Os maiores desafios de Edgardo Bauza

O estereótipo negativo de que um treinador estrangeiro não consegue ter sucesso no Brasil não será a única pedra no sapato de Edgardo Bauza. O argentino terá que superar outros empecilhos para recolocar o São Paulo no caminho vitorioso que outrora conhecia tão bem. Turbulências em sua diretoria, cobrança da torcida e elenco carente de peças são alguns dos obstáculos à frente do Patón:

Retrospecto negativo

Na história recente do futebol brasileiro todos os treinadores gringos falharam: Em 2014 Ricardo Gareca, conterrâneo de Bauza, teve passagem desastrosa pelo Palmeiras, com aproveitamento de apenas 33% nos jogos disputados, o que levou o clube a brigar contra o rebaixamento até a última rodada do Campeonato Brasileiro, dependendo de rivais para não cair. O uruguaio Diego Aguirre foi demitido do Internacional no meio do ano por conta da péssima campanha do time no Brasileirão, e Juan Carlos Osorio, comandando o próprio São Paulo, começou seu trabalho sob desconfiança e após algumas derrotas ouviu a torcida Tricolor pedir sua demissão. Bancado por Carlos Miguel Aidar o colombiano permaneceu, melhorou o time e recolocou o Tricolor no G4 do Brasileirão, porém aceitou proposta para treinar a seleção mexicana e deixou o comando do clube.

Problemas internos

A diretoria do São Paulo foi a grande vilã do clube em 2015: desestabilizou o time com disputas políticas, troca de farpas entre dirigentes e declarações negativas contra o próprio elenco. Como resultado o time passou mais uma temporada em branco e teve nada menos que quatro técnicos em 2015 (Muricy Ramalho, Osorio, Doriva e Milton Cruz, este último como interino). Leco e Ataíde Gil Guerreiro, respectivos presidente e vice, precisam por o Departamento de Futebol do clube em ordem, de maneira a passar tranquilidade para Bauza desenvolver seu trabalho.

Ânsia por resultados

Impaciente, a torcida são-paulina, antes acostumada a comemorar pelo menos um título por ano, agora espera resultados em curto prazo. Com exceção da Copa Sul Americana de 2012, há tempos o clube não ganha um título de expressão, seja nacional ou internacional. Desta forma, Bauza terá pouco tempo para adaptação e será pressionado caso o São Paulo inicie 2016 apresentando futebol pouco convincente no Paulistão e na (pré) Libertadores.

Elenco limitado

O clube ainda não foi ao mercado para suprir as ausências de Alexandre Pato, que teve seu empréstimo junto ao Corinthians encerrado, Luís Fabiano, que foi para o futebol chinês e Rogério Ceni, que se aposentou. As três perdas, somadas à necessidade de um zagueiro (que tudo indica ser Diego Lugano), dois laterais e um meia para rivalizar com Ganso tornam o elenco Tricolor carente de reforços.

A procura de um líder

A aposentadoria de Rogério Ceni, maior ídolo da história do clube e principal referência do elenco levanta uma questão preocupante: quem será o próximo capitão e líder do time? Luís Fabiano, que herdaria a braçadeira de capitão, transferiu-se para o futebol chinês. Os aspirantes ao cargo são Rodrigo Caio e Thiago Mendes, mas por serem muito jovens (22 e 23 anos, respectivamente), tanto o líbero quanto o volante precisam de amadurecimento pessoal e profissional. O provável retorno de Diego Lugano também é uma interessante opção, muito embora o uruguaio precise de algum tempo para readaptar-se ao futebol brasileiro.

Edgardo Bauza, que já venceu duas Libertadores por diferentes equipes (LDU e San Lorenzo), tem total capacidade de desenvolver excelente trabalho em solo brasileiro. Resta saber se o argentino conseguirá encontrar soluções para todos os problemas tricolores além de superar os desafios que tem à frente, tornando-se assim o primeiro treinador estrangeiro a ter sucesso no Brasil em muitos anos.

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Vinícius Deguar
Jornalista de 23 anos e estudante de Comunicação Social na UNG/SP, escrevo para o Site Futebol na Veia desde novembro de 2015 e sou especializado no núcleo do futebol paulista, cobrindo principalmente o cotidiano dos quatro grandes do estado de São Paulo. Aprendi como um time deve jogar bola vendo o Barcelona holandês-catalão de Cruiff, Rijkaard, Davids, Overmars e cia. limitada. Possuo o futebol em minhas veias desde criança. Contato: viniciusdeguar@aim.com

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