Óscar Tabárez

De antemão, o Uruguai expandiu as fronteiras do futebol desde sua origem. Mas, se viu em uma situação de fracassos e decepções com o passar das décadas. Os anos foram conturbados para os torcedores, que buscavam um caminho para a Celeste voltar aos eixos. Contudo, o Desclausurando o Uruguaio desta semana revela a trajetória do atual treinador da seleção uruguaia, Oscar Tabárez, que brevemente se tornou referência ao resgatar o futebol do país.

EL MAESTRO, OSCAR TABÁREZ

Oscar Washington Tabárez Silva começou cedo no ramo do futebol. Atuava como jogador defensivo em times medianos de Montevidéu. Ao mesmo tempo em que dava aula em uma escola pública localizada no subúrbio da capital. Aliás, foi neste contexto que  surgiu o famoso apelido El Maestro (significa professor em espanhol).

O comandante sul-americano pendurou as chuteiras aos 31 anos, no clube Bella Vista, onde também começou sua trajetória na área técnica. Em 1983, conquistou seu primeiro campeonato nos jogos Pan-Americanos, pela Seleção sub-20 do Uruguai. Clubes como Penãrol, Boca Juniors e Deportivo Cali também estão no currículo do comandante. Além disso, na sua primeira passagem pela Celeste foi vice campeão da Copa América de 1989, ficando atrás do Brasil de Romário.

Tabárez se comporta como um líder, seu pensamento está em traçar o melhor plano rumo a glória. Tanto que ele não se deixa abater pela doença neurológica diagnosticada há 4 anos. Aos 73 anos de idade, o treinador sofre da síndrome de Guillain-Barré, que afeta o sistema nervoso e causa fraqueza muscular. Felizmente, a condição não afeta seu desempenho na carreira, mas impõe limitações. Durante as partidas, por exemplo, ele permanece sentado no banco. São seus auxiliares técnicos que ficam responsáveis por levar as instruções para dentro do campo.

LEMBRANÇAS DE 87

Dia 31 de outubro de 1987, Estádio Nacional. Partida de desempate pela eletrizante Copa Libertadores da América. O duelo entre Peñarol e América de Cáli se tornou uma das partidas mais memoráveis na carreira de Oscar Tabárez. De um lado, o uruguaio buscava seu primeiro título expressivo pelo clube. Do outro, Ricardo Gareca, que ainda atuava como atacante, tinha a vantagem de jogar por um empate. 

Gareca era o artilheiro da equipe, com sete gols na competição, mas a noite não estava a favor do jogador. Aos 34′ do segundo tempo, uma bola  dentro da área foi mal recuada pela defesa do Peñarol. O atacante tentou marcar de bicicleta, mas errou o alvo. Ainda se machucou e teve que ser substituído. Apesar da chance desperdiçada, o jogo seguia 0 x 0.

Faltando apenas um minuto para o apito final, um apagão tomou conta da cidade colombiana. Muitos torcedores do América, que acompanhavam o jogo pela TV, perderam os momentos finais da partida de Santiago. Mas isso não os impediu de sair às ruas para soltar o grito de campeão. Afinal, ninguém esperava que um milagre viria dos pés de Diego Aguirre, que com um chute certeiro, roubaria a taça das mãos dos Diablos Rojos. Por fim, garantindo o título de campeão ao Peñarol.

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O MÉTODO

Parte fundamental do ressurgimento da Seleção Uruguaia se deu, antes de tudo, após a segunda passagem de Tabárez pelo Uruguai. O treinador sul-americano está à frente da Celeste, desde o dia 8 de março de 2006. São 14 anos, três Copas do Mundo seguidas (2010, 2014 e 2018) e a conquista de mais um título da Copa América também neste período. Não é por pouco que Oscar Tabárez é considerado como um dos maiores técnicos da história do Uruguai.

 

O Maestro adotou, sobretudo, o caminho da coletividade. Ele consegue mobilizar os jogadores para que trabalhem com disciplina. De tal forma que procurem defender com consistência e atacar com sabedoria. Embora reconheça os limites da equipe, prioriza que os craques mantenham os pés no chão em prol do resultado coletivo. Afinal, Tabárez nunca teve problema para mandar alguém para o banco ou não colocar para jogar. Justamente por acreditar que todos devem ser tratados da mesma forma. 

Ademais, o treinador abandonou o jogo violento e deu lugar a educação. Implantou o sistema tático 4-3-3 como padrão, criando um plano para os jogadores estudarem e compreenderem melhor suas ideias. Assim, todos ganham relevância nas mãos do treinador. A dupla Edinson Cavani e Luis Suárez são exemplos que dispensam apresentações. Os astros da bola reconhecem o trabalho singular do comandante e fazem questão de exaltá-lo.

De fato, como um maestro, Tabárez conduziu uma nova identidade para a seleção. E, assim, trouxe esperança ao Uruguai. Não se trata apenas da conquista de títulos. Mas por ter a competência de reconstruir o elo entre população e seleção.

Foto destaque: Reprodução/FNV

Jéssica Castro
Assim como o futebol, sou apaixonada por comunicação desde muito cedo. Uma bola no pé ou um microfone na mão eram suficientes para que a minha diversão fosse garantida. Atualmente, sou estudante de Rádio, TV e Internet a fim de unir minhas paixões e me aventurar por novas experiências e aprendizados.

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