Os incompetentes estão acabando com o Santos

- Há anos, dirigentes minam as ambições santistas com gestões cada vez piores

É um grito entalado. Já virou motivo de piada. Entra ano, sai ano. Nada muda. Há anos, dirigentes minam as ambições santistas com gestões cada vez piores. A inabilidade administrativa, que já causou a sangria nas finanças, agora afeta a montagem do elenco. Não fosse a sempre salvadora base, as temporadas passadas na Baixada teriam sido penosas.

Recorrendo a um passado recente, o Santos teve à sua frente a dupla Laor, já falecido, e Odílio Rodrigues, pivôs da confusa – para não dizer escusa – transferência de Neymar para o Barcelona. Os ilustres cartolas, que aceitaram pagar 12 milhões de euros por Leandro Damião, também estiveram envolvidos na venda de fatias dos direitos econômicos de jogadores da base a empresários – esses, sim, são mestres na arte da negociação.

Depois, com um discurso de responsabilidade fiscal, assumiu Modesto Roma Júnior. A princípio, encontrou um cenário desolador, em um período no qual líderes do elenco deixaram o clube por falta de pagamento. Embora responsável com a caneta, foi um gestor modesto e cometeu erros destacáveis, como a predileção por jogos na Vila Belmiro para públicos cada vez menores, além da contratação de jogadores contestáveis, como Rodrigão, Leandro Donizete e o inesquecível Nilson, por exemplo.

Então, chegou a vez de José Carlos Peres, da chapa Somos Todos Santos. O presidente assumiu prometendo fazer o clube grande novamente, no melhor estilo salvacionista. Mais jogos no Pacaembu. Time competitivo. Saúde financeira. Competência. Promessas de campanha. Gustavo Vieira foi contratado como diretor de futebol, mas durou apenas 45 dias em seu cargo. Em sua despedida, acusou o mandatário santista de ingerência, sobretudo nas negociações. E, na tentativa de reforçar o elenco, Peres se lançou ao mercado. Prometeu um presente de Natal que nunca chegou. Cravou a contratação de um meia em dez dias. Não cumpriu. As vindas de Gabriel Barbosa e Dodô são exemplos de novelas que, pelo menos nesses casos, tiveram desfecho positivo. Coisa que não ocorreu com Lucas Zelarayán, argentino do Tigres, do México, e Caio Henrique, ex-Santos, hoje no Atlético de Madrid, da Espanha.

Essas duas negociações frustradas, inclusive, simbolizam a incompetência que é peculiar aos últimos dirigentes santistas. Zelarayán manifestou o interesse de jogar no Santos e ventilou-se a notícia de que o jogador havia pousado para uma foto vestindo a camisa alvinegra. Caio, por sua vez, tinha um pré-acordo com a diretoria e estava no Brasil na manhã desta segunda-feira. Na hora h, como de praxe, o Peixe se assustou com os valores. Negociação frustrada. Nenhuma novidade.

No Santos, virou rotina se assustar com valores, deixar jogadores escaparem para rivais – como os casos de Willian, Keno e Guerra, hoje no Palmeiras -, prometer e não cumprir e envergonhar a instituição. Como time grande, é inadmissível que um clube desta grandeza não tenha a capacidade de contratar um armador decente. Mais do que isso, como acreditar que o Barcelona pagou, de fato, 17 milhões de euros por Neymar, se o limitadíssimo Hulk custou aos cofres do Shanghai SIPG três vezes mais, 55 milhões de euros. E não me venha com este papo de que os chineses têm dinheiro.

A verdade é que a baderna fora de campo interfere no rendimento dentro das quatro linhas. Não por acaso, o time tem ficado no quase, sempre com o sentimento de que dava. Enquanto a gestão for banalizada e conduzida de forma amadora, o departamento de futebol colherá os frutos de uma má administração. A torcida tem o direito de cobrar, afinal, em três meses de gestão, Peres não espantou o marasmo. Aos dirigentes, ecoa o grito de insatisfação: devolvam o nosso Santos!

André Siqueira Cardoso

Sobre André Siqueira Cardoso

André Siqueira Cardoso já escreveu 313 posts nesse site..

Sou André Siqueira Cardoso, tenho 21 anos. Aluno de jornalismo da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP), atualmente trabalho em VEJA, com a cobertura do noticiário político. Apaixonado por esportes, jogador de futebol até hoje, tenho o sonho de cobrir uma Copa do Mundo.

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Sou André Siqueira Cardoso, tenho 21 anos. Aluno de jornalismo da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP), atualmente trabalho em VEJA, com a cobertura do noticiário político. Apaixonado por esportes, jogador de futebol até hoje, tenho o sonho de cobrir uma Copa do Mundo.

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