Paciência, por favor!

O diagnóstico santista das três primeiras rodadas apontava uma fragilidade defensiva, carência na criação e questões intrínsecas a um início de temporada. Se os seis gols da primeira partida aludiram ao DNA ofensivo da equipe, os quatro gols sofridos para times pequenos acenderam um alerta na Vila Belmiro.

Mais do que isso, a dificuldade na criação, acentuada pela sonolência do instável e superestimado Lucas Lima, contribuíram para que o ataque não obtivesse destaque. Em meio a isto, é válido dizer, entretanto, que as ausências de Vanderlei, um dos melhores goleiros do País, Renato, responsável por ditar o ritmo da saída de bola da equipe com maestria, e de Ricardo Oliveira, artilheiro e capitão da equipe, afetam sobremaneira o desempenho da equipe.

Na terceira rodada, por se tratar de um clássico, um revés para um rival, na teoria, poderia ser tratado com compreensão. Qualquer um poderia vencer, mesmo o Santos sendo apontado como favorito. A derrota acachapante para o São Paulo, por sua vez, expôs pontos críticos da equipe e serviram como lição.

Zeca e Lucas Lima deveriam ter as titularidades contestadas, como forma de chacoalhão, já que os rendimentos têm sido abaixo da média. O lateral não vai ao fundo, não cria jogadas agudas e ainda tem falhado defensivamente. Caju vai bem no ataque e poderia representar uma nova alternativa ofensiva, já que Victor Ferraz é acionado toda hora.

O meia, por sua vez, anda em campo e é a tradução literal de apatia. O camisa dez dificilmente será preterido. Mesmo com bagagem, Dorival não teria peito para barrar o mimado jogador. Como alternativa, Vitor Bueno poderia ser deslocado para a faixa central de campo e dar uma vaga para Arthur Gomes, Thiago Ribeiro ou Vladimir Hernández, que ainda não foi regularizado.

Na quente noite de ontem, o adversário era a Ferroviária, time que não havia vencido no Paulistão ainda, agora treinada por PC Oliveira, consagrado no futsal. O Santos ocupou o campo de ataque do time de Araraquara durante boa parte da primeira etapa, mas esbarrou no ferrolho defensivo armado por PC e pouco criou. Em sua melhor oportunidade, gol legítimo de Ricardo Oliveira, mal anulado pelo trio de arbitragem. O empate parcial encheu a Ferroviária de esperanças. A apatia santista na criação colaborava para isso.

Quando Cléber sacrificou-se para consertar o próprio erro e foi expulso, o nervosismo tomou conta da equipe de Dorival. O gol de Leandro Amaro escancarou isso. Dorival sacou o vaiado Cittadini e o Peixe tinha em campo dois volantes na zaga, Vitor Bueno sozinho no meio e quatro atacantes – Arthur Gomes, Copete, Thiago Ribeiro e Bruno Henrique.

Com o apito final, parte da torcida passou a criticar Dorival. Gritos de burro ecoaram das arquibancadas. O Santos não perdia duas partidas seguidas na Vila Belmiro desde 2014. Os torcedores, entretanto, precisam ter paciência. O estadual deve servir como laboratório para a Libertadores, objetivo principal.

Há falhas na equipe, é verdade. Elas são acentuadas quando Dorival mexe errado como tem feito. A mobilidade ofensiva deve prevalecer desde o primeiro segundo de jogo. Isso não ocorrerá com Thiago Maia e Leandro Donizete atuando juntos. Com o nervosismo ou com um placar desfavorável, de nada adianta encher a equipe de atacantes. Sem nenhum padrão tático, prevalece a correria.

Jogadores fundamentais estão no departamento médico. O treinador tenta implementar um novo estilo de jogo. A temporada está só começando. O estadual deve ser o laboratório para a Libertadores, objetivo principal. Paciência, por favor!

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André Siqueira Cardoso
André Siqueira Cardoso
Sou André Siqueira Cardoso, tenho 21 anos. Aluno de jornalismo da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP), atualmente trabalho em VEJA, com a cobertura do noticiário político. Apaixonado por esportes, jogador de futebol até hoje, tenho o sonho de cobrir uma Copa do Mundo.

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