. Moisés soube aproveitar os espaços para armar a equipe. O Verdão venceu e lavou a alma, mas os mais lúcidos palmeirenses precisam ter a noção de que o desempenho esteve aquém do potencial. O ponto positivo foi a efetividade, a letalidade no momento certo.

Ao São Paulo, fica a lição para não abdicar do ataque. Quando esteve à frente do placar, o Verdão esteve atordoado. Era a hora de matar o jogo. Não o fez. Perdeu a invencibilidade e a chance de dormir na liderança.

E agora?

Na próxima rodada, o Palmeiras vai até Porto Alegre para encarar o Grêmio, na quarta-feira, às 21h45, na Arena Grêmio. O São Paulo, por sua vez, recebe o Internacional, na terça-feira, no Morumbi, às 21h30.

Melhores momentos do clássico

André Siqueira Cardoso
André Siqueira Cardoso
Sou André Siqueira Cardoso, tenho 21 anos. Aluno de jornalismo da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP), atualmente trabalho em VEJA, com a cobertura do noticiário político. Apaixonado por esportes, jogador de futebol até hoje, tenho o sonho de cobrir uma Copa do Mundo.

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